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Tegucigalpa acorda sob toque de recolher

Honduras, país pobre da América Central, está no centro de uma crise que envolve o Brasil e os vizinhos. O país exporta café, banana e camarão. É um dos menos desenvolvidos do continente. Há dois dias, o presidente deposto Manuel Zelaya se mantém abrigado na embaixada brasileira.

Nessa quarta-feira (23), houve saques e confrontos em vários pontos da capital. Duas pessoas morreram. Nesta quinta-feira (24), o país disputado por dois presidentes amanheceu em silêncio, deserto, paralisado, sob toque de recolher. Depois de várias horas de viagem, e muitos obstáculos, o correspondente especial da Globo José Roberto Burnier conseguiu chegar até a capital Tegucigalpa.

Pouco depois das 22h dessa quarta-feira (23), o repórter José Roberto Burnier chegou a Tegucigalpa. E o que chamou a atenção foi que a cidade estava deserta. O governo interino de Roberto Micheletti impôs, mais uma vez, o toque de recolher em todo o país.

Chegar até à capital de Honduras não foi fácil. Na fronteira de El Salvador até capital, José Roberto Burnier teve que passar por oito barreiras das forças de segurança.

Já nesse ponto da viagem, a equipe já pôde perceber a divisão de opiniões no país por causa da crise política. Até mesmo entre militares. Alguns deles, nas barreiras, pediram a volta de Zelaya. Outros criticaram duramente o Brasil por ter abrigado o presidente deposto.

A viagem do repórter começou em El Salvador. Quando a equipe chegou perto da fronteira, teve que passar por uma fila de caminhões que estavam parados dos dois lados da pista. Os motoristas estão esperando por dois ou três dias. Muita gente acabou desistindo.

Em Tegucigalpa, a quarta-feira foi um dia de confrontos entre militares e manifestantes pró-Zelaya. O governo interino chegou a suspender o toque de recolher por seis horas, porque a população não podia sair de casa e não podia comprar alimentos. Com essa liberação, os supermercados ficaram lotados.

No final da tarde, o toque de recolher foi imposto novamente, por volta das 17h. As fronteiras foram fechadas. O presidente interino Roberto Micheletti acabou abrandando o discurso e aceitou negociar. Em uma declaração lida pelo chanceler do governo golpista, Carlos López, Micheletti disse que Zelaya é um cidadão de Honduras e que tem todo o direito de estar no país.

Mesmo com a possibilidade de uma negociação, os protestos continuaram. Por volta de meia-noite de Honduras (3h do Brasil), o repórter José Roberto Burnier tentou se aproximar da embaixada do Brasil, mas a barreira de militares impediu. O correspondente fez alguns apelos, mas os militares informaram apenas que, por volta de 6h em Honduras, (9h em Brasília), o toque de recolher vai ser suspenso mais uma vez. Aí sim, a equipe da Globo pode se aproximar da embaixada.

Fonte:O Globo