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Leonardo da Vinci o maior gênio da História

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Leonardo da Vinci


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Leonardo di ser Piero da Vinci (Anchiano, 15 de Abril (Calendário Juliano) ou 25 de Abril (Calendário Gregoriano) de 1452 — Cloux, Amboise, 2 de Maio de 1519) foi um pintor, matemático, escultor, arquitecto, físico, engenheiro, botânico e músico do Renascimento italiano. É considerado um dos maiores gênios da história da Humanidade, embora não tivesse nenhuma formação na maioria dessas áreas, como na engenharia e na arquitetura. Não tinha propriamente um sobrenome, sendo "di ser Piero" uma relação ao seu pai, "Messer Piero" (algo como Sr. Pedro), e "da Vinci", uma relação ao lugar de origem de sua família, significando "vindo de Vinci" .

Nascido num pequeno vilarejo próximo ao município toscano de Vinci, Leonardo era filho ilegítimo de Piero da Vinci, um jovem notário e de Caterina. A mãe de Leonardo era provavelmente uma camponesa, embora seja sugerido, com poucas evidências, que ela era uma escrava judia oriunda do Oriente Médio comprada por Piero. O próprio Leonardo da Vinci assinava seus trabalhos simplesmente como Leonardo ou Io Leonardo. A maioria das autoridades refere-se aos seus trabalhos como Leonardos e não da Vincis. Presume-se que ele não usou o nome do pai por causa do estado ilegítimo.

Leonardo da Vinci é considerado por vários o maior gênio da história, devido à sua multiplicidade de talentos para ciências e artes, sua engenhosidade e criatividade, além de suas obras polêmicas. Num estudo realizado por Catherine Cox, em 1926, seu QI foi estimado em cerca de 180. Outras fontes mencionam 220.

Biografia


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Na adolescência, Leonardo foi fortemente influenciado por duas grandes personalidades da época, Lorenzo de Médici e o grande artista Andrea del Verrocchio . Leonardo viveu em plena Renascença, nos séculos XV e XVI, e expressa melhor do que qualquer outro o espírito daquele tempo. Ao contrário do homem medieval, que via em Deus a razão de todas as coisas, os renascentistas acreditavam no poder humano de julgar, de criar e construir. Por isso a Renascença também é conhecida como a época do Humanismo e se caracteriza por enormes progressos nas artes, nas leis e nas ciências.

Suas obras mais conhecidas são o afresco A Última Ceia, pintado diretamente no refeitório da Igreja Santa Maria delle Grazie, em Milão, e o Retrato de uma modelo desconhecida, a La Gioconda (dita a Mona Lisa), que ele demorou provavelmente três anos para terminar.

Prestando atenção, pode-se perceber em várias imagens um efeito característico da pintura de Leonardo: a delicada passagem de luz para a sombra, quando um tom mais claro mergulha em outro mais escuro, como dois belos acordes musicais. Esse procedimento recebe o nome de sfumato (esfumado, em português).

Lorenzo de Médici, um grande humanista e comunicador, inspirou Leonardo na parte da comunicação, fazendo com que começasse a fazer seus quadros mais “parlanti”, com maior animação gestual, o que o levou a se tornar mestre nesta arte. Em toda sua obra pode-se notar a iconografia das figuras ou personagens de seus quadros.

Em 1466, com quatorze anos, Leonardo mudou-se para Florença, e iniciou seu aprendizado no ateliê de Verrocchio. O artista, de grande prestígio da época, ensinou-lhe toda a base que mais tarde o levaria a se tornar um grande pintor. Leonardo também aprendeu escultura, arquitetura, óptica, perspectiva, música e até botânica.


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Em 1472, com vinte anos, já era membro do grêmio dos pintores florentinos (Corporação de São Lucas) e a sua carreira começa a ficar independente do mestre Verrocchio. As pessoas da corte fazem encomendas directamente a Leonardo.

Em 1476, Leonardo da Vinci juntamente com mais três alunos do ateliê de Andrea del Verrocchio foram acusados de sodomia, segundo a acusação referente a Leonardo, teria ele tido relações homossexuais com um modelo de Florença muito popular mas, faltaram provas concretas que confirmassem semelhante acusação; então Leonardo é absolvido de toda e qualquer acusação possível.

Em 1482, Leonardo da Vinci trabalhou para Ludovico Sforza, Duque de Milão e manteve o próprio seminário com aprendizes. Foram usadas setenta toneladas de bronze que tinha sido colocado à disposição de Da Vinci para o Grande Cavalo, estátua de um cavalo, em armas pelo duque em uma tentativa de salvar Milão de ser subjugada pelo francês Carlos VIII em 1495.

Em 1498, Milão caiu sem uma batalha para o francês Luís XII. Da Vinci ficou em Milão durante algum tempo até que viu arqueiros franceses usando seu modelo de cavalo de barro em tamanho natural para o Grande Cavalo como alvo para treinamento partindo logo com o amigo Luca Pacioli para Mântua, mudando depois de dois meses para Veneza e se mudando novamente então para Florença no final de Abril de 1500.

Em 1502, ele ficou a serviço de César Bórgia (também chamado de Duque de Valentino e filho do Papa Alexandre VI) como arquitecto militar e engenheiro, nesse mesmo ano ambos viajaram pelo norte da Itália, é nessa viagem que Leonardo conhece Nicolau Maquiavel; no final do mesmo ano retorna novamente a Florença, onde recebe a encomenda de um retrato: a Mona Lisa.

Em 1506, voltou a Milão, então nas mãos de Maximiliano Sforza depois de mercenários suíços expulsarem os franceses.


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De 1513 a 1516 morou em Roma, onde os pintores Rafael e Michelangelo eram, na ocasião, muito requisitados; porém, Da Vinci não teve muito contacto com estes artistas.

Em 1515 Francisco I da França retorna a Milão, e Da Vinci foi designado para fazer a peça central de um leão mecânico para as negociações de paz em Bolonha entre o rei francês e o Papa Leão X, onde provavelmente conheceu o rei.

Em 1516 ficou a serviço de Francisco I como primeiro pintor, engenheiro e arquiteto do Rei. Foi dado a ele o uso do Castelo Clos Lucé, próximo ao Castelo de Amboise, residência do Rei, junto com uma pensão generosa. Da Vinci e o Rei ficaram bons amigos.

Morreu em Cloux, França, e de acordo com o seu desejo, sessenta mendigos seguiram seu caixão. Leonardo da Vinci foi enterrado na Capela de São Hubert no Castelo de Amboise.


 

 
O gênio

De tempos em tempos, o Céu nos envia alguém que não é apenas humano, mas também divino, de modo que através de seu espírito e da superioridade de sua inteligência, possamos atingir o Céu.

Leonardo sempre foi tido como um ser misterioso, devido aos muitos talentos que possuía; a sua capacidade e conhecimento em muitas áreas proclamaram-no como um dos Maiores gênios da humanidade.


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Leonardo sabia que se os seus manuscritos fossem descobertos pela igreja, haveria grandes possibilidades de ser considerado herege (devido a conteúdos científicos considerados como feitiçaria pela mesma), e assim teria como castigo um final terrível, daí a idéia de escrever da direita para a esquerda (inverso da escrita), de modo que, somente mediante um espelho, seus manuscritos fossem decifrados. Outro método de transmitir mensagens para gerações futuras, que acreditava ele que estariam muito desenvolvidas (devido ao progresso racional dos seres humanos), foi a pintura; através desta Arte com ajuda do simbolismo, deixava mensagens muito comprometedoras, de tal modo que, mudaria talvez a convicção de pensar do homem. Ao mesmo tempo em que uma obra por ele pintada esconde um segredo, o também revela (ou vice-versa), um bom exemplo, é a Madona das Rochas, citada no Livro O Código Da Vinci, de Dan Brown.

O impossível de se imaginar, é como um homem que viveu em cerca de quinhentos anos atrás, fosse desenvolver teorias e técnicas em tantas áreas, desde a pintura, até mesmo a ciências modernas. Provavelmente o seu perfeccionismo em cada pintura, é um dos motivos por este possuir autoria de tão poucas obras; outro possível motivo é que algumas de seus quadros se perderam com o tempo (sendo roubados ou até mesmo destruídos), devido a sua maneira polêmica de retratar, desde cenas religiosas, até mesmo retratos, sendo um deles a Mona Lisa.



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Alguns historiadores e especialistas concluem que Leonardo gostava muito de distorcer coisas como em um quebra-cabeça. Muitos acham que sua escrita invertida era um código e protegia seus esboços contra espiões. Segundo Bruce Peterson, da RYP Australia Major Projects, Leonardo da Vinci escrevia assim porque era canhoto[1] e não queria borrar os textos que criava febrilmente. Já historiadores acreditam que esta escrita era um sinal de que Leonardo da Vinci tinha dislexia, pois escrevia de forma embaralhada e ás vezes gostava de formar anagramas.

Na sua pintura Ginevra de' Benci, a mulher está posada diante um junípero. Na época o junípero era símbolo de castidade. Leonardo acabou incluindo mais uma referência. Em italiano a palavra junípero significa ginevra.

Uma de suas pinturas faz um anagrama, Mona Lisa, que vira Amon L'Isa ou Man An Oil (Homem em Forma de Óleo), mas essa hipótese é improvável, já que como iria criar anagramas de línguas distante do alcance de Leonardo (e particularmente Leonardo não tinha interesse em línguas).


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Arquitectura militar

Durante seu período em Milão com Francesco Sforza, ele projetou vários prédios com armas de guerra e reforços. Ele tinha habilidade para arquitectura militar e por isso ficou famoso entre os Sforza.

Entre seus mais formidáveis projetos militares está uma escada para uso numa torre fortificada. O projeto incluía quatro rampas independentes de outras. Assim, os soldados podiam subir e descer de 4 andares sem esbarar em grupos de soldados que iam em direção contrária.

Em 1502, Leonardo projetou um fosso interessante. Ele escondeu uma torre cilíndrica debaixo d'água com um teto levemente inclinado que saía um pouco da superfície da água. Os defensores que estivessem dentro da torre poderiam disparar suas armas através da superfície da água. Feno molhado cobria o teto da torre contra os danos causados pelos disparos.

Leonardo projetou também um castelo com sistema triplo de segurança. Um dos cantos dessa construção tinha duas fortificações: a primeira estendia-se até o canto do forte e a outra estendia-se sobre parte da parede externa.


 

 
Obra artística

Quando ouvimos os sinos, ouvimos aquilo que já trazemos em nós mesmos como modelo. Sou da opinião que não se deverá desprezar aquele que olhar atentamente para as manchas da parede, para os carvões sobre a grelha, para as nuvens, ou para a correnteza da água, descobrindo, assim, coisas maravilhosas. O gênio do pintor há-de se apossar de todas essas coisas para criar composições diversas: luta de homens e de animais, paisagens, monstros, demônios e outras coisas fantásticas. Tudo, enfim, servirá para engrandecer o artista.


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Introdução

Apesar do recente interesse e admiração

por Leonardo como cientista, observador e inventor, durante mais de quatrocentos anos a fama do pintor apoiou-se nos seus arquivos como artista, nos seus esboços e nas sua grandiosas pinturas, sendo identificado como o autor da obra-prima da pintura mais célebre jamais criada. O nome de Leonardo, devido grandemente à fama intemporal de Mona Lisa, goza do estatuto de ser um dos mais célebres da arte.

Esta pintura, em particular, é famosa pela variedade de qualidades cujos apreciadores, nomeadamente estudantes e outros artistas, imitam e reproduzem e entre críticos e connoisseurs a pintura é uma das mais discutidas. Disfruta do estatuto de ser a obra de arte mais reproduzida da História. O que torna o trabalho de Leonardo único são as suas inovadoras técnicas que expressou nas suas pinturas, da sua impressionante gradação tonal, a subtileza do exercício compositivo do tema, o seu detalhado conhecimento anatómico, o exercício lumínico, o detalhe físico da natureza, expresso na representação de plantas, entre outras coisas, o seu interesse na fisionomia e os seus incríveis e minuciosos registos da emotividade, da expressividade e da gesticulação humana. Intelectual humanista, Da Vinci nunca voltava ao passado; inovava simplesmente. Cada pintura conhecida sua, cronologicamente, regista sempre mais inovações que tornam o motivo representado cada vez mais real e emotivo.

Todas estas subtis qualidades resultaram em trabalhos como Mona Lisa, A Última Ceia e A Virgem das Rochas.

A Última Ceia (L'ultima cena ou Cenacolo, em Milão) é uma das mais conhecidas pinturas atribuídas a da Vinci, exposta no refeitório Convento de Santa Maria delle Grazie e tema central da obra O Código da Vinci de Dan Brown. em Milão assim como a Mona Lisa (também conhecida como La Gioconda, exposta no museu do Louvre, em Paris).

Somente algumas de suas pinturas, e nenhuma das esculturas levadas a cabo pelo autor italiano, existem actualmente. Da Vinci planejou freqüentemente pinturas grandiosas com muitos desenhos e esboços, deixando os projetos inacabados. Hoje esses esboços integram o espólio dos mais conceituados museus mundiais, e testemunham uma inteligência genial.

Da Vinci passou muitos anos planejando o modelo de uma monumental escultura de sete metros de um cavalo em bronze (o Gran Cavallo ou Grande Cavalo), para ser erguido em Milão. Por causa de guerra com a França, o projeto nunca foi concluído. Baseado em iniciativa privada, uma estátua semelhante foi feita em Nova York em 1999 que foi doada a Milão, sendo erguida no hipódromo de San Siro. O Museu da Caça em Limerick, na Irlanda tem um pequeno cavalo de bronze , possivelmente feito por um dos aprendizes de Leonardo, baseado nos esboços do original.

Anteriormente, em Florença, ele foi designado a fazer um grande mural público, a Batalha de Anghiari; e seu rival, Michelangelo, para pintar a parede oposta. Depois de produzir uma variedade fantástica de estudos em preparação para o trabalho, ele deixou a cidade, com o mural inacabado devido a dificuldades técnicas.


 

 
Primeiros trabalhos (pinturas da década de 1470)

Aprendizagem e juventude em Florença (1466-1482)

Retrato de Bernardo di Bandino Baroncelli executadoNão muito longe de Empoli, nasceu, em 1452, Leonardo da Vinci, no seio de uma família cujas posses equivaliam à riqueza das famílias que hoje chamamos classe-média, instruída e altruista. Jovem, Leonardo revelou desde cedo uma aptidão genial para o desenho, área em que, técnicamente, mais se destacou, pelo menos na sua carreira prematura.

Segundo, Giorgio Vasari, sua família, amiga íntima da família de Andrea del Verrocchio, tinha um estreito contacto com a arte florentina. Ser Piero (Messer Piero), pai de Da Vinci, levou um dia alguns dos trabalhos de Leonardo ao atelier do pintor, questionando-o sobre o eventual talento de Leonardo e se valeria a pena investir no jovem. Verrocchio ficou espantado com a habilidade de Leonardo e prontamente aceitou o jovem no seu estúdio.


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Os trabalhos prematuros de Leonardo resumiam-se, de facto, a desenhos, esboços a carvão, tinta nanquim ou aguada. Embora somente se conheçam dois retratos masculinos a óleo na sua obra, o pintor explorou com ênfase o retrato da virilidade masculina, um interesse que se revela mesmo neste tempo de aprendiz. Um dos seus trabalhos mais intrigantes deste início de carreira, é Retrato de Bernardo di Bandino Baroncelli executado, de 1479, já no estúdio de Verrocchio, a pena e tinta, mas é Guerreiro Antigo, realizado a caneta de aparo sobre papel preparado, que conclui o maior registo desenhado, realizado em 1472. O primeiro é o retrato do cadáver do assassino de Giuliano de Médicis, pendurado na janela do Palazzo del Capinano a 29 de Dezembro de 1479. Na inscrição no topo do papel, Leonardo descreve o vestuário do executado, incluindo as cores. Na margem inferior direita do trabalho aparece ainda uma cabeça. Referência notável para o seu trabalho, é a facilidade e o domínio do traço, que revelaria mais tarde no pincel.

Por volta desta época, inicia uma série de estudos meticulosos que o levariam a concretizar no futuro trabalhos como Madonna del garofano ou A Anunciação. O estudo do panejamento das personagens das obras são um dos marcos do seu percurso artítico, concebidos com uma primazia notável. Baseando-se em esculturas ou modelos de madeira ou barro, cobertos por panejamentos e jóias - algo em voga, para não ter que pagar cortesãs para posarem para si - Leonardo desenvolveu as suas competências no desenho e sabendo-o bem, no seu Tratado de Pintura, aconselha os artistas a praticarem o desenho através do estudo de relevos e esculturas. Estes estudos, primeiramente postos em prática pelo artista, prepararam um génio sagaz e um mestre inconfundível. O humanista Paolo Giovio e o biógrafo de Da Vinci Giorgio Vasari referem constantemente nas suas obras, a perfeição do jovem artista nos seus desenhos, já no seu início como artista. Vasari refere mesmo que «os desenhos de Da Vinci são tão perfeitos e relatam tão incansável procura por novos detalhes, com um esforço de imaginação soberbo, que dificilmente os conseguem igualar.


 

 

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Nesta época Leonardo desenvolveu um vitium (na acepção portuguesa, uma «obcessão») pela perfeição das obras e desenvolveu imensamente a sua técnica, que o levou a criar outras inéditas, como o sfumato, hoje conhecido através da Mona Lisa. Tal exigência para consigo próprio levaria à inconclusão de diversos trabalhos, pois assim que os iniciava punha-os de lado, tal era a rapidez e eficácia com que aprendia novas técnicas.

Ao mesmo tempo que realizava os seus famosos estudos de panejamento, Leonardo concretizou vários desenhos e estudos a partir da natureza. Estes são tipificados pelo trabalho que produziu ainda enquanto aprendiz, assim como uma das primeiras obras datadas constantes entre a colecção da Galeria dos Uffizi, actualmente. No canto superior de Paisagem do Arno aponta, na sua acostumada escrita invertida, «no dia de Santa Maria do Milagre da Neve, 5 de Agosto de 1473». Estudo a pena e tinta sobre um suporte preparatório quase invisível, mostra a vista sobre um vale com montes e escarpas de ambos os lados, abrindo no fundo uma escassa visibilidade do mar. A vista poderá ser do caminho entre Vinci e Pistoia e, provavelemnte, terá sido esboçado a lápis ao ar livre in loco, e depois completada a pena e tinta no atelier. No início do século xx, Woldemar von Seidlitz compreendeu as fortificações de Papiano nas muralhas e torres numa colina à esquerda da composição. A importância deste desenho não se reflete só no facto de ter sido feito por Leonardo, mas sim, em figurar como um dos primeiros desenhos autónomos de paisagens de toda a História da Arte.

Estes estudos da natureza e de modelos vivos eram postos em prática nas suas obras pintadas, como em O Baptismo de Cristo, onde, conclusivamente, pintou o anjo que segura algumas roupas. Porém, a figura do anjo é, de longe, muito melhor pintada que as figuras pintadas por Andrea del Verrocchio.


 

 

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Entre os trabalhos iniciais de Leonardo encontra-se A Virgem de Granada (pintado em parceria com Lorenzo di Credi) e o O Batismo de Cristo, realizado em parceria com Verrocchio. Na verdade foi este último que pintou a maior parte da obra, sendo que Da Vinci só pintou um dos anjos da esquerda e parte da paisagem. Ambos pintados provavelmente após a conclusão da A Anunciação (primeira versão).

Deste tempo em que estudava e aprendia pintura no estúdio de Verrocchio, datam mais duas obras, todas elas retratando a A Anunciação. A primeira, uma obra grande (98 x 217cm) mas que antevia um génio plural, teve como base inspiradora Fra Angelico e Lorenzo di Credi, colega de atelier de Leonardo. O primeiro que bem conhecia o tema pois pintou-o várias vezes. A segunda é muito menor, 14 x 59 cm.

Nos anos em que Leonardo era somente um mero aprendiz, uma das suas fontes inspiradoras foram as pinturas de Fra Angelico, pautadas por um conhecimento rico da perspectiva e, ainda hoje, um dos mais célebres pintores italianos.

Em ambas as pinturas, de ambos autores, a Virgem Maria encontra-se sentada ou ajoelhada no parte direita do quadro e o Anjo, de perfil, ricamente trajado, na parte esquerda. Um detalhe importante e interessante da pintura é que o espaço que se situa entre a ponta da mesa e a margem do cipreste em segundo plano, formam algo como uma coluna invisível que separa o quadro em duas partes, a do Anjo e a de Maria.

Na pintura menor (segunda versão do tema, cuja maior parte fora pintada por Lorenzo di Credi), Maria posiciona coloquialmente os seus olhos e as suas mãos num gesto que simboliza a submissão a Deus. Na primeira pintura (em que somente Leonardo pintou), no entanto, Maria não figura como uma personagem submissa, e essa função acarreta-a o Anjo, este sim submisso a Maria. A própria figura de Maria é representada com uma certa monumentalidade, pautada pela sua postura erecta.

Em bela jovem, interrompida na leitura pela inesperada mensagem, coloca o um dedo sobre o sítio onde lia e levanta a mão esquerda em saudação ao Anjo. Nessa pintura, a mais marcante dos primeiros anos do pintor, o jovem Leonardo apresenta a faceta humanista e inteligente da Virgem.

As asas do anjo foram pintadas com precisão naturalista, um exemplo da curiosidade científica típico da carreira de Leonardo. Usou o seu conhecimento sobre as asas de pássaros para fazer as asas do anjo.

O trabalho ficou oculto até 1867 quanto foi transferido de um convento próximo a Florença para a Galeria degli Uffizi, também em Florença.


 

 

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Em 1478, Leonardo da Vinci com a ajuda do seu colega Lorenzo di Credi, pintou pela segunda vez a anunciação, mas desta vez, em um painel pequeno e com medidas muito desproporcionais, o que causou a dificuldade em pintar detalhes minunciosos, ao contrário, a primeira anunciação, fora pintada em um painel de medidas colossais, e muito bem distribuídas (98 x 217 cm), o que, facilitou na colocação de pequenos detalhes. Muitos dos elementos utilizados por Leonardo são repetidos e alterados; ao contrário da Maria da primeira pintura, elegante e que parece possuir autoridade sobre o anjo, na segunda parece surgir subserviente a este (como se ele tivesse autoridade sobre Ela), tal como na obra-prima de Fra Angelico. A sua postura de mulher provocadoramente culta e literada, que encontramos na primeira Anunciação de Leonardo, desaparece na obra pintada com Lorenzo.

Lorenzo di Credi seguiu os passos do seu colega numa constante perseguição visual e interpretativa das suas obras, embora as suas pinturas nunca tenham tido a qualidade das do primeiro, em todos os aspectos, incluido a temática.

Fora pintado também quase no mesmo período, o retrato de Ginevra de' Benci e, em meados dessa década Leonardo iniciou mais duas pinturas: Madona del Garofano (Madona do Cravo, na tradução para português) e a inacabada obra Madona Benois.

Ginevra de' Benci é um retrato, cuja atribuição a Leonardo é questionável, tanto quanto a espressão facial da retratada. Prematuramente noiva de Luigi Niccolini, a juventude de Ginevra alcançou a eternidade com esta pintura. Aos quinze anos de idade, o noivado da jovem aristocrática incentivou os pais a procurarem Leonardo, através do atelier de Verrocchio, a fim de que o primeiro pintásse o retrato comemorativo.

Imediatamente atrás da imagem da jovem, surge uma juniperus. A palavra italiana que define esta árvore é ginepro. Tem-se conta de que o nome da jovem e o da pintura, formem um jogo de palavras e icónico. Contudo, o siginificado renascentista da árvore era a pureza e a castidade. Esta idéia é reforçada pela frase inscrita no verso da pintura: A beleza adorna a virtude.

A expressão facial da jovem é o mais intrigante na pintura. Olhando o espectador com veemência, a incerteza dos seus sentimentos intriga os especialistas; não se sabe se está cansada, triste, serena, zangada, ou seja, um rol de sentimentos inacabáveis que a expressão facial lhe atribui.


 

 
Pinturas da década de 1480


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Início do período do controle anatômico

Na década de 1480 recebeu três importantes ecomendas e começou outro trabalho ainda, cujo tema abriu uma rotura em termos de composição. Infelizmente, dois desses três trabalhos nunca foram acabados (devido sua partida para Milão) e o terceiro mesmo sendo feito conforme as exigências da confraria milanesa que o encomendou, foi desprezado. Em 1495, inicia uma cópia baseada no mesmo tema (esta aceita por esta confraria), mas este trabalho demorou tanto tempo para terminar, que somente foi assinado depois das negociações e do devido pagamento; mesmo assim, não foi em vão, sendo que é hoje o terceiro mais importante e conhecido trabalho de Da Vinci.

Uma destas pinturas é São Jerónimo no deserto. No entanto, a obra é apenas um esboço num tema e numa composição pouco usuais na época. São Jerónimo, como penitente, ocupa com a sua figura o centro da pintura, sentado, visto na diagonal linear. Da Vinci serviu-se de um modelo de madeira e pano para conceber a figura do santo, como se fazia na altura. Para o poder pintar nesta posição, a cabeça de Leonardo colocava-se à mesma altura que o meio da tíbia do modelo, pintando-o na diagonal, mais ou menos desde a ponta da cauda do leão. A sua forma, com inclusão do braço direito e da cabeça, assemelha-se à de um trapézio, e o seu olhar está perfeitamente oposto ao do espectador e do próprio pintor; São Jerónimo olha, de forma subserviente, para algo fora da pintura. Em frente ao santo homem, um leão deitado cuja forma do corpo juntamente com a cauda formam duas espirais na base da pintura. Outro particular de interesse é a paisagem inacabada, no fundo da obra, de rochas e escarpas.

Outra composição um tanto quanto atrevida, os elementos paisagísticos e o drama pesoal ressoam na obra de arte inacabada: A Adoração dos Magos, encomenda dos monges de San Donato a Scopeto. É uma composição muito complexa sobre cerca de 250cm de largura e comprimento de uma placa de madeira. Para este trabalho o artista esboçou vários desenhos e numerosos trabalhos e estudos preparatórios, incluindo um detalhe de uma perspectiva linear das ruínas de um edifício clássico.


 

 
Estada em Milão (1482-1498)

Mas em 1482, Leonardo foi convidado para trabalhar para a corte milanesa em tributo a Ludovico il Moro (Ludovico Sforza), e a pintura e todo o trabalho que havia tido foi abandonada. Na verdade da Vinci viajou influênciado por Lorenzo de médici (o magnífico); este tinha em mente a difusão da arte florentina por toda a Itália, seu plano, transformar Florença em um centro cultural.

Entre 1487 e 1490 Leonardo assume uma posição de destaque na corte milanesa. O seu trabalho não se resumia a pintar, mas também a organizar festividades e trabalhou vários anos na realização da estátua de Francesco Sforza, que nunca concluiu.

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Entre as suas obras acabadas ocupa uma posição de destaque uma pintura de uma senhora da aristocracia, que segura nas mãos um arminho. Em 1485, Leonardo inicia Dama com arminho, retrato provável de Cecilia Gallerani. A pintura é sem dúvida uma obra-prima. A jovem olha para algo fora da pintura com interesse, embora permaneça serena. O arminho repete-lhe o movimento, cuja mão curvada elegantemente corresponde, por sua vez, ao movimento do animal, criando um sintonia entre a modelo e o arminho.

De facto, a linguagem icónica utilizada por Leonardo nesta obra, fez com que permanecessem vários mistérios em relação ao simbolismo do arminho. Uns preferem acreditar que o arminho é uma alusão ao apelido da jovem aristocrata, visto que o som de «Gallerani» é reminescente da acepção grega para arminho, «galée». Noutra vertente, o pequeno animal é considerado um sinal de pureza e modéstia, mas caso o signifique, modéstia não será de certeza, já que não é uma característica de uma cortesã.

Porém, a razão mais provável é a terceira, ou seja, a alusão a Ludovico Sforza. E porquê tal simbolismo? A modelo era a amante de eleição de Ludovico e, a partir de meados de 1480, este começou a usar o arminho como um dos seus emblemas. Assim Ludovico, sob a simbólica forma de animal, surge no regaço da jovem, bem penteado e acariciado pelas mãos da sua amante.

Existem provas documentais de que o quadro pertenceu à retratada. Pouco tempo depois da pintura deste retrato de corte, o seu amante desposou Beatriz d'Este.

Segundo pesquisadores, Cecilia Gallerani também teria posado para o quadro La Belle Ferronière, e ainda, seria ela a Mona Lisa; mas tais fatos nunca foram provados.

Nesse período as pinturas de Da Vinci revelam um conhecimento e uma desenvoltura excepcionais na sua vertente anatómica, resultado dos seus imensos e incansáveis estudos no âmbito assunto e, por isso torna-se mestre nessa ciência.

O terceiro trabalho mais bem sucedido, surpreendentemente é uma das suas principais pinturas, foi encomendado em Milão por uma Confraria religiosa, intitulada Imaculada Concepção, para abrilhantar um altar, sendo a peça central do tríptico da igreja de São Francisco, sustentada por esta instituição religiosa e provavelmente construída por Beatriz d'Este. As outras duas pinturas do tríptico foram feitas pelos irmãos Ambrogio e Evangelista de Predis.


 

 
Madona das Rochas (1483-1486)

Leonardo escolheu pintar um enfático momento da infância de Cristo quando o pequeno João Baptista, com a proteção de o anjo Uriel, conheceu a Sagrada Família numa gruta do Egipto (Egito), cena aceita pela tradição cristã mesmo não constando na bíblia. Na cena João Baptista reconhece Jesus como sendo o Cristo, mesmo sendo os dois tão jovens. A posição da figura de João na composição é mais abaixo que a de Jesus. No entanto, em vez de Jesus conceder a bênção a João, é João quem a concede a Jesus. Algo que escandalizou os monges. A própria mão de Maria, posta sobre o ombro do pequeno Jesus, assemelha-se a uma garra de condor.


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O detalhe mais atormentador da obra pode ser facilmente visualizado: a mão de Maria semelhante a uma garra, parece segurar uma cabeça invisível, logo cortada pela mão de Uriel, que aponta para Jesus.

A pintura solenemente declara a riqueza do conhecimento estilístico do traje e da sua representação, a julgar pela concepção notável do vestuário de Uriel, impressa numa figura sóbria e imponente, que perde lugar na segunda versão onde assume outra pose, desta feita, simplista e menos detalhada.

Existem duas versões oficiais e uma de que se discute a autoria. A primeira, maior, mais complexa e pautada pela falta de sintonia entre os elementos, de nome Madona das Rochas. A segunda, a verdadeira obra-prima intemporal, com uma composição mais madura e cuja manifestação do chiaroscuro está em perfeita harmonia. A Virgem das Rochas, essa, sim, feita conforme a exigência da Confraria da Imaculada Conceição, é hoje o terceiro mais famoso e aclamado trabalho do génio intemporal de Leonardo da Vinci.


 
 

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