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Policiais civis em greve protestam hoje em frente à Assem...

Os policiais civis em greve marcaram para as 14h desta quinta-feira um protesto em frente à Alesp (Assembléia Legislativa de São Paulo). Segundo a liderança do movimento, a estimativa é de que 400 policiais civis da Grande São Paulo participem da manifestação.

Ao contrário do último protesto da categoria, o ato desta quinta não deverá ser violento, pois a área ao redor da Alesp é livre para manifestações. A manifestação ocorrida na semana passada, perto do Palácio dos Bandeirantes --sede do governo do Estado-- terminou em confronto com a Polícia Militar, uma vez que a área é de segurança e protestos são proibidos.

Na quinta-feira passada (16), o governo de São Paulo destacou centenas de PMs para barrar a aproximação dos policiais civis. A ordem emitida pelo comando da corporação era impedir a passagem dos manifestantes. Para tanto, foram usadas bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo, balas de borracha e a cavalaria para conter os policiais grevistas.
16.out.2008/Folha Imagem
Policiais militares usam bombas de efeito moral e balas de borracha para dispersar policiais civis grevistas durante manifestação em SP
Policiais militares usam bombas de efeito moral e balas de borracha para dispersar policiais civis grevistas durante manifestação em SP

Por ser uma área livre para protestos, o governo não deverá destacar a PM para barrar a manifestação de hoje. Além disso, o número esperado de manifestantes --400-- é bem menor que o estimado na semana passada --ao menos 2.000.

De acordo com a Adpesp (Associação dos Delegados de Polícia Civil do Estado de São Paulo), o protesto de hoje deverá ser pacifico, assim como o ocorrido no último dia 30 de setembro, também na Alesp.

Naquela data, cerca de mil policiais grevistas de todo o Estado se reuniram no local para buscar apoio de deputados ao movimento grevista. No plenário, com faixas de protesto, os policiais ouviram pronunciamentos de parlamentares pró e contra a greve.

Logo após a manifestação, os agentes partiram para a frente da sede do Detran (Departamento Estadual de Trânsito), localizado na avenida Pedro Álvares Cabral, a poucos quarteirões da Alesp. Lá, as lideranças do movimento pediram a participação dos agentes do departamento.

Segundo a Adpesp, manifestações ocorrerão, simultaneamente, em outros lugares do Estado para mostrar que os policiais continuam mobilizados. A associação diz ainda que a adesão à paralisação aumentou após o confronto com a Polícia Militar.

O delegado André Dahmer, diretor da Adpesp, afirmou que a escolha pela Alesp como palco do novo protesto foi estratégica. "Escolhemos a Assembléia para fazer a manifestação porque é o fórum mais apropriado para discutir as mudanças que pretendemos, já que o governo se demonstrou insensível", afirmou Dahmer.

País

Uma outra mobilização, dessa vez nacional, está marcada para ocorrer no próximo dia 29. São Paulo deve receber representantes das Polícias Civis de diversos Estados na praça da Sé (centro).
30.set.2008/Folha Imagem
Policiais levam cartazes durante protesto realizado no final de setembro na Assembléia Legislativa de São Paulo
Policiais levam cartazes durante protesto realizado no final de setembro na Assembléia Legislativa de São Paulo

De acordo com o diretor da Adpesp, a greve dos policiais ganhou força desde a última quinta-feira. "Ouso a dizer que a greve atinge 100% [do efetivo de policiais], principalmente após as entrevistas desastrosas do governador [José Serra] e do secretário [da Segurança Pública, Ronaldo Marzagão]", disse Dahmer.

Na sexta-feira (17) passada, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski decidiu, em caráter liminar, que cabe ao Ministério Público de São Paulo fiscalizar se a Polícia Civil do Estado está cumprindo decisão do próprio Supremo que obrigava a manutenção de 80% do efetivo durante o a greve. A decisão estaria sendo desrespeitada, segundo a Procuradoria Geral.

Impasse

Os policiais civis estão em greve desde o dia 16 de setembro. As negociações entre grevistas e governo entraram em um impasse no dia 9 de outubro, quando um acordo parecia estar próximo. Na ocasião, lideranças dos policiais e representantes do governo se reuniram para buscar um consenso.

Uma proposta feita informalmente pelo governo acenava com reajuste salarial de 6,2%, extinção da 4ª e 5ª classe e a redução de três para dois níveis de salários adicionais. Os grevistas apresentaram uma contraproposta durante a reunião, que não foi aceita pelo governo. Desde então, o diálogo foi rompido.

Fonte: Uol