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Maioria dos ilegais presos nos EUA não tem antecedentes, diz

Um relatório divulgado nesta quarta-feira por um instituto americano afirma que um programa do governo dos Estados Unidos criado para retirar da sociedade estrangeiros foragidos da Justiça que representam uma ameaça à comunidade acabou se concentrando em prender imigrantes ilegais sem antecedentes criminais.

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Relatório diz que programa passou a se concentrar em 'alvos mais fáceis'
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Os dados do relatório são baseados em informações que já eram públicas e outras que tiveram de ser reveladas pela agência federal de fiscalização de imigrantes após um acordo firmado poucas horas após o novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ter publicado o "Memorando Presidencial de Transparência e Abertura do Governo", em seu primeiro dia no cargo.

De acordo com o Instituto de Políticas de Migração (Migration Policy Institute), desde a criação do programa, em 2003, até 2008, 73% das quase 97 mil pessoas presas pelas equipes de operações para prender fugitivos da agência de fiscalização eram imigrantes ilegais sem antecedentes criminais.

O documento indica que, apesar de a tarefa do Programa Nacional de Operações contra Fugitivos ser prender fugitivos perigosos, este tipo de detenção tem caído drasticamente, representando apenas 9% de todas as prisões em 2007 - em 2003, a porcentagem era de 32%.

Por outro lado, o programa registrou um grande crescimento em seus recursos - o orçamento do projeto passou de US$ 9 milhões, em 2003, para US$ 218 milhões no ano passado.

"O Programa Nacional de Operações contra Fugitivos não cumpriu sua promessa de encontrar e remover fugitivos perigosos", diz Michael Wishnie, professor da Escola de Direito de Yale e integrante do Instituto de Políticas de Migração.

"Existem indícios de que o programa utilizou recursos públicos previstos para um objetivo para algo completamente diferente: prender pessoas que não são fugitivas nem violentas, que são os alvos mais fáceis", acrescenta Wishnie.

Vítimas frequentes

De acordo com a Clínica de Justiça de Imigração da Escola de Direito Benjamin N. Cardozo, da Universidade de Yeshiva, as vítimas mais frequentes são domésticas e jardineiros.

"As buscas feitas em casas nas primeiras horas da manhã têm levado principalmente à detenção de indivíduos que não representam riscos à sociedade e causaram danos significativos a famílias de imigrantes", afirma o professor Peter L. Markowitz, diretor da Clínica de Justiça.

Com base nos dados divulgados após a posse de Obama, a organização identificou uma mudança na política da agência de fiscalização em 2006.

"Antes de 2006, as equipes de operações, formadas por cerca de sete agentes cada, deveriam prender 125 'fugitivos' - supostamente alvos de alta prioridade - por ano", diz um documento da Clínica de Justiça. "Além disso, 75% destas prisões deveriam ser de 'criminosos'."

"No início de 2006, por causa da pressão política para parecer dura na fiscalização de imigrantes, a agência aumentou a exigência de 125 detidos para mil", acrescenta o texto. "De um dia para o outro, as mesmas equipes de sete pessoas deveriam ficar oito vezes mais produtivas."

Os dados divulgados pela agência também indicam que as equipes foram orientadas a abandonar os "alvos de alta prioridade", já que a exigência de 75% dos detidos serem "criminosos" tinha sido extinta.

"Como era de se esperar, isso levou as equipes a não se concentrar mais em alvos perigosos e utilizar táticas extremamente agressivas para perseguir os alvos mais fáceis - trabalhadores sem documentos", conclui o documento.

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticia ... _tc2.shtml