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Les demoiselles d'Avignon", famosa pintura de Picasso, 100 a

Obra é reconhecida como fundadora da arte moderna.
Museu de Nova York faz exposição em sua homenagem


Les demoiselles d'Avignon, de Pablo Picasso..jpg


Horrível", "chocante", "monstruosa"... As reações de horror não faltaram quando Pablo Picasso apresentou, há exatos 100 anos, a pintura "Les demoiselles d'Avignon", que seria reconhecida como a obra fundadora da arte moderna.

Um século depois, o Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), que abriga a obra há 58 anos, apresenta uma exposição em homenagem às "Demoiselles".

Normalmente exposta junto com outras obras de arte, a tela monumental tem desta vez seu próprio espaço.

A representação de cinco prostitutas, duas delas com o rosto coberto por máscaras africanas, já não provoca mais escândalo, mas segue sendo uma impressão visual, "inclusive depois de um século de arte onde a única ambição foi sobrepujar a obra de Picasso", escreveu Michael Kimmelman, crítico do "The New York Times".

Simples croquis esboçados com lápis ou telas completas, a dozena de peças expostas pelo MoMA, procedentes em grande parte do Museu Picasso de Paris, mostram a amplitude do empreendimento, longe da reputação de obra "espontânea": cada personagem foi desenhado várias vezes, individualmente e no conjunto, tentativas com sete personagens (entre os quais um marinheiro e um estudante), depois com seis, com cinco, a influência da arte africana ou a escultura ibérica antiga (rostos assimétricos, orelhas superdimensionadas.

"Vemos todos os caminhos que ele escolheu não tomar, não sabia aonde o levaria esta viagem", disse Anna Swinbourne, conservadora do MoMA. "Ele abriu o caminho ao cubismo, à presença de mais de duas dimensões, a muitos estilos em uma única tela. Ele abriu possibilidades para quase tudo", resumiu.

No entanto, naquela época, Picasso não recebeu nenhuma recompensa, e teve que se conformar com a incompreensão e a rejeição, inclusive por parte de seus colegas e amigos.

"Seus quadros são uma ofensa à natureza, às tradições, à decência. São abomináveis", lia-se em 1910 na revista nova-iorquina "The Architectural Record".

As "Demoiselles" permaneceram durante anos longe dos olhos do público, antes de o escritor surealista André Breton convencer em 1924 o colecionador francês Jacques Doucet a investir numa obra que, segundo ele, "transcende a pintura, e é um retrato de tudo que se passou nos últimos 50 anos". Doucet pagou então 30.000 francos pela obra.


O MoMA adquiriu a tela em 1939. Mais tarde, muitas obras vieram enriquecer as coleções do museu, um dos mais bem dotados do mundo. No entanto, "não existe outra obra que suscite a mesma atenção", afirmou Swinbourne. "Sempre enigmática, difícil de ler, misteriosa, é a chave de sua magia", finalizou.


Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/PopArte/0, ... 84,00.html