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Primeira guerra mundial do terceiro milénio depois de Cristo

O mundo tal como o conhecemos acabou. O reconhecimento desta verdade é simultânea com a compreensão do final da exploração do petróleo tal como hoje existe. Todos os estudos mais recentes mesmo os realizados pelas empresas exploratórias desse negócio apontam para para uma década o momento em que a procura ultrapassará a oferta disponível de petróleo.

Estes estudos não devem ser confundidos com uma qualquer produção especuladora com o propósito de inflacionar o preço de venda do petróleo, ainda que inevitavelmente essa subida tenha que ser confirmada pelos anos seguintes, não só para adiar o momento irreversível, o pico do petróleo como é apelidado, como para aproveitar o valor de bem escasso que o petróleo ainda deterá pelas empresas que dele subsistem.

O mundo tal como hoje o conhecemos não tem qualquer futuro. O modelo de desenvolvimento ocidental, baseado e assente no modelo energético que se chama petróleo está a dar os seus últimos passos. Mas a situação é gravosa não só para o ocidente como para praticamente todo o mundo civilizado, porque este resolveu implementar o mesmo modelo de desenvolvimento energético de base para a sustentação económica.

O mundo desenvolvido e em desenvolvimento económico deve a sua vitalidade ao petróleo. Basta pensamos nos transportes para termos uma ideia de como o petróleo domina a nossa vida ao nível da mobilidade pessoal e mesmo ao nível do abastecimento das mercadorias de consumo, e para compreendermos que o nosso nível de dependência do petróleo é efectivamente fatal.

A necessidade de encarar e enfrentar esta realidade que se nos defronta deve ser realizada o quanto antes. Todavia os países em vias de desenvolvimento continuam a adoptar este nosso modelo económico obsoleto, simplesmente porque este é único modelo possível nesta globalização económica dependente do petróleo.

Os exemplos da China, da Índia ou do Brasil são os últimos exemplos de sucesso fugaz desta globalização petrolífera. Daqui por diante o modelo exigirá a conservação e protecção das economias nacionais ou federais, e a guerra pelo petróleo subirá de tom e de preço apenas para sustentar um vicio insustentável.

Já é tempo de nos conformar-mos com esta verdade. Fechar os olhos e alucinar com a esperança de que esta realidade não apareça durante a nossa existência é não só um acto de cobardia diante dos nossos olhos como também um acto de cobardia e indesculpável do ponto de vista dos nossos descendentes.
Já fizemos mal suficiente em deixar as coisas até este ponto na historia de todos nós. Mas não nos deixemos iludir. Acabar com a industria petrolífera a médio longo prazo é um tema que levanta protestos não só das pessoas que lucram fortunas com o petróleo como também das pessoas assalariadas que trabalham nessa industria. Isto para além de toda a economia dependente do petróleo para funcionar.

É portanto um momento de viragem, um tempo de ruptura. Viver-se-ão sem duvida tempos revolucionários. Mas hoje também vivemos numa sociedade da informação e do conhecimento. Está na hora de pôr em pratica a sociedade que somos.
O primeiro passo para descoberta de uma solução está na proposta de um problema.
Este é o tempo em que a classe politica não deve ter medo de falar a verdade aos seus cidadãos, confronta-los com a realidade da nossa economia, desafiá-los na procura de soluções para o problema causado pelo fim do petróleo.
Só assim, com a participação e o entendimento de todos nós, se poderá evitar a primeira guerra mundial do terceiro milénio depois de Cristo.