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O mundo em que vivemos.

O sol nasce a oriente e deita-se com o ocidente, incansável, regular, constante, de tal forma que o tomamos como irreversível, sem surpresas. O movimento continuo, redondo sob uma perspectiva cíclica, estático se lido como automático, apenas nos afecta como presença mediante o estado atmosférico, se está quente ou frio, desta vez faz-nos falta, daquela outra é-nos incomodativo. Mas a nossa vontade secreta e poderosamente ininteligível de querer a ignorância de tal majestade, símbolo magnânimo de constância que só pode ser comparável a um Deus, superior portanto á nossa própria figura humana, dizia, a nossa indefectível vontade inexpugnável de querer a ignorância do sentido divino nas nossas vidas requer a busca do infinito automatismo para todas as possíveis reacções que nos provocam a necessidade de mudança obrigatória, a que passamos a entender como vontade interna e própria e não como algo forçado por alguma entidade concreta ou abstracta no seio do mundo natural e humano que habitamos.

Tudo vale para conquistar essas batalhas diárias para vencer a guerra que é a nossa vida. Com a experiência do frio vem imediatamente uma imagem, uma figura, um traje, uma ideia que nada deve realmente ás condições atmosféricas que validam a nossa procura de protecção em determinadas roupas. Em vez da ideia de procura de harmonia inter-pessoal com o meio ambiente, sobrevém uma ideia de moda que aniquila e ultraja toda essa perspectiva de integração e complementaridade a favor de um ideal de beleza sem correspondência com o processo de fabrico desse produto que se quer belo em cada um de nós.

Este pequeno exemplo do modo como observamos e lidamos com o nosso vestuário é sintomático e elucidativo para com as nossas reacções necessárias de interacção com o mundo natural. Desde a revolução industrial que resolvemos não pensar nem nos preocupar-mos com a situação real da natureza sempre que com ela fazemos algum acordo que visa satisfazer as nossas necessidades e os nosso caprichos.
A verdade é que nunca vemos a natureza sentada á mesa das conversações sobre o que dela queremos e o modo como o trabalho deve ser realizado de maneira a que todas as partes beneficiem com o negocio que nos é desejado.

A verdade é que nunca olhamos para a natureza como uma das partes interessadas, nem sequer como parte fundamental para a feliz concretização de um determinado projecto.

A verdade é que essa perspectiva egoísta e ignóbil necessita terminar o mais depressa possível. O mundo inteiro, ou melhor, toda a humanidade precisa de fazer as pazes com a natureza. Talvez seja mesmo o passo decisivo para a conquista de paz entre nós, os seres humanos.

Todos os nossos sectores fundamentais da economia global neste momento estão em deficit para com a natureza, entre os quais o principal, o sector da energia, que movimenta todo o circuito da economia social.

A tomada de consciência sobre a inevitabilidade e irreversibilidade do fim deste caminho trilhado até hoje já é conhecida e reconhecida pelas altas figuras dirigentes e responsáveis, ou seja, pelas diversas classes politicas e governos das potencias económicas globais. O atraso e a inacção dessa classe electiva para com a urgência da ordem dos trabalhos necessários e indispensáveis deve-se apenas a uma disputa de manutenção do status quo das figuras que lucram com o estado actual do sector energético.

Esperar que as coisas mudem vindas de cima é esperar com toda a certeza pelo cataclismo e pelo desastre. Uma tomada de consciência ao nível popular da situação real do estado do mundo é de facto uma questão premente para a intervenção de que o mundo precisa com vista a acelerar o processo fracturante de mudança da economia de mercado para uma economia de facto sustentável.