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União Europeia pede que fornecimento de gás russo seja retom

Disputa comercial entre Rússia e Ucrânia interrompeu fluxo.
Crise coincide com onda de frio na Europa.




A Presidência da União Europeia, nas mãos da República Tcheca, deu prazo à Rússia e à Ucrânia para que retomem na quinta-feira (7) o fornecimento de gás à Europa, e advertiu que, caso contrário, haverá "medidas mais severas".

"Se amanhã não for restabelecido o fornecimento, a União Europeia terá que tomar medidas mais severas", afirmou o primeiro-ministro tcheco, Mirek Topolanek, em declarações a um grupo de jornalistas.

"Amanhã é um dia-chave", disse o primeiro-ministro tcheco, depois que na noite passada houve o corte do envio de gás natural russo que transita pela Ucrânia para o centro e o leste da Europa.

Topolanek disse que o novo conflito por causa do gás começou como uma "disputa comercial", mas seus efeitos sobre alguns países da União Europeia alcançaram um nível "inaceitável".

Este conflito e seus efeitos na UE serão abordados pelos ministros de Exteriores do bloco em reunião informal que será realizada quinta-feira em Praga.

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, disse que combinou com a premiê ucraniana o "envio urgente" de observadores europeus para vigiar o trânsito de gás russo pelo país.


Fornecimento interrompido
O fornecimento de gás russo à Europa através da Ucrânia cessou totalmente nesta quarta por causa da guerra comercial entre os dois países, aumentando o temor de que os consumidores sofram as consequências desta crise num momento de temperaturas muito baixas.



A Ucrânia acusou a Rússia do corte das entregas, mas a gigante do gás russa Gazprom afirmou que o fim do fornecimento foi provocado pelas autoridades ucranianas, que teriam fechado o último gasoduto que estava aberto.



O presidente ucraniano Viktor Yushchenko pediu que a Rússia retome de imediato do envio de gás para a Europa por meio da Ucrânia, em uma carta enviada ao presidente russo Dmitri Medvedev e ao presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso.



A empresa ucraniana Naftogaz anunciou que a Rússia interrompeu o trânsito de gás à Europa pelo território do país nesta quarta-feira.



"Às 7h44 (3h44 de Brasília), a Rússia cessou todo o trânsito pela Ucrânia. A Rússia deixou a Europa sem gás", declarou o porta-voz da empresa, Valentin Zemlianski.



"Considero necessário retomar de imediato o trânsito diário de gás para os países europeus, com os volumes e os destinos de referência em 2008, até que um acordo permita solucionar a divergência comercial entre Rússia e Ucrânia", afirma o presidente Yushchenko em sua carta.



República Tcheca - país que preside a União Europeia no semestre -, Áustria, Romênia e Eslováquia anuciaram que já deixaram de receber o gás russo.



Bósnia, Bulgária, Croácia, Grécia, Hungria e Macedônia já haviam anunciado na véspera que o abastecimento havia cessado. A Bulgária cortou a distribuição às indústrias e pediu à população que reduza o consumo em casa, apesar das temperaturas de até 16 graus negativos. A Eslováquia declarou uma emergência energética.



Além disso, um total de 17 países afirmaram que tiveram o fornecimento reduzido por causa do conflito entre Kiev e Moscou. Entre eles, França e Itália anunciaram quedas no fornecimento de 70% e 90% respectivamente.



Moscou cortou o fornecimento de gás ao mercado doméstico da Ucrânia em 1º de janeiro por uma polêmica sobre os preços do gás para 2009 e alegando atrasos nos pagamentos por parte de Kiev.



O governo russo acusa a Ucrânia de desviar ilegalmente o gás que transita por seu território com destino a outros países da Europa. A Ucrânia nega ter roubado gás da Rússia e acusa o Kremlin de criar uma crise, em pleno inverno europeu.



Quase 40% das importações de gás da UE procede da Rúsia, o que representa 25% do consumo total de gás do bloco. No total, 80% do gás russo destinado à UE transita pela Ucrânia.



Dirigentes russos e ucranianos asseguraram nas últimas semanas que a divergência não afetaria a entrega de gás à Europa e agora cada um se seforça para apontar a outra pate como o sócio energético pouco confiável para a UE.



A crise acontece no pior momento, já que coincide com uma onda de frio que arrasa a Europa central e oriental, regiões que dependem do gás para seus sistemas de calefação central.



Mas, segundo especialistas, o impacto imediato para os consumidores europeus será moderado porque a maioria dos países armazena importantes reservas de gás desde que um conflito russo-ucraniano já provocou cortes em 2006.



Em uma mostra de possível flexibiliação, o diretor da Naftogaz, Oleg Dubina, afirmou que viajará na quinta-feira a Moscou para negociar com a Gazprom.


Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,M ... 02,00.html