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Reforma em igreja que desabou não tinha registro

Dezenove vítimas do desabamento do teto da igreja Renascer em Cristo ainda estão internadas. No ano passado, o teto havia sido reformado, mas por empresa que não tem engenheiro responsável.



Um engenheiro projetou a única reforma no telhado da igreja Renascer em Cristo registrada na prefeitura. Foi em 1999, depois que o Ministério Público interditou o templo.

O telhado ficava sobre vários triângulos de madeira, chamados "tesouras". Segundo o engenheiro, na época, essas tesouras estavam sobrecarregadas. Elas sustentavam dois forros, um de madeira, outro de gesso.

O projeto do engenheiro determinava que o forro de madeira fosse retirado e as bases das tesouras, reforçadas com barras de aço para aguentar o peso.

Carlos Alberto Lopes lembra que a obra foi executada por uma outra empresa, mas depois, aprovada por ele e pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

“Esse relatório previa vistorias periódicas, manutenção. Deixou bastante claro que deveria ser feita manutenção preventiva, com vistoria e que não poderiam ser colocadas cargas adicionais”, afirma o engenheiro.

A assessoria da igreja Renascer disse que fez a manutenção conforme as recomendações do laudo. Uma das hipóteses investigada pela polícia para explicar o desabamento é a de uma possível sobrecarga na estrutura do telhado, já que aparelhos de ar-condicionado e iluminação estão entre os escombros.

No fim do ano passado, o telhado passou por uma nova reforma, que não foi registrada na prefeitura. Foi feita por uma empresa que funciona em um sobrado antigo e tem remendos no telhado. Ela não tem registro no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura, nem engenheiro responsável.

O dono, Daniel dos Anjos, diz que havia goteiras na igreja: “E as telhas estavam algumas quebradas, remendadas, com massinha, etc. Essa era a causa das infiltrações do telhado”.

Wesley da Silva Jr., que está com a mãe internada por causa do acidente, lembra que ela passou por um susto, durante um culto, na quarta-feira passada: "Uma placa de gesso se soltou lá de cima e atingiu não só ela, como uma outra pessoa que estava com ela de mão dada".

“Toda vez que cai alguma coisa no local de um culto, por menor que seja o problema, você tem que interditar o local e verificar para ter a certeza se pode continuar ou não”, alerta o engenheiro de segurança Celso Atienza.

Em nota, a igreja diz que não há lógica na suposição de que o teto apresentava sinais de desabamento desde a semana passada.

Na investigação sobre as causas do acidente, a polícia já ouviu o depoimento de dez vítimas. Também serão chamados os funcionários da prefeitura responsáveis pelo alvará de funcionamento da igreja. Por motivo de segurança, o trabalho do Instituto de Criminalística nos escombros só começa depois que o restante do prédio for demolido.

Fonte: http://jornalnacional.globo.com/Telejor ... ISTRO.html