•  
     

Sobre as organizações

Sobre as organizações

Vários grupos indígenas vêm se apropriando de formas de representação típicas da nossa sociedade de modo a buscar novas maneiras de inserção no cenário político nacional. Nessas organizações, os índios realizam assembléias, votam em diretorias, registram seus estatutos em cartórios e abrem contas bancárias próprias. O surgimento e desenvolvimento das organizações têm promovido ainda o surgimento de líderes e novas formas de aliança.

Tais organizações mantêm entre si múltiplas diferenças, seja em termos de mandato, de abrangência de sua atuação ou do espectro de suas alianças. Há organizações indígenas vinculadas a uma só aldeia; outras reúnem vários povos localizados ao longo de um determinado rio; há, ainda, casos de organizações com pretensões de representação política no plano interlocal e regional.

Na sua grande maioria, as organizações indígenas são de caráter étnico de base local (por aldeia ou comunidade), como a Associação Xavante de Pimentel Barbosa, ou interlocal (grupo de aldeias ou comunidades), como a Aciri (Associação das Comunidades Indígenas do Rio Içana), ou o CGTT (Conselho Geral da Tribo Ticuna). Surgiram também algumas organizações regionais, como a Uni-AC (União das Nações Indígenas do Acre), o CIR (Conselho Indígena de Roraima), a Foirn (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro) e, num âmbito maior, a Coiab (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira).

Depois da curta experiência de representação nacional da Uni (União das Nações Indígenas), que nunca se institucionalizou formalmente, em 1992 foi fundada, numa Assembléia da Coiab, a Capoib (Conselho de Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Brasil), sob o acompanhamento e os auspícios do Cimi (Conselho Indigenista Missinário, órgão oficial da CNBB, da Igreja Católica Romana).

De modo geral, as organizações indígenas têm uma tendência volátil, ilustrativa das dificuldades dos índios construírem formas estáveis de representação com uma base tão diversa e dispersa. No Brasil, a diversidade demográfica, lingüística e espacial entre os índios faz com que a questão da representação política dos interesses indígenas seja algo bastante peculiar, se comparada, por exemplo, à situação na Bolívia (onde 57% da população nacional é indígena), no Peru (40%) ou no Equador (30%). Aqui, a política propriamente indígena, autônoma e permanente, é uma realidade fundamentalmente local (de cada aldeia, comunidade ou família), faccional (no caso, por exemplo, de aldeias onde a organização social está baseada em metades rituais à cada qual corresponde um chefe) e descentralizada (sem o reconhecimento de um centro de poder).

Fonte: http://www.socioambiental.org/pib/portu ... reorg.shtm