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Testemunhas viram goteiras no teto da Renascer, diz delegado

Polícia investiga se falhas na manutenção causaram desabamento.
Delegado diz que pessoas ouvidas viram pedaços de gesso caindo do teto.




A polícia investiga se falhas na manutenção do templo da Igreja Renascer em Cristo no Cambuci, Zona Sul de São Paulo, provocaram o desabamento que matou nove pessoas e feriu mais de cem. De acordo com testemunhas ouvidas no inquérito, a igreja tinha várias goteiras. Essas pessoas também disseram que, em várias oportunidades, pedaços de gesso caíram no chão do templo.

O inquérito já acumula 300 páginas, divididas em quatro volumes. “Todas as pessoas que estavam no interior da igreja foram uníssonas em declarar que havia pingos de água. Algumas delas viram até pedaços de gesso caindo do teto”, afirmou o delegado Dejar Gomes Neto.



Até agora, 40 pessoas prestaram depoimento. Entre os mais importantes estão o de Daniel dos Anjos, o proprietário da empresa Etersul, que fez a troca de 1,6 mil telhas da igreja entre agosto e novembro de 2008. Ele contou ao delegado o que viu no templo na época da reforma.



“Em junho de 2008, ele fez uma vistoria na igreja e constatou que havia infiltrações, que o gesso estava danificado. E constatou que havia vários pontos de infiltração no telhado, que chegavam até a marcar o forro sobre o altar”, disse o delegado.

Gomes Neto diz que ainda é cedo para apontar culpados. Entretanto, se ficar confirmado que os responsáveis pela igreja sabiam das infiltrações e não fizeram obras para evitar o acidente, eles podem ser indiciados por homicídio por dolo eventual – quando se assume o risco de matar.

Demolição

Os dois homens que trabalham na demolição manual do que restou do templo da Renascer passaram a manhã desta terça-feira (27) na parede lateral que fica à direita, quando o templo é visto de frente. É justamente essa parede que está no fundo dos imóveis interditados.

Suspensos por um guindaste, que tem sessenta metros de altura, os operários usam a força e um martelo. A demolição é feita lentamente, em pequenas partes. A perícia só será concluída quando esse trabalho acabar.

Moradores de oito casas continuam em hotéis ou morando com parentes. A rotina deles ainda não tem data para voltar ao normal. A Defesa Civil visitou mais uma vez as casas interditadas, e disse que a chuva desta segunda-feira (26) não aumentou o risco de desmoronamento, porque a parte da parede que estava mais frágil já foi derrubada. Mesmo assim, a segurança para os moradores não está garantida.

A Secretaria do Verde e do Meio Ambiente multou a Renascer em R$ 16 mil pelo uso de telhas de amianto no templo. Por causa delas, os funcionários que trabalham no local do desabamento têm usado roupas especiais.

Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0 ... EGADO.html