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MAMÍFERO 'VOADOR' CONVIVEU COM DINOSSAUROS, DIZ ESTUDO

Espécie planava graças a membrana de pele entre os membros.
Animal viveu há mais de 125 milhões de anos na China.


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Membrana de pele permitia que animal planasse por dezenas de metros
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Caiu de vez por terra o mito de que os mamíferos da Era dos Dinossauros eram uns bichos pouco ousados e pouco diversificados, limitando-se a cavar tocas no chão ou a se esconder em árvores. Uma nova espécie de mamífero fóssil, que viveu há mais de 125 milhões de anos na China, mostra que o grupo já tinha até aprendido a voar -- ou, pelo menos, a planar com bastante eficiência. Clique aqui para ver a versão ampliada da reconstrução do bicho ou aqui para ver o fóssil.

Com o bem-bolado nome científico Volaticotherium antiquus ("animal voador antigo", numa mistura de grego e latim), o bicho está descrito na edição desta semana da revista científica "Nature". Para variar, trata-se de mais um espetacular fóssil chinês -- o país costuma ostentar restos muito bem preservados de dinossauros e seus contemporâneos, com tecidos moles (músculos, pele e pêlos) quase intactos.

E foi isso que permitiu a Jin Meng (hoje no Museu Americano de História Natural) e seus colegas resolver o enigma do pequeno animal, que devia pesar só 70 gramas em vida e foi achado na região da Mongólia Interior. O fóssil inclui resquícios claros do chamado patágio, a membrana ou _____ de pele que provavelmente se estendia por todo o tronco do bicho, estando fixado nas patas da frente e de trás. Era como se o V. antiquus tivesse uma asa delta embutida, que lhe permitia planar por dezenas de metros quando ele saltava de uma árvore para outra.

É a mesma técnica usada por uma série de mamíferos quase-voadores vivos hoje, como os chamados esquilos-voadores (um tipo de roedor) das florestas da América do Norte. O Volaticotherium antiquus, porém, não tem relação nenhuma com eles, nem é ancestral direto de nenhum mamífero vivo hoje. Sua linhagem é muito primitiva e provavelmente se extinguiu ainda na Era dos Dinossauros. Para se ter uma idéia, ele é pelo menos 70 milhões de anos mais velho que o mais antigo fóssil de morcego conhecido.

Suas patas com garras fortes mostram que ele estava adaptado para passar boa parte do tempo nas árvores, e os dentes são os de um especialista em comer insetos. A cauda era achatada e pouco móvel, funcionando como um estabilizador quando a criatura alçava "vôo".

A descoberta, se a análise de Meng e companhia estiver correta, é mais uma da série recente de mamíferos primitivos capazes de coisas que, em tese, eles não "deveriam" fazer. Há, por exemplo, o Castorocauda lutrasimilis, um bicho aquático e comedor de peixes, também da Mongólia Interior, que viveu há mais de 160 milhões de anos. Já os Repenomamus, carnívoros robustos com cerca de 1 m de comprimento, devoravam bebês dinossauros -- um deles foi desenterrado com a janta na barriga, feita há 128 milhões de anos. Esses predadores também eram chineses.

Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0, ... 03,00.html