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'Não dá para acreditar ainda', diz ex-namorada de torcedor m

Lorena Gomes é mãe do filho de Nilton César, que morreu nesta quinta.
Torcedor do São Paulo levou um tiro na nuca antes do jogo de domingo

Lorena com o filho, Júlio César Ele era um pai muito presente'.jpg


Com voz baixa, a jovem Lorena Gomes, de 20 anos, fala pausadamente sobre o ex-namorado, o vendedor Nilton César de Jesus, de 26 anos, morto nesta quinta-feira (11), em Brasília. Ele estava internado desde domingo (7), quando foi atingido por um tiro na nuca antes do jogo do São Paulo. Lorena soube da morte pela televisão. "Ninguém teve coragem de me contar. Não dá para acreditar ainda. Pensei que ele ia sair (do hospital)", afirmou ela na tarde desta quinta.



Os dois se conheceram durante um desfile da torcida Dragões da Real, em 2004, e têm um filho de 1 ano e 5 meses. Lorena conta que se separou de Jesus no início do ano, mas ele vivia na casa dela. "Vinha sempre aqui. Era um pai muito presente e comprava tudo para o filho", diz a moça, que não está trabalhando.



O filho não foi planejado e o casal chegou a morar junto durante a gravidez, mas acabou se separando depois de algumas idas e vindas. Apesar disso, ficaram amigos. "Ele ia passar o Natal aqui com a gente porque todo mundo é amigo", contou a jovem nesta tarde, na casa da tia, no bairro Cohab Adventista, região do Capão Redondo, Zona Sul de São Paulo.





Paixão

O jeito brincalhão e extrovertido do ex-namorado ficarão como lembrança para Lorena, que o viu pela primeira vez no Sambódromo, no Anhembi. O primo dela era um dos melhores amigos do são-paulino. Com um sorriso tímido, a jovem diz que a primeira impressão não foi das melhores. "Não gostei muito dele, mas achei simpático".

Além do São Paulo – tinha duas tatuagens do time -, outra paixão de Jesus era o filho pequeno. Como trabalhava na Dragões da Real, a torcida organizada do time, vendendo roupas, relógios e faixas, dava tudo ao menino. Até a chupeta que o bebê tinha na boca nesta quinta era da equipe paulista. Como chama pelo pai a todo instante, o menino tem ficado na casa de Lorena. "Lá ele só chora. Quando toca o telefone, acha que é o pai".

Segundo ela, o casal se dividia na criação do bebê e cada semana ele ficava na casa de um dos pais. O torcedor foi com amigos até Brasília assistir ao jogo que deu o título do Campeonato Brasileiro à equipe, mas acabou ferido antes da partida durante uma confusão na entrada do estádio. "Ele nem viu o jogo", lamenta Eva Lúcia Gomes Ferreira, 40, tia de Lorena.

Lúcia, como é mais conhecida, também diz estar muito triste com a morte do são-paulino, que conhecia havia pelo menos cinco anos pela amizade com o filho dela. "Vou me lembrar das palhaçadas dele. Já chegava aqui cantando", conta a cozinheira. Segundo ela, todos os amigos no bairro "estão arrasados" com a morte inesperada do vendedor, que era o caçula entre três filhos (tinha outros irmãos por parte de pai).

Irmã de Lúcia e mãe de Lorena, a diarista Vilma Cristina Gomes Ferreira, 38, diz que a família deve tomar providências. Jesus foi atingido por um policial militar, que também o agrediu com uma coronhada. "Foi um erro terrível. Ele não estava fazendo nada".

A jovem, que deixou de ser corintiana para acompanhar o ex-namorado na torcida pelo São Paulo se diz perdida. "Não tenho planos". A última vez que se viram foi na sexta-feira (5), dia em que Jesus passou para pegar o filho e ficar com ele antes de ir à Brasília. Quando o menino voltou para Lorena, usava a roupa preferida do pai. "Estava com o uniforme do São Paulo".


Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0 ... NO+DF.html