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Múmia de Ramsés I é recebida no Egito

Múmia de Ramsés I é recebida no Egito

O faraó Ramsés I já repousa na terra que governou há mais de 3,5 mil anos, após o regresso de sua múmia na noite de ontem, sábado, ao Egito, de onde foi retirada há mais de 140 anos por uma família de contrabandistas. A múmia entrou no Museu do Egito no Cairo com honras de chefe de Estado, apesar de não haver certeza absoluta de que se trata realmente do faraó Ramsés I, fundador da 19ª dinastia, que marcou a idade de ouro do Novo Império egípcio.

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As crianças da escola do Museu, vestidas como seus antepassados, acompanharam o caixão, envolvida na bandeira egípcia, enquanto entoavam hinos militares como os que se ouvem no aeroporto durante visitas oficiais. "Embora não tenhamos certeza absoluta de que a múmia é de Ramsés I, os relatórios e os estudos arqueológicos indicam que é uma múmia real", explicou o arqueólogo egípcio e diretor do Conselho Superior de Antigüidades egípcias, Zahi Hawas.

Acompanhado por Bonnie Speed, diretora do museu Michael C. Carlos de Atlanta, onde a múmia permaneceu nos últimos anos, Hawas descobriu o corpo, que será exibido durante um mês e meio no Museu do Cairo, antes de ser levado para Luxor, antiga Tebas, capital da 19ª dinastia.

"O regresso da herança cultural do Egito, que foi ilegalmente retirada do país, é o grande sonho de todos os egípcios", ressaltou em um comunicado o ministro da Cultura, Faruk Hosni, que não pôde participar da cerimônia de boas-vindas.

Em meio a uma grande expectativa e diante de dezenas de meios de comunicação egípcios e estrangeiros, Hawas relatou os pormenores do resgate da suposta múmia de Ramsés I, retirada ilegalmente do Egito na segunda metade do século XIX. "A odisséia de Ramsés I começou em 1870 quando a família de Abdel Rasul espoliou seu túmulo no Vale dos Reis de Luxor (a aproximadamente 725 quilômetros do Cairo)", ressaltou Hawas. "Em 1871, ela foi vendida ao antiquário inglês Mustafa Agha, que a revendeu ao museu de Arte da Cataratas do Niágara (Canadá), que não sabia que pertencia a um rei", continuou.

Museu falido
Este museu declarou sua falência em 1999 e vendeu toda sua coleção - incluindo a múmia - a um comerciante canadense, que, ao não se sentir atraído pelas antigüidades faraônicas, as ofereceu ao Museu Michael C. Carlos por dois milhões de dólares. Um dos diretores do museu pagou um milhão pelas peças, enquanto o restante foi arrecadado junto à população de Atlanta.

Com base nesta história e em diversos estudos feitos pelo museu Michael C. Carlos, Hawas diz que a múmia deve ser mesmo de Ramsés I. Segundo o arqueólogo egípcio, existem vários indícios que provam esta teoria: Agha foi o comprador de todos os tesouros roubados pelos contrabandistas do túmulo de Ramsés I. Além disso, os traços do rosto se parecem muito aos de Seti I, seu filho e sucessor, cujo túmulo foi o único real encontrado intacto.

A forma de mumificação e a postura das mãos, cruzadas sobre o peito, indicam que se trata de um rei do Novo Império (1539-1075 antes de Cristo). Por fim, "quando em 1881 abriu-se o túmulo de Ramsés I, em Deir Bahary (na margem ocidental do rio Nilo), encontraram-no vazio".

Ramsés I, considerado o segundo melhor comandante da época faraônica, depois do guerreiro-faraó Horemheb, foi o fundador da XIX dinastia, que governou o Alto e o Baixo Egito entre 1304 e 1192 antes de Cristo. Através do Exercito faraônico, chegou a ser comandante supremo e, depois, primeiro-ministro durante o reinado de Horemheb, seu antecessor e último monarca da dinastia XVIII.

Agora, depois de mais de 140 anos de périplo norte-americano e um complicado resgate, ele descansará na capital que conheceu seu esplendor, na sala do "Exército egípcio durante a época dourada dos faraós", em Luxor.


Fonte: http://www.ocombate.com.br/noticias.php?id=86