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Proximo Games: os planos para o Brasil

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Hoje, almocei com a comitiva da Proximo Games. Kevin Baqai, o diretor de desenvolvimento de negócios, estava acompanhado de seus associados - entre eles, o diretor de franquias Sunil Dewan - que gastaram uma boa hora me explicando suas intenções para o mercado brasileiro de games em 2009 (e nos anos vindouros, esperamos).
Eu também gastei boa parte do almoço falando sobre minhas impressões a respeito da cabeça do consumidor brasileiro - pelo menos, o consumidor que Baqai quer atingir com suas lojas. A conversa foi bem produtiva para ambas as partes e, pelo menos no meu caso, esclareceu bastante o que a Proximo Games enxerga no Brasil (ele já havia adiantado boa parte das intenções nesta entrevista que fiz em outubro passado), e o que essa rede espera apresentar de diferente. Vou dividir em tópicos, porque as conclusões são extensas:

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- Kevin e sua comitiva estão passando por várias cidades e conversando com diversas pessoas de áreas distintas. Representantes de redes de lojas, publishers de games, empresários, associações e a imprensa (no grupo em que eu deveria me encaixar). As reuniões servem para várias coisas: 1. marcar território; 2. compreender o funcionamento da burocracia brasileira; 3. pegar exemplos de casos funcionais e não-funcionais; 5. captar possíveis franqueados; e 5. procurar o local ideal para a abertura da primeira loja Proximo Games no Brasil.

- Aliás, é bom ressaltar: a pronúncia é “Proxímo”, com tônica no “i” - pelo menos foi assim que Kevin repetiu ao longo do almoço. Duvido que alguém aqui irá falar desse jeito… vai ficar “Próximo” mesmo - ainda que não tenha acento agudo (aliás, este blog ainda não se acostumou às novas regras de ortografia da língua portuguesa. Se encontrar alguma falha, me perdoe).

- Perguntei a origem de Baqai, algo que me intrigava: em inglês com leve sotaque, disse que nasceu nos Estados Unidos (na Califórnia), mas os pais são naturais da Índia. A fala era mansa, e os modos, bem educados - características não tão típicas de um empreendedor com grandes ambições O projeto da Proximo é antigo em sua vida - idéia foi dele e do irmão, o CEO Bobby Baqai. Seu diretor de franquias, Sunil Dewan, um sujeito simpático e bem articulado e aparentemente bem rodado, também tem origem indiana. Os outros funcionários que nos acompanhavam, Salvador e Thaila, são brasileiros legítimos. Sim, a Proximo já tem diversos funcionários locais. O escritório da empreitada, aliás, fica em Curitiba, capital do Paraná.

- Sobre a loja: antes de começar as franquias, os homens da Proximo têm a intenção de abrir uma grande loja eles mesmos. Essa “megastore” serviria como expeirência e também como uma espécie de showroom da empresa, mostrando aos interessados em abrir franquias o “jeitinho Proximo” de operar. Ao mesmo tempo, é uma maneira de eles demonstrarem que estão investindo no mercado brasileiro, e não apenas vendendo franquias. Eles não quiseram dizer onde exatamente abrirão a tal loja, se será em shopping ou na rua, nem a data de inauguração. Mas dá pra adiantar que: algo deve acontecer nesse sentido pelo menos em 90 dias; e que não será necessariamente em São Paulo, um mercado, nas palavras de Kevin, já muito saturado e não tão apropriado para testes. A declaração oficial é “ainda não escolhemos o local”, mas eu tenho um palpite forte. Alguém adivinha?

- Sobre franquias: você deve entender como funciona. Toda loja do Starbucks no Brasil é uma franquia. Do Burger King também. E tem a Casa do Pão-de-Queijo, pra dar um exemplo nacional. O interessado na franquia paga uma grana para ter o direito de utilizar a marca e a estrutura da matriz, além de também repassar parte dos ganhos mensais. Estamos acostumados a franquias de todo tipo no Brasil, especialmente na área de restaurantes. Mas de lojas de games, não. As lojas da UZ Games são de um único dono/investidor, assim como as duas lojas Gamers existentes. O que a Proximo pretende é vender a marca e a “expertise” para pessoas interessadas em abrir uma loja de games.

- Havia a lenda de que eles pretendiam transformar lojas de games já existentes no Brasil em lojas com o “selo” Proximo Games. Kevin me adiantou que não é exatamente o caso. A intenção é abrir as lojas “from scratch”, ou seja, “do zero”. No meu entender, eles devem achar complicado modificar a cabeça de um dono de loja já acostumado aos esquemas tradicionais de grande parte das lojas brasileiras. Ao mesmo tempo, disseram que é legal o candidato a franqueado ter experiência prévia no ramo.

- Eles também repetiram que a intenção não é intimidar as lojas que aqui já existem, e sim “ampliar o mercado”. Nas palavras do diretor de franquias, “há dez anos, as pessoas comiam menos fora. Hoje, há muito mais opções, e gasta-se muito dinheiro com isso. A chegada de tantas franquias fez as pessoas aumentarem o consumo. O mercado cresceu”. Isso se aplicaria também ao mercado de games. Para a Proximo, se o mercado tiver um monte de novas lojas, as pessoas irão começar a consumir mais. Será?

- Planos e números: abrir muitas lojas nos próximos anos. “Muitas” significa… muitas mesmo. Na casa da centenas. Pelo Brasil todo, a começar pela região Sul e Sudeste (Paraná, Rio, Minas Gerais, São Paulo). Parece exagero? Os caras não parecem estar brincando. E falaram bem claro que, na América Latina, o Brasil “é a coroa”, ou seja, é o objetivo principal da empreitada. Nem dava pra ser diferente, dava?

- Sobre as lojas em si: Baqai deixou claro que é impossível competir com o “mercado cinza”, ou seja, aquelas lojas que não sofrem com a carga tributária (porque vendem produtos contrabandeados) e conseguem entregar ao consumidor um preço bem mais baixo do que o das lojas “grandes”. Mas ele promete algo moderado: em outras palavras, não tão caro quanto o que é vendido em lojas de shopping, nem tão em conta quanto o que se encontra na Santa Ifigênia. Isso se daria porque a Proximo já possui relações com as publishers e compraria os produtos direto delas, eliminando do processo, assim, intermediários (como a NC Games e a Synergex). O jogo chegaria ao consumidor final a um preço reduzido. O que não quer dizer exatamente barato - principalmente com o dólar do jeito que está, e com os impostos elevados como sempre foram. Afinal, este é o Brasil, e, pelo menos nesse sentido, está tudo como sempre foi. E a Proximo, eles garantem, pretende seguir a cartilha obrigatória das leis brasileiras.

- E tem aquela história da “experiência diferenciada” que o consumidor terá numa loja da Proximo - tecla também apertada pelo pessoal da Gamers mexicana. Será possível testar tudo em um ambiente familiar e amigável, com atendentes solícitos e bem treinados. Disse a eles que isso, na minha opinião, deveria ser pré-requisito de qualquer estabelecimento comercial que se preze. Eles concordaram, e incluiram que toda loja Proximo funcionará seguindo preceitos básicos contidos em um enorme manual. Todo franqueado terá, via de regra, que seguir os mandamentos do tal manual - maneiras de atender o cliente, de lidar com o estoque, de abrir e fechar a loja, e por aí vai.

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O almoço acabou mais tarde que o esperado (culpa minha, cheguei atrasado), o que obrigou o grupo a correr em disparada para o compromisso seguinte: um encontro com algum representante de uma grande cadeia de lojas brasileira. E as reuniões continuam amanhã. Nos últimos sete meses, Baqai visitou o Brasil em três ocasiões. Desta vez, o objetivo era ver, falar e, principalmente, ouvir. Na próxima, provavelmente, será para anunciar alguma coisa: a inauguração da primeira loja, se tudo correr conforme os planos. É esperar para ver. Vamos acompanhar. Continue aqui.

Fonte: http://colunistas.ig.com.br/gamerbr/
 
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