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'Parecia situação de guerra', diz mulher sobre conflito em P

Quase um ano após ter superado o trauma de um sequestro-relâmpago, uma publicitária de 56 anos se viu novamente em uma situação de violência em São Paulo. Na noite desta segunda-feira (2), ela foi uma das pessoas que tiveram o carro destruído durante o confronto entre moradores da favela Paraisópolis, na Zona Sul, e a Polícia Militar.

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Eles destruíram e incendiaram carros, fecharam ruas e saquearam lojas para protestar contra a morte de um morador durante uma ação policial ocorrida no domingo (1º). "Parecia cena de guerra", afirmou ela, sobre a confusão. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, o morador morto era um criminoso foragido.

Com medo de represálias, a publicitária, que mora no Morumbi, bairro nobre da cidade e onde fica a favela, não quis se identificar, assim como as outras vítimas. Ela contou que seu veículo foi danificado por vândalos com paus, pedras e rojões perto da favela. Outros automóveis também foram atacados. O número total de carros avariados ainda não foi contabilizado pela PM.

“Eles chegaram com pedras e rasgando as portas. O porta-luvas foi todo estourado e levaram tudo o que tinha lá dentro [dinheiro e celular]. O grupo era só de moleque. Tudo menor de idade”, afirmou a publicitária, que em maio de 2008, foi vítima de sequestro-relâmpago. Além disso, a família passou por outro susto. “Na semana passada, assaltaram meu filho com arma na cabeça. Ele levou um coronhada", disse ela.

A publicitária estava com o filho de 23 anos, que é estudante, no momento do conflito desta segunda, que teve início por volta das 17h30, numa rua próxima da Avenida Giovanni Gronchi, um dos acessos à favela.

Uma corretora de imóveis de 38 anos contou que foi o rapaz que a salvou de levar uma pedrada e ficar ferida na confusão. “Eu não sabia o que fazer e ele me puxou, me tirou dali”, contou a mulher, que teve o vidro dianteiro de seu carro quebrado. Ela disse que ficou em estado de choque com a confusão.

“Eu estava no sinal e, quando abriu, só vi aquele bando de garotos vindo na minha direção. Minha reação foi dar ré, mas um deles veio com uma pedra na frente e disse para parar”, lembra a corretora, que tinha ido ao Morumbi justamente consertar o vidro lateral que estava com folga e fazia barulho. “Fui arrumar um vidro e me estouraram outro”, conta a mulher, que perdeu a bolsa com o celular e os documentos durante a confusão.

Todos estavam na porta do 89ª DP (Portal do Morumbi), para onde foram levados nove detidos, dois deles adolescentes, segundo o delegado Luis Gustavo de Lima Pascoetto.

Até as 22h30, nenhum dos detidos havia sido liberado enquanto os investigadores pesquisavam possíveis antecedentes criminais. Eles foram liberados nesta terça (3).

No pátio do distrito, havia pelo menos seis carros com vidros quebrados e lataria amassada.

Ação rápida

Na delegacia também estava a comerciante de 63 anos que teve o seu carro atingido por pedras. Moradora do Morumbi, ela contou que “foi muito rápida” e conseguiu se desvencilhar dos vândalos que a cercavam. A mulher relatou que foi xingada para que abrisse a porta e entregasse a bolsa aos manifestantes.

“Se eu seguisse reto, atropelaria um monte de moleque. O que deu um pontapé na minha porta devia ter uns 12 anos”, afirmou ela, que conseguiu fugir por uma rua à direita. Depois dos susto, ela não escondeu a revolta. “Era melhor eu estar no Iraque ou na Faixa de Gaza porque ali você sabe que está em uma guerra”.

Um estudante de 22 anos, que teve o seu veículo Fiat Uno atingido por pedras, também estava revoltado. “Ainda estou pagando o carro. Falta um ano. Quem vai pagar esse prejuízo?”, questionou ele. O garoto mora na favela e diz que o carro

estava parado perto da casa dele.

“Vi tudo pela televisão e, quando desci, estavam em cima do carro. Quando eu disse que era conhecido, eles saíram”. O rapaz disse conhecer os autores do ato de vandalismo, mas “não pode fazer nada”. “É tudo do movimento”, aponta, em referência às pessoas que seriam do tráfico.

Nenhuma das vítimas na delegacia apresentava ferimentos. Depois de feito o boletim de ocorrência, todos puderam voltar para casa. A corretora de imóveis, que afirma “nunca passar” pelo Morumbi, diz que, além das pedras, a multidão usava rojões. “Ficavam nos ameaçando. Você se sente invadida”.

Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0 ... POLIS.html