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O passado das doenças, Múmias e outras peças em exposição co

Dentes com cárie e tártaro, ossos com marcas de fratura, múmias... À primeira vista, o cenário pode parecer bizarro. Mas, na verdade, essas são algumas peças encontradas em uma exposição para lá de curiosa, que traz a história das doenças ao longo de milhares de anos. A mostra Paleopatologia – O estudo da doença no passado , em cartaz no Museu da Vida, no Rio de Janeiro, nos ajuda a entender como muitas doenças conhecidas atualmente já causavam transtornos para quem viveu há muito tempo.

Crânios de milhares de anos podem indicar a presença de doenças muito antigas como a hidrocefalia.jpg
Crânios de milhares de anos podem indicar a presença de doenças muito antigas como a hidrocefalia.jpg (12.58 KiB) Visto 22773 vezes


Uma mandíbula de 2.750 anos, por exemplo, revela que o homem pré-histórico já sofria com dor de dente. Isso porque os dentes que até hoje ela apresenta possuem sinais de cárie. Já uma outra peça das 60 que estão em exposição – uma cabeça do século 19 – mostra como é antiga a hidrocefalia – uma moléstia que torna o crânio mais largo.

“A paleopatologia teve início no século 18, com os estudos de ossos fossilizados que apresentavam deformações, e procura entender o processo de saúde e doença ao longo do tempo”, explica Sheila Mendonça de Souza, pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, organizadora da mostra.

Mais do que dentes ou crânios, porém, as grandes vedetes da exposição são as múmias trazidas de várias regiões do mundo, como Peru, Egito e até Brasil. Elas são de grande importância para a paleopatologia, uma vez que, para os cientistas, pequenos sinais nos corpos encontrados podem significar que ali houve fraturas, doenças, agressões e até revelar hábitos dos seres humanos que viveram no passado.


As múmias são do Egito, mas também de países das Américas. Essa veio do Peru.jpg
As múmias são do Egito, mas também de países das Américas. Essa veio do Peru.jpg (21.22 KiB) Visto 24776 vezes


E por falar em hábitos... Embora a mostra em cartaz no Museu da Vida tenha como foco as doenças do passado, a cultura dos povos antigos não ficou de fora. Muitos dos costumes de certas populações estão registrados na exposição, como as cabeças reduzidas, que um povo chamado Jívaro, originário do Equador, fazia (veja o boxe). Eles arrancavam e diminuíam as cabeças dos guerreiros que capturavam. “Os povos que praticavam essa técnica acreditavam na divindade. Eles eram muito espiritualizados e tinham a crença de que se fortaleciam com essa prática”, explica Sheila Mendonça.



O segredo das mini-cabeças
A técnica usada para a confecção das cabeças reduzidas (foto) foi adotada por muitos povos, até mesmo por alguns índios do Brasil. Não se tem mais notícias dessa prática, mas os especialistas garantem que sabem como eram feitas. Você tem nervos de aço? Então, leia:


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Primeiro, tudo o que havia dentro da cabeça era retirado, só restando a pele que a envolvia, além dos cabelos. A seguir, ela era fervida em uma mistura à base de ervas que continham substâncias adstringentes, ou seja, que estimulavam o encolhimento da cabeça, mas sem deformar os traços do indivíduo. Ali ela ficava por três dias e três noites e, conforme encolhia, era cuidadosamente modelada e, por fim, retirada. A cabeça era, então, preenchida com areia e os orifícios – olhos, ouvidos e nariz – costurados.
É importante dizer que essa técnica fazia parte da cultura de alguns povos e era feita como um ritual sagrado, com muito respeito aos que se foram. Para eles, a alma da pessoa residia na cabeça e era protegida pelos ossos do corpo. Arrancada, ela perdia as forças e ficava prisioneira na cabeça. Ter a mini-cabeça de um grande guerreiro era sinal de força e imortalidade.


Fonte: http://cienciahoje.uol.com.br/95047