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Termina a maratona

As 100 horas de astronomia chegaram ao fim. A maratona mundial, que começou no dia 2, terminou no domingo, dia 5, com o Dia do Sol. Dentro da maratona, o programa dos 80 telescópios ao redor do mundo foi o mais interessante, com imagens ao vivo direto dos maiores observatórios da Terra. Em quase todos eles entrevistas eram transmitidas durante observações e imagens tiradas naquele momento iam para a rede.

Alguns observatórios, por outro lado, não têm como fazer isso, pois as imagens precisam de um processamento pesado antes de se tornarem atraentes. Nesses casos as imagens foram obtidas antes e disponibilizadas durante a maratona. Eis algumas delas.

O telescópio de raios X Chandra produziu esta imagem, batizada de “Um jovem pulsar mostra suas garras”. Neste caso, um pulsar de 1700 anos de idade produz uma nuvem de partículas de alta energia com aparência fantasmagórica. Essa nuvem parece tentar agarrar as manchas luminosas acima. Esses pequenos pontos brilhantes são regiões aquecidas pela radiação emitida pelo pulsar mais abaixo.

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Já o telescópio espacial Hubble criou o concurso “Você Decide” alguns meses atrás para que o público escolhesse qual imagem seria lançada durante a maratona. A imagem em si foi obtida nos dias 1 e 2 de abril. O mais votado, com mais de 67 mil votos, foi este trio de galáxias em interação, conhecido como Arp 274, a 400 milhões de anos-luz daqui. Esse trio é composto por duas galáxias espirais e uma irregular, à esquerda. As três galáxias estão agindo uma sobre a outra através de sua atração gravitacional e em duas delas é possível notar o efeito disto. As galáxias das duas extremidades possuem pontos azuis brilhantes, que representam formação de estrelas a uma taxa muito alta.

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O Observatório Austral Europeu (ESO, na sigla em inglês) contribuiu com duas imagens de galáxias também. A primeira é de uma galáxia irregular parecendo um charuto cósmico. NGC 55 está a 7,5 milhões de anos-luz de distância, na constelação de Sculptor. A segunda galáxia é uma do tipo espiral, NGC 7793. Ela é do tipo espiral, mas não daquelas que estamos acostumados a ver. Seu padrão, apesar de indiscutivelmente espiral, é um tanto caótico, sem a definição evidente de seus braços. Ambas as imagens foram obtidas pelo telescópio de 2,2 metros que, apesar de ser bem menor que os VLTs de 8 metros, tem uma super câmera com um campo bem largo.

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É isso aí. Essa maratona promoveu uma mobilização sem precedentes da comunidade científica. E o mais importante é que ela foi pensada com o objetivo específico de colocar lado a lado astrônomos profissionais, amadores e o grande público.

Eu só espero que não leve mais 400 anos para isso acontecer de novo…

Fonte: http://colunas.g1.com.br/observatoriog1