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'Orange Box’ leva criatividade aos jogos de tiro

Coletânea tem 'Portal' e 'Team Fortress 2', além de 'Half-Life 2' e suas expansões.
Pacote reúne cinco jogos pelo preço de um e está disponível para PC, Xbox 360 e PS3.


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Clique para conferir a ficha completa de "The Orange Box"


A fórmula do estúdio Valve para produzir um dos pacotes mais divertidos e criativos da história dos jogos de tiro não exigiu milhões de dólares em marketing, nem a reinvenção da roda.

"The Orange Box" (PC, Xbox 360, PS3) é, em resumo, o reaproveitamento da versátil ferramenta de programação Source, que fez nascer e crescer a série "Half-Life". O detalhe é que a ferramenta de sempre foi usada com sabedoria para aprimorar o clássico "Half-Life 2", renovar "Team Fortress 2" e criar o surpreendente "Portal".

No Brasil, a "caixa laranja" está disponível apenas para PC, ao preço de R$ 99. Para ativar os jogos, é necessário instalar o programa Steam (incluso no pacote) e estar conectado à internet. Os jogos, com exceção do "Half-Life 2" original, têm a opção de "comentários do produtor". Quando ativado, o recurso coloca comentários dos designers durante pontos específicos de cada fase.

Half-Life 2 - Episode Two

Piscinas de material radioativo, barris explosivos, 'headcrabs' e a ajuda de Alyx Vance.jpg
Piscinas de material radioativo, barris explosivos, 'headcrabs' e a ajuda de Alyx Vance


Qualquer comentário sobre "Half-Life 2" pode revelar acontecimentos do enredo que se desenrola desde 2001. Para não estragar surpresas, fica o resumo: depois de escapar da City 17, Gordon Freeman e Alyx Vance devem fugir ao encontro do pai da garota.

No caminho, novos inimigos, cenários inéditos e situações que vão encher a cabeça do jogador com dúvidas que, esperamos, sejam resolvidas no terceiro episódio. O pique da série continua intacto: momentos de reconhecimento do ambiente, trechos de exploração do cenário e quebra-cabeças entre uma batalha e outra com muitos tiros e destruição.

Quando a receita parece esgotada, surge uma ponte quebrada que deve ser atravessada com um carro que já viu dias melhores, surgem inimigos que tomam iniciativa e não dão espaço para o ataque.

Um passo à frente na história e na qualidade do jogo, "Episode Two" comprova que "Half-Life 2" ainda tem muito a nos ensinar.

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Team Fortress 2


"Counter-Strike" encontra "Cartoon Network". Com visual cartunesco, personagens estereotipados e ritmo de jogo frenético, o antigo "Team Fortress" ressuscitou -- e está mais bonito que nunca.

A estrutura é a mesma consagrada por jogos de tiro multiplayer: duas equipes se enfrentam on-line, em diversos mapas e com diferentes modos de jogo. São nove classes de personagens, incluindo soldados, atiradores de elite, espiões, incendiários, médicos e engenheiros que incorporam seus papéis e colocam suas armas à disposição do jogador.

Um "Scout" tem pistola, cartucheira e taco de beisebol. Por ser rápido, é a escolha certa para as missões de invadir a base inimiga e roubar a pasta com "documentos secretos". O médico deve assumir uma postura mais defensiva, ajudando os companheiros de equipe a recuperar energia perdida. Já o espião pode se disfarçar com as cores rivais e, sem chamar atenção, atacar pelas costas.

As estatísticas de cada jogador são armazenadas no perfil on-line, e indicam desde o tempo total de jogo até detalhes menores que servem para destravar "conquistas" (achievements, no inglês). Infelizmente, "Team Fortress 2" não permite a criação de partidas "off-line" para que o jogador treine antes das partidas multiplayer.

Em clima de conspiração e bom humor, "Team Fortress 2" dá vida nova ao gênero "polícia e ladrão" que havia se esgotado em "Counter-Strike".

Portal

A 'arma' do protagonista abre portais em paredes, tetos e pisos..jpg
A 'arma' do protagonista abre portais em paredes, tetos e pisos.


Você é recepcionado no centro de pesquisas Aperture e recebe uma missão: atravessar as salas de teste para, no final, ganhar um bolo.

A proposta é a apenas a primeira piada de "Portal", jogo que usa a física e o bom-humor para criar uma nova forma de jogo em primeira pessoa. Com uma arma que abre portais pelas paredes, o jogador deve encontrar a porta de saída de cada cenário -- e descobrir como chegar até lá.

Mas não é tão simples como parece. As armadilhas são lagos de material radioativo, lasers fatais e até robôs que estão no lugar errado -- mais um "erro de procedimento" do laboratório de testes Aperture. Para atravessar grandes distâncias e atingir lugares a princípio inalcançáveis, o jogador deve aliar os portais e entender conceitos de física como força gravitacional, velocidade e quantidade de movimento.

O conceito básico é: o que entra por um portal, sai pelo outro. Isso inclui o próprio jogador, além de objetos como caixas, robôs e câmeras de vigilância.

As instruções são dadas por um robô que tudo sabe e tudo vê, e cujo papel tem importância fundamental no final. Ele "guia" o jogador no começo, mas logo seus recados começam a colocar o jogador em dúvida, provocando e fazendo piadas. Obedecer ou não? Arriscar ou desistir?

A cada nova sala são apresentados conceitos que o jogador deve entender para resolver problemas mais complexos. Ao final das 19 fases, o jogador pode escolher os mapas extras ou refazer os percursos anteriores em tempo menor.

Além da arma que abre portais, o jogador pode usar um bloco para ativar botões, abrir portas e até se proteger de lasers. A certo ponto do jogo, frases rabiscadas na parede tentam convencer o jogador a desistir.

Baseado em um conceito simples, "Portal" revoluciona a idéia de "quebra-cabeça". Você não vai conseguir sair do jogo até chegar ao final. Apesar de o jogo ainda não ter uma grande variedade de mapas, você vai ter orgulho de dizer que trocou seu passatempo preferido (seja ele qual for) por um "teste de física guiado por robôs".

Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia ... +TIRO.html