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Religião da Liberdade

Essa é uma religião de liberdade e razão feita para o homem levar uma vida nobre.

O Buddhismo não impede ninguém de aprender os ensinamentos de outras religiões. De fato, o Buddha encorajou Seus seguidores a aprender sobre outras religiões e comparar Seus Ensinamentos a outros ensinamentos. O Buddha disse que, se há ensinamentos razoáveis e racionais em outras religiões, Seus seguidores estão livres para respeitar tais ensinamentos. Parece que certos religiosos tentam manter seus seguidores na escuridão, algum deles não podendo nem mesmo tocar os objetos ou livros de outras religiões. Eles são instruídos a não ouvirem as pregações de outras religiões; e são instruídos a não duvidar dos ensinamentos de sua própria religião, por mais não convincentes tais ensinamentos pareçam ser. Quanto mais conseguem manter seus seguidores numa só trilha, mais facilmente os mantêm sob controle. Se qualquer um deles exercita a liberdade de pensamento e percebe que tem estado na escuridão todo o tempo, então é dito que o demônio possuiu sua mente. Ao pobre homem não é dada nenhuma oportunidade para usar seu senso comum, educação ou inteligência. Aqueles que desejam mudar seu ponto de vista sobre a religião são ensinados a acreditar que não são perfeitos o suficiente para serem permitidos usar o livre-arbítrio e julgar qualquer coisa por eles mesmos.

De acordo com o Buddha, a religião deveria ser algo da própria livre escolha. Religião não é uma lei, mas um código de disciplina que deveria ser seguido com compreensão. Para os buddhistas, os verdadeiros princípios religiosos não são nem uma lei divina nem uma lei humana, mas uma lei natural.

A verdade é que não há nenhuma liberdade religiosa real em nenhuma parte do mundo hoje. O homem não tem a liberdade até de pensar livremente. Sempre que percebe que não pode encontrar satisfação através de sua própria religião, a qual não pode lhe conceder respostas satisfatórias a certas questões, ele não tem liberdade para desistir dela e aceitar uma outra que o atraia. A razão é que as autoridades religiosas, líderes e membros da família tiraram sua liberdade. Ao homem deveria ser permitido escolher a religião que está de acordo com sua própria convicção. Ninguém tem o direito de forçar o outro a aceitar uma religião em particular. Algumas pessoas abandonam sua religião pelo amor, sem uma compreensão correta da religião de seu parceiro. A religião não deveria ser mudada para adaptar-se às emoções do homem e às fraquezas humanas. Uma pessoa deve pensar muito cuidadosamente antes de mudar de religião. A religião não é um objeto de barganha; não se deveria mudar de religião a fim de ganhos pessoais ou materiais. A religião é para ser usada para o desenvolvimento espiritual e para a salvação de si mesmo.

Os buddhistas nunca tentam influenciar outras pessoas religiosas a se aproximarem e abraçarem sua religião para obter ganhos materiais. Nem buscam explorar pobreza, doença, analfabetismo e ignorância a fim de aumentar o número da população buddhista. O Buddha aconselhou aqueles que indicavam sua vontade em segui-Lo, a não aceitarem precipitadamente Seus Ensinamentos. Aconselhou-os a considerar cuidadosamente Seu Ensinamento e então decidir se era algo prático para eles seguirem ou não.

O Buddhismo ensina que uma mera crença nos rituais externos são insuficientes para atingir a sabedoria e a perfeição. Nesse sentido, a conversão externa se torna sem sentido. Promover o Buddhismo pela força significaria pretender propagar a justiça e o amor pelos meios da opressão e da injustiça. Não é de importância para um seguidor de Buddha se uma pessoa se chama de buddhista ou não. Os buddhistas sabem que somente através do próprio entendimento e esforço o homem estará perto do objetivo pregado pelo Buddha.

Entre os seguidores de todas as religiões encontramos alguns fanáticos. O fanatismo religioso é perigoso. Um fanático é incapaz de se guiar pela razão ou mesmo pelos princípios científicos da observação e da análise. De acordo com o Buddha, um buddhista precisa ser um homem livre com uma mente aberta, e não ser subserviente a ninguém para o seu desenvolvimento espiritual. Ele busca refúgio no Buddha aceitando-O como uma fonte de orientação e inspiração suprema. Ele busca refúgio no Buddha, não cegamente, mas com compreensão. Para os buddhistas, o Buddha não é um salvador nem é um ser antropomórfico que proclama possuir o poder de limpar os pecados dos outros. Os buddhistas consideram o Buddha como um Professor que mostra o Caminho para a salvação.

O Buddhismo sempre ajudou na liberdade e no progresso da humanidade. O Buddhismo sempre defendeu os avanços no conhecimento e pela liberdade da humanidade em todas as esferas da vida. Não há nada nos Ensinamentos do Buddha que tenha de ser retirado em face das invenções e conhecimentos científicos modernos. Quanto mais coisas novas são descobertas pelos cientistas, mais perto estão do Buddha.

O Buddha emancipou o homem da escravidão da religião. Libertou também o homem do monopólio e da tirania dos sacerdotes. Foi o Buddha quem primeiro aconselhou o homem a exercitar sua razão e a não se permitir ser guiado mansamente como um estúpido gado, seguindo o dogma da religião. O Buddha defendeu o racionalismo, a democracia e a conduta prática e ética na religião. Introduziu esta religião para que as pessoas praticassem com dignidade humana.

Os seguidores do Buddha foram aconselhados a não acreditarem em qualquer coisa sem considerá-la apropriadamente. No Kalama Sutta, o Buddha deu as seguintes orientações para um grupo de jovens:

“Não aceitem nada baseados meramente em relatos,
tradições ou ditos,
Nem com base na autoridade de textos religiosos,
Nem com base em mera razão e argumentos,
Nem com base na própria inferência,
Nem em nada que pareça ser verdade,
Nem com base em sua própria opinião especulativa,
Nem com base na aparente habilidade de alguém,
Nem com base na consideração: “Esse é nosso Mestre”.

‘Mas, quando souberem por vocês mesmos que certas coisas são insalubres e ruins: tendentes a prejudicarem vocês ou outros, rejeitem-nas.
‘E quando souberem por vocês mesmos que certas coisas são saudáveis e boas: condutivas ao bem-estar espiritual de vocês bem como de outros, aceitem-nas e sigam-nas”.

Os buddhistas são aconselhados a aceitarem práticas religiosas somente após observação e análise cuidadosas, e somente após estarem certos de que o método concorda com a razão e é condutivo ao bem próprio e de todos.

Um verdadeiro buddhista não depende de forças externas para sua salvação. Nem espera se livrar das misérias por meio da intervenção de algum poder desconhecido. Ele deve tentar erradicar todas as suas impurezas mentais a fim de encontrar a eterna Felicidade. O Buddha disse: “Se alguém falasse mal de mim, de meus ensinamentos e de meus discípulos, vocês não deveriam se preocupar ou se perturbar, porque esse tipo de reação somente causaria prejuízo a vocês. Por outro lado, se alguém falasse bem de mim, de meus ensinamentos e de meus discípulos, não deveriam se entusiasmar, nem se exultar ou se alegrar em demasia, porque esse tipo de reação somente seria um obstáculo na formação de um julgamento correto. Se ficarem exultantes, não poderão julgar quais as qualidades elogiadas são reais e realmente encontradas em você” (Brahma Jala Sutta). Tal é a atitude equilibrada de um buddhista genuíno.

O Buddha defendeu o mais alto grau de liberdade não somente em sua essência humana, mas também em suas qualidades divinas. É uma liberdade que não priva o homem de sua dignidade. É uma liberdade que emancipa de toda escravidão a dogmas, leis religiosas ditatoriais e punições religiosas.