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Por dentro da múmia

Por dentro da múmia

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Como se faz para olhar o que tem dentro de uma múmia de mil anos de idade, velha e ressecada - literalmente -, sem danificar o “tesouro” arqueológico?

Bem, a resposta é difícil de dizer, já que tomografias por ressonância magnética costumavam funcionar direito apenas com corpos humanos vivos e cheios de água, já que o processo de realizar uma ressonância magnética necessita dos átomos de hidrogênio nas células para funcionar direito.

Mas, com um tanto de pesquisa e desenvolvimento, pesquisadores da Universidade de Zurich conseguiram fazer uma varredura completa no corpo da múmia (no caso, vinda do Peru) com ressonância magnética usando equipamentos convencionais com um pouquinho de adaptação feita pelo pessoal da Siemens Healthcare.


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Em resumo, as técnicas de ressonância magnética vêm sendo usadas há 25 anos para criar imagens 3D precisas do corpo humano sem precisar expor os pacientes aos raios-X.

Para funcionar, a técnica usa propriedades magnéticas do núcleo do hidrogênio, encontrado em abundância no tecido humano mais macio. O equipamento cria um campo magnético muito forte, que consegue alinhar os eixos atômicos, e então a máquina envia um pulso eletromagnético para os átomos, que se movimentam.

Quando os átomos se alinham novamente no campo magnético, enviam ondas de rádio que são usadas por um computador para calcular sua posição e gerar uma imagem do tecido em questão. O problema: funciona bem com os átomos de hidrogênio encontrados na água e na gordura. E quando é um tecido ’seco’, como ossos? Não dava - até agora.

Com os tecidos ’secos’, o tempo que leva para retornar à posição original é muito mais rápido, tornando o cálculo quase impossível. O novo experimento criado pela Siemens insere um novo recurso de detecção de sinais. Segundo a fabricante, a informação espacial não é mais gravada em linhas paralelas, mas sim em um formato de estrela que se origina no centro.


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A nova tecnologia se chama UTE (Ultra-short Echo Time) e pode ser usada em aparelhos de ressonância convencionais, como o usado no teste com a múmia (Siemens Magnetom Avanto).

O sistema tornou visíveis os discos intravertebrais, a membrana cerebral, veias e resíduos do fluido de embalsamento. Os pesquisadores chegaram à conclusão de que a múmaia peruana era um garoto de 15 ou 16 anos quando morreu.

O que a ciência ganha com isso? Em um futuro próximo, vai ser possível descobrir problemas que ficavam invisíveis em ressonâncias, como examinar processos metabólicos no corpo ou até mesmo o cérebro de pacientes com o mal de Alzheimer, de acordo com a Siemens.


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Fonte: http://zumo.uol.com.br/2008/02/28/por-dentro-da-mumia/