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Jaspion 'made in Ribeirão Preto' chega ao fim da carreira

Professor de kung fu criou história inspirada em séries japonesas.
Sem patrocínio, episódios deixarão de ser filmados.


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Insector Sun, personagem de Christiano Silva, em "Ribeirão City"


Ribeirão City ficará em paz sem monstros que ameacem o cotidiano dos moradores no último episódio da série Insector Sun. No capítulo, o herói, Insector Sun vai acabar de vez com o seu maior inimigo, o monstro Shaken, e livrar a cidade do mal.

Com lançamento previsto para maio, o 12º episódio será o final da série, iniciada em 2000 pelo professor de kung fu Christiano Silva, de 30 anos. Morador da cidade de Ribeirão Preto, a 313 quilômetros de São Paulo - onde se passa a série -, Silva criou a história de Insector Sun em 1999 ainda em quadrinhos e, um ano depois, decidiu começar a filmá-la e divulgá-la na internet. Agora, nove anos depois está dando um fim à vida do personagem, pois em todo esse tempo nunca conseguiu patrocínio para a série.

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Cada episódio levou três meses para ser filmado


Silva conta que gastou cerca de R$ 1 mil para fazer cada episódio. O dinheiro foi usado para confeccionar fantasias e cenários. Os atores são amigos, alunos de escolas de teatro da cidade e da academia onde ele dá aula de kung fu. Todos atuam como voluntários, sem receber nada pelo trabalho. Até dezembro do ano passado, Silva trabalhava também como webdesigner e tinha uma renda mensal que variava entre R$ 1.000 e R$ 1.500. Agora, só com o emprego de professor, recebe cerca de R$ 500 por mês. Ele mora em um conjunto habitacional com a mãe e tem que ajudar a pagar as contas de casa.

Cada episódio tem duração de 30 a 40 minutos e levou cerca de três meses para ser filmado. Isso porque os atores voluntários só podem atuar nos finais de semana, pois trabalham ou estudam nos dias úteis. É Silva quem filma, edita e divulga o filme.

“Só ganhamos algum dinheiro quando somos chamados para animar festa infantil com os personagens do Insector Sun, mas isso não é o foco do nosso trabalho”, diz, desanimado, o idealizador da série que terá de encerrar as aventuras do herói de Ribeirão City. “Estou triste, frustrado, mas consegui fazer sozinho os 12 episódios. As pessoas patrocinam tanta coisa e não querem investir num filme”, queixa-se. Se encontrar um patrocinador, Silva diz que continua a série.

Quando não está combatendo o crime, o herói brasileiro faz bicos para sobreviver.jpg
Quando não está combatendo o crime, o herói brasileiro faz bicos para sobreviver


O professor conta que teve a idéia de criar a série porque gostava muito dos seriados japoneses como Jaspion e Jiraya e queria fazer algo com características nacionais. O mocinho da série, Kri Lee, por exemplo, não tem emprego fixo e faz bicos para se manter como vários brasileiros. “Ele rala para sobreviver, não é como o Batman que é rico e resolve virar super-herói”, diz. Quando percebe que a cidade está ameaçada ele se transforma em Insector Sun para combater as forças do mal. Além de Shaken, o herói também enfrenta outros inimigos que mudam a cada episódio.

Calor

O nome do personagem, “insector”, foi inspirado no louva-a-deus, um estilo do kung fu, e o “sun” é uma alusão ao forte calor de Ribeirão Preto. Por causa desse calor, as filmagens geralmente são feitas no meio do ano quando o clima na cidade é mais fresco e os atores não ficam suando muito dentro das fantasias.

O mocinho é politicamente correto e não usa armas. Combate seus inimigos com os poderes de seu corpo como a capacidade de dar saltos de até 30 metros, um chute destruidor e um punho solar que dá força ao golpe com a mão. Seu automóvel é a moto insector turbo, que se movimenta sozinha para ir a seu encontro.

O fim da série deve deixar órfão o público infanto-juvenil que sempre acompanhava o episódio nas exibições em Ribeirão Preto e também os adultos que gostaram de ver um jaspion à brasileira. Os trechos dos filmes postados no YouTube foram vistos mais de 30 mil vezes.

Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0 ... REIRA.html