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Já chega de mediocridade!

"Sr. Presidente da Câmara Municipal da Nazaré está rodeado, no seu círculo de apoio mais próximo, por gente medíocre. Trata-se de um conjunto muito pequeno de pessoas que, não conseguindo impor-se pela competência profissional, a qual não têm, dedicam o melhor do seu tempo à coscuvilhice e intriga mais baixa, urdindo na sombra toda a espécie de tramas e tramóias, inventando ou propalando mentiras, com as quais procedem à contínua tentativa de assassinato moral e descrédito profissional de quem tentar aproximar-se do Presidente pelas vias institucionais adequadas.
Assim conseguem obter ganhos operacionais assinaláveis. Com efeito, impondo-se diante de todos os outros pelo terrorismo psicológico, vivem num estado de guerrilha permanente com os restantes serviços da Câmara Municipal, os quais tentam controlar a todo o custo, e muitas vezes de forma ridiculamente caricata.
Não devemos, porém, branquear a responsabilidade do Sr. Presidente neste estado de coisas.
O Sr. Presidente, que não é uma pessoa medíocre, no entanto apoia e incentiva objectivamente este tipo de comportamentos. Dá-lhes força e poder, e mantém essa força e poder intocáveis ao longo dos tempos, quaisquer que sejam as mudanças circunstanciais por que passe a Câmara Municipal.
Provavelmente, dadas as suas continuadas ausências físicas da Câmara, dar-lhe-á jeito esta manutenção em estado de alerta dos “olhos e ouvidos do Imperador” (como diziam os textos antigos). Mas aí comete um erro crasso, estranho numa pessoa com a sua experiência. É que as pseudo-notícias que o abrangente sistema de informações que montou lhe faz chegar, aparecem-lhe sistematicamente deturpadas: em parte por maldade, mesquinhez ou como resultado das pequenas invejas e lutas de poder dos informadores; mas sobretudo por manifesta incapacidade intelectual, da parte destes, de compreender o significado do mundo à sua volta, e as suas mudanças. E, em última análise, a responsabilidade social, moral e política pelos comportamentos mal-formados do seu pessoal de apoio, bem como as consequências de tais atitudes e a imagem que lhes está associada, é inegavelmente do Sr. Presidente.

Tenho a certeza que o Sr. Presidente da Câmara tem clara consciência de tudo isto. Mas nada faz em contrário. Por razões que serão certamente muito poderosas mas que desconheço totalmente, persiste nos erros, apesar de repetidamente alertado para eles, por múltiplas individualidades internas e externas à Câmara Municipal. Na prática, o Sr. Presidente está nas mãos de quem tudo faz para manipulá-lo, e deste modo aceita que a Câmara, em matéria de gestão corrente mas não só, acabe por ser na realidade dominada por quem não foi eleito, e portanto não pode ser politicamente responsabilizado.
Esta situação não é, porém, inultrapassável. Não nos devemos conformar a ficar eternamente reféns de quem não tem direito nem categoria para aprisionar-nos. Não fizemos nada para merecer este destino. Ao contrário do que às vezes ouvimos dizer, a minha experiência demonstrou-me que a esmagadora maioria dos trabalhadores da Câmara Municipal, tanto a nível de chefias como de subordinados, é extraordinariamente competente e dedicada, e se mais não faz, muitas das vezes, é por não ter acesso às necessárias condições materiais, ou porque alguém, por motivos eventualmente inconfessáveis, trata de boicotar nos bastidores o trabalho decidido em público.
A Câmara tem ao seu serviço gente muito boa. Além disso, a Nazaré é uma terra imensamente rica em recursos humanos. Para qualquer lado que nos voltemos – nas artes, no desporto, no jornalismo, na educação, nas actividades práticas ou técnicas, enfim, em todos os campos e em todas as idades – encontramos pessoas de enormíssima qualidade e competência, pessoas que, devidamente motivadas e enquadradas, poderão fazer pela nossa terra muito mais do que lhes tem sido permitido. Temos muita gente que, quando confrontada com a realidade do mundo que aí está, se bate de igual para igual com todos os outros – e tem sucesso. É com toda esta gente, a nossa gente!, que teremos de aprender a contar, se quisermos dar um novo rumo à terra de que tanto gostamos. É preciso chamá-los para a causa pública, voltar a dar-lhes esperança, apelar à sua coragem cívica, é preciso mudar este estado de coisas. Já chega de mediocridade!"

Fonte: http://deixandarobarco.blogs.sapo.pt/58518.html