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Killzone 2

Até termos sido convidados a fazer parte da beta de Killzone 2, falar sobre este Atirador na Primeira Pessoa da Guerrilla era como opinar sobre a saúde de Bin Laden. Tudo o que havia eram vídeos de outros a jogar ou trailers colocados pela própria produtora com uma veracidade que não podíamos apurar. Agora, com conhecimento de causa sobre o multijogador, podemos narrar de viva voz aquilo por que passámos, ainda que tenhamos em mente que o espectáculo a que assistimos pode estar longe de ser o que chegará às prateleiras lá para Fevereiro próximo.

Mesmo antes de empunharmos qualquer arma pela primeira vez, existem várias considerações a fazer. O modo online dá-se pelo nome de Warzone e podemos aceder a toda a informação sobre clãs e estatísticas directamente no menu principal. Tivemos acesso a um trio de mapas - Salamun Market; Radec Academy e Blood Gracht – sendo que os dois primeiros primam pela sua grandiosidade e o último, dada a sua pequenez, é o sítio ideal para o caos reinar. Ainda é de salutar a divisão das sessões de jogo por missões. Ao nosso dispor tivemos os seguintes objectivos: Body Count, Assassination, Search and Retrieve, Capture and Hold e, finalmente, Search and Destroy.

Body Count não passa de uma variante de Deathmatch, tal como Search and Retrieve não passa de um Capture the Flag. E se estão familiarizados com este género, Capture and Hold assemelha-se a um qualquer modo de Domination. Sendo assim, é em Assassination e Search and Destroy que residirão as experiências mais refrescantes. No primeiro, um elemento da equipa adversária torna-se no alvo da nossa e os seus companheiros terão de dar a vida para o proteger, ao passo que Search and Destroy leva-nos por entre vários pontos onde temos de colocar cargas explosivas, pontos esses defendidos pelo inimigo.

Pormenores técnicos e estruturais à parte, chegámos àquilo que interessa saber em qualquer componente multijogador: a sua reacção ao toque. Ainda que se note que muitos dos jogadores presentes não estejam em campo para aproveitar o seu convite a participar em Killzone 2, notámos que a Guerrilla quer devolver a intensidade nua e crua àqueles que experimentarem o seu Atirador na Primeira Pessoa com a PlayStation 3 ligada em rede. Independentemente do número de jogadores presentes (Salas pequenas – 2-8 jogadores; Salas médias – 9-16 jogadores; Salas grandes – 17-32 jogadores) são raros os momentos em que nos podemos dar ao luxo de aproveitar para contemplar o cenário.

Foi, de facto, muito interessante ver todo charme da velha guarda tingida com a inovação (para a série) de podermos escolher classes. Tal como já acontece com outros Atiradores presentes no mercado, Killzone 2 optará por acompanhar a subida de patente com novas armas e novas habilidades, de acordo com a classe que escolheram. E, quando o jogo vos chegar às mãos, vão poder escolher de entre Scout (snipers), Medic, Assault, Tactical (este com a peculiar de poder colocar pontos de spawn no mapa e chamar apoio aéreo), Saboteur (mestre do disfarce e classe eleita para plantar bombas) e, por fim, ainda poderão ser Engineer (classe que tem na colocação de barreiras de defesa o seu ponto forte).

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Começando o jogo como um soldado sem classe determinada, apenas nos são atribuídas duas metralhadoras e duas pistolas, sendo possível apanhar espingardas, lança-mísseis, caçadeiras e submetralhadoras que outros jogadores vão deixando ficar no leito da sua morte. Tal como já foi dito, é com a evolução da classe eleita que nos chegam as restantes armas. Melhoradas na mira, velocidade de disparo e dano infligido, é uma das mais-valias dedicar um tempo extra a esta componente de Killzone 2. A complementar o ramalhete bélico temos sempre à nossa disposição uma granada por vida que, quando atiradas para um grupo de soldados inimigos, contemplam a vista (e as estatísticas) com um espectáculo sanguinário sem igual.

O dano infligido pelas armas quase sempre é letal. Apesar de poderem ser reanimados até um máximo de 10 segundos após o "desmaio" por um médico que vá a passar, normalmente terão que voltar a fazer respawn. Não há grande margem de manobra para acolher as balas inimigas sem ir ao chão, provavelmente, motivo pelo qual não existe uma grande quantidade de munições a avulso espalhadas pelos mapas.

Agora parem de ler e pensem no que é conjugar as várias classes e armas com a acção frenética e os mapas que, pela amostra, parecem ter sido desenhados com a inspiração ganha nos melhores jogos do género já lançados. E o adjectivo frenético assenta também à fluidez de jogo que, mesmo estando a ser apurada de uma versão inacabada do jogo, não deu sinal de quebras ou graves erros. O único ponto mais negro que detectámos foi ter de recorrer ao R3 para sprintar. Contudo, a Guerrilla parece ter ouvido aqueles que experimentaram o jogo original e colocou à nossa disposição diferentes configurações de botões, mais intuitivas e que, resumidamente, imitam bem aquilo que tanto adorámos em Call of Duty 4.

Para concluir aquilo que vimos nesta breve amostra do que está para chegar, temos, obrigatoriamente, que tocar no ponto que mais celeuma tem levantado junto dos amantes e inimigos da consola da Sony: o aspecto gráfico. Não, não está como vimos nos trailers que a Sony usou e abusou para promover o jogo. Contudo, há vários pontos a ter em conta. O primeiro (e mais lógico) é não podermos tecer qualquer juízo sobre uma versão inacabada. Depois, convém não esquecer que esta é única e exclusivamente a vertente multijogador do jogo, portanto, há sempre um decréscimo de pormenores face à componente a solo em prol da fluidez. Por fim, mesmo sem estar naquele nível de perfeição, Killzone 2 tem já uma das melhores atmosferas a que já assistimos nesta geração de consolas. Qualquer um dos mapas que experimentámos parece arcar nos ombros uma visão cinematográfica que materializa, ipsis verbis, a expressão "Sangue, suor e lágrimas".

Haverá sempre vozes a zombarem a Sony por tentar vender gato por lebre no que ao aspecto dos seus jogos diz respeito. Provavelmente, alguns deles até terão alguma razão nos argumentos que apresentam. Mas, para além disso nos levar a outras conversas que não a beta multijogador de Killzone 2, o que interessa ficar gravado para a posteridade é que o Atirador na Primeira Pessoa da produtora holandesa tem tudo para vir a competir com aquilo que já foi lançado para o mercado.

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