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Para a Folha, qualidade é escândalo

Não sei o nome a dar a essa reportagem. Vou me conter.

O Movimento Brasil Competitivo (MBC) surgiu do Prêmio Qualidade do Setor Público, criado ainda no governo Fernando Henrique Cardoso. Foi a maneira encontrada por Jorge Gerdau para dar flexibilidade às ações visando expandir o conceito de qualidade. É uma iniciativa conjunta dos setores público e privado. Tem dinheiro público e privado aplicados na melhoria da gestão.

Sem informar quem são os beneficiários da ação do MBC, o besteirol produzido pela sucursal de Brasília lança suspeitas sobre os doadores. A maioria dos doadores é do setor privado. O Movimento pela Qualidade já foi implantado no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais com enorme repercussão junto ao setor público, grandes e pequenas empresas. Agora, pretende se expandir para outros estados e outras áreas do setor público. São empresas beneficiadas pelos conceitos de qualidade que estão devolvendo ao país parte do que receberam, através da expansão desses programas para todas as áreas.

A reportagem insinua conflito de interesses, pelo fato da Petrobras ter diretores (não remunerados) no Conselho da entidade. As repórteres não têm a mínima ideia sobre o que são o MBC, a Fundação Nacional da Qualidade, a importância dessas iniciativas no aprimoramento dos serviços públicos. Aliás, no último prêmio, a Petrobras conseguiu o feito inédito de ter vencido inscrevendo todas as suas refinarias para serem analisadas e certificadas - em geral, empresas inscrevem uma unidade ou departamento.

Publica que a Ministra Dilma Roussef “jamais” participou das reuniões do MBC, como se ela estivesse se desculpando por algo suspeito. Participam desse movimento a Gerdau, Natura, Laboratórios Fleury, Ambev, Usiminas, Belgo Mineira, Fiat, Itau, Weg - em suma, TODAS as melhores empresas nacionais.

É a prova maior do anacronismo da cobertura dos jornais. Jamais cobriram uma premiação da FNQ. Se cobrissem, veriam divisões do Exército, a própria Petrobrás, empresas privadas de todo o país disputando os premios de melhoria de gestão. Poderiam informar seus leitores sobre o país moderno que está emergindo dessas ações.

Preferem jogar tudo na mesma cloaca onde repousa o jornalismo de lixo.
Da Folha

Petrobras contrata ONG por R$ 16,1 mi

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O maior contrato assinado pela Petrobras com uma ONG no período de maio de 2008 a maio deste ano beneficiou a organização não governamental Movimento Brasil Competitivo -que se destaca entre os patrocínios milionários da estatal, a maioria deles sem licitação.
Em setembro e outubro de 2008, o MBC (uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público registrada no Ministério da Justiça) assinou contratos para captar R$ 16,1 milhões da Petrobras. Esse valor representa 80% dos contratos da empresa com a entidade no governo Lula, segundo dados levantados pela Folha.
O maior dos contratos (no valor de R$ 15 milhões) tem como finalidade a modernização da gestão pública e o aumento da competitividade do setor privado em seis Estados (PE, AL, SE, BA, RJ, AM) e no Distrito Federal. Até agora, R$ 4,7 milhões já foram liberados.

Segundo a Petrobras, a entidade foi contratada sem licitação porque a lei dispensa o procedimento para esse tipo de prestação de serviços. A estatal diz que os critérios para a escolha dos projetos de pedido de patrocínio da estatal são definidos com base nas “diretrizes e ações estratégicas” da empresa.
Segundo dados da entidade, a Petrobras bancou 7% da arrecadação do MBC em 2008, de cerca de R$ 47 milhões. A participação e os nomes dos doadores são mantidos em sigilo, embora, como associação civil de direito privado de interesse público e sem fins lucrativos, a entidade tenha de prestar contas ao Ministério da Justiça.

O estatuto do MBC diz que seu objetivo é realizar ações de gestão e melhoria de processos produtivos. O movimento funciona num conjunto de salas do prédio da Confederação Nacional do Comércio em Brasília.

Entre os resultados destacados no relatório anual, a entidade menciona a instalação de chips de controle de combustíveis nos carros oficiais de Alagoas, o que teria reduzido a menos da metade o consumo na frota do Estado. Em Pernambuco, o programa teria contribuído para aumentar o nível de investimentos públicos por meio de redução de gastos.

Criado em novembro de 2001, com o empresário Jorge Gerdau Johanpetter na liderança, o MBC é mantido por um grupo de 64 empresas públicas e privadas. O conselho superior, que dita as diretrizes, é composto por quatro ministros e representantes das empresas. Sem direito à remuneração, os membros do conselho se reúnem três vezes ao ano.

Entre os conselheiros da ONG estão o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, e a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). Os ministros Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia), Miguel Jorge (Desenvolvimento) e Paulo Bernardo (Planejamento) também representam o governo no MBC.

“É importante que o governo esteja presente”, disse Cláudio Gastal, diretor-presidente do Movimento. Mas, disse ele, por “problemas de agenda”, Dilma não participou das reuniões do conselho desde que assumiu a Casa Civil. Gabrielli também costuma indicar alguém que o substitua nas reuniões.

Dilma afirmou, por meio de sua assessoria, que “jamais” compareceu a reuniões do conselho diretor do MBC e que não participou das decisões da entidade.

A Petrobras tampouco vê conflito de interesse em patrocinar uma entidade que tem o presidente da estatal entre os seus conselheiros: “O estatuto do MBC prevê que os associados participem do conselho”.

Sob a gestão Lula, o MBC contratou mais de R$ 20 milhões. A Folha teve acesso aos patrocínios concedidos pela Petrobras entre 2003 e 2007 com base em informações enviadas ao Congresso. Na página da Petrobras na internet estão disponíveis contratos fechados entre maio de 2008 e maio de 2009. Nos últimos anos, os investimentos da Petrobras em patrocínios passaram de uma média de pouco mais de R$ 300 milhões ao ano para algo próximo a R$ 600 milhões. (ANDREA MICHAEL e MARTA SALOMON)
Por Jeferson Melo

A Folha abdicou de fazer jornalismo e se reduziu a um panfleto partidário. Na primeira página de hoje, ela destaca “Tucanos reagem ao terceiro mandato” e, na mesma edição, publica reportagem com o título “Lula diz que seu veto ao 3º mandato é ‘definitivo’”. Se o presidente diz que veta, a reação é inócua, é discurso contra nada. No momento em que uma publicação que se pretenda jornalística não consegue mais produzir uma edição que defina o conteúdo pelo grau de importância – premissa básica do jornalismo -, é porque passou da hora de mudar de ramo.

Fonte: http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/ ... escandalo/