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Salvador encanta com belezas naturais e culto à alegria

Rede hoteleira já comemora, com 85% de ocupação e mais de 600 mil visitantes para acomodar.



Destino da alegria, da boa preguiça e do cheiro de dendê. Quem vem para Salvador traz o desejo de desvendar seus mistérios. Quem é da terra conhece os caminhos e os segredos e tem o dom de acolher bem.



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“Vem, meu nego, vem ver o que a baiana tem”, brinca uma senhora. Mas o que a baiana tem? “Tem simpatia“, afirma uma moradora.

A Bahia tem o sol, como parceiro, e um verão inteiro para aproveitar até o carnaval. A rede hoteleira já comemora: 85% de ocupação, mais de 600 mil visitantes para acomodar.

Bom para a cidade, melhor ainda para trabalhadores e empresários que temiam as consequências da crise financeira. “Nós ainda não sentimos essa crise. Agora, o que vem por aí, é uma grande interrogação”, afirma o empresário José Iglesias.

No porto e no aeroporto, desembarcar em Salvador é ter a sensação de estar no Brasil e na África ao mesmo tempo. O verão em Salvador é sinônimo de ócio, é ter o prazer de mergulhar nas águas mornas da Baia de Todos os Santos e é passear pela história e pelos famosos cartões-postais.

“O cartão-postal mais bonito dessa cidade é o povo. Faz a gente se sentir bem, alegre e acolhido”, comenta o militar Eduardo Campos.

Casarões e ruas estreitas do Pelourinho são alguns dos endereços do povo que encanta. Esse mesmo povo reprova a inconveniência de alguns conterrâneos que tentam ganhar dinheiro com a insistência.

“Eu acho o assédio um pouco irritante. Acho que eles poderiam deixar as pessoas um pouco mais livres para poder apreciar a história do Brasil”, ressalta a dona de casa Odete Farinasi.


Se a paisagem do patrimônio da humanidade estiver alterada, paciência. Um dia, talvez, as barracas estejam instaladas em outro lugar. “A gente tira uma fotografia e sempre tem alguma coisa enfeando a paisagem”, diz a estudante Andréa Farinasi.

Mas o verdadeiro encanto dessa cidade é a beleza e a surpresa. A história da primeira capital do Brasil se confunde com a religiosidade do seu povo. Em Salvador, as divindades católicas são semelhantes as dos deuses africanos. Só assim, os escravos conseguiam cultuar seus santos sem perseguições. Esse credismo é uma marca forte da cultura de Salvador.

Em que outros lugar do Brasil, os rituais do candomblé se manifestam diante da igreja do padroeiro. O turista fecha o corpo com os orixás e depois vai rezar para o senhor do Bonfim.

Diante do altar, promessas e agradecimentos são uma mistura de alegria e emoção. “Toda vez que eu entro aqui, é uma emoção muito forte”, conta o aposentado Danir Silva.

Amarrar fitinhas na grade da igreja é o registro de milhões de pedidos que o Senhor do Bonfim precisa atender. É assim a fé dos baianos, é assim o verão de Salvador: um culto à alegria, ao sagrado e ao profano.

Fonte: http://g1.globo.com/bomdiabrasil/0,,MUL ... EGRIA.html