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“O Brasil entrou em recessão bem depois dos EUA, e deve sair

Brasil pode estar perto de nova fase de expansão

O Brasil pode já estar próximo de novo ciclo de expansão econômica, apesar da queda recorde dos investimentos no primeiro trimestre. A perspectiva de recessão curta é o prognóstico da relatora do Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcelle Chauvet, também diretora do Programa de Estudos Latino-Americanos do Departamento de Economia da Universidade da Califórnia.

“Os indicadores mensais de atividade já apontam recuperação da economia brasileira, a partir de março. Essa recuperação ainda é incipiente e relativamente frágil, mas, se sustentada nos próximos meses, delineará o fim da recessão”, respondeu, por e-mail. Para a economista, os dados de maio, que serão divulgados a partir de julho, podem dar sinais definitivos.

O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre confirmou a decisão do Codace de considerar o País em recessão, mesmo antes de o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontar o segundo trimestre seguido de queda do PIB. “Nossa decisão é baseada tanto no PIB como em séries mensais e trimestrais, e os sinais de recessão, usando nossa metodologia, estavam claros há algum tempo.”

Agora, as indicações são no sentido contrário. “A queda de produção no último trimestre de 2008 foi brusca, mas os modelos indicam que foi temporária e já está havendo recuperação. O Brasil entrou em recessão bem depois dos EUA, e deve sair antes.”

Especialista em ciclos econômicos, Marcelle avalia que, “se não houver outro choque externo significativo, a economia brasileira deve se recuperar substancialmente este ano, já a partir do segundo semestre”. Ela comentou que “o fim de uma recessão, por definição, é o fundo do poço”, que corresponderia à base da letra V em um gráfico de queda forte seguida de rápida recuperação.

No entanto, ainda há riscos. “Temos de continuar observando para que as séries não apresentem movimento na forma de W, o que levaria a uma recuperação mais tardia”, observou, referindo-se à hipótese de nova queda, logo após a recuperação que parece estar ocorrendo.

Ela comentou que o choque da crise se propagou pela economia, mas o foco do desempenho mais fraco continuou na indústria. Segundo Marcelle, incentivos fiscais, como a redução do IPI de automóveis e alguns eletrodomésticos, e a queda dos juros aumentaram o consumo. E destacou a expansão do setor de serviços - que corresponde a cerca de 60% do PIB, e foi o único que cresceu no trimestre.

Fonte: http://blogdofavre.ig.com.br/2009/06/o- ... air-antes/