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Horas trabalhadas na produção industrial despencam 8% em dez

As horas trabalhadas na produção industrial recuaram 8% de novembro para dezembro deste ano, a maior queda desde fevereiro de 2003, quando tem início a série histórica da Confederação Nacional da Indústria (CNI).



As horas trabalhadas são um indicador da CNI que reflete com mais proximidade o nível de atividade da indústria. Em novembro, já haviam recuado 1,7%. Antes disso, a pior queda neste índice havia sido registrada em abril de 2003, com recuo de 1,3% em relação ao mês anterior. Em todo ano de 2008, porém, as horas trabalhadas avançaram 4,8%, por conta dos bons números até setembro, antes da piora da crise financeira.



"[A queda nas horas trabalhadas] é muito forte. Preocupa e preocupa muito", avaliou o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Armando Monteiro Neto. Dados da CNI mostram que os setores que tiveram maior recuo no seu nível de atividade em dezembro foram: materiais eletrônicos e de comunicações, automóveis, couros e calçados e borracha e plástico, entre outros.

Desaceleração intensa

Segundo o presidente da CNI, os indicadores do IBGE mostraram queda de quase 20% na produção industrial nos três últimos meses de 2008. "A desaceleração da economia é mais intensa do que imaginávamos. Isso nos inquieta, especialmente por conta da política monetária [de juros do Banco Central]", avaliou ele.



Segundo sua visão, a política monetária [de redução dos juros] está "atrasada". "O BC está dançando em um ritmo diferente da nossa economia. É preciso fazer um movimento mais ágil para evitar o agravamento desse quadro", disse Monteiro Neto, que pediu uma redução dos juros para um valor abaixo de 10% ao ano (atualmente estão em 12,75% ao ano) ainda no primeiro semestre de 2009.



O presidente da CNI também não poupou os bancos das críticas. Segundo ele, o alto nível dos spreads bancários (diferença entre as taxas que os bancos pagam e aquelas que eles cobram de seus clientes) é um ponto central de estrangulamento do crédito. "O crédito está caro, curto e inacessível para a maioria das empresas", disse.



Ele pediu ainda desoneração das exportações, sua desburocratização e concessão de mais financiamentos ao exportador por conta do anúncio do primeiro déficit comercial mensal desde março de 2001. "Precisamos de uma agenda emergencial para este setor", afirmou.

Acordos coletivos

A forte queda nas horas trabalhadas na produção de novembro para dezembro deste ano acontece em meio à crise financeira internacional, que tem impulsionado o recuo do nível de emprego e o fechamento de acordos coletivos entre sindicatos e trabalhadores para evitar um fechamento maior de vagas.



Os acordos têm envolvido a utilização do banco de horas, no qual a redução de trabalho seria compensada por horas extras posteriormente, além da redução de jornada de trabalho e dos salários, além do anúncio de férias coletivas.



"Parte desse resultado se deve à queda do emprego e a um movimento acima do historicamente registrado de férias coletivas em muitos setores industriais", informou a CNI.

Emprego industrial

O emprego industrial, por sua vez, recuou 0,5% de novembro para dezembro. De outubro para novembro, já havia recuado 0,6%, interrompendo uma série de 31 meses de crescimento. Em todo ano de 2008, porém, o emprego industrial teve elevação de 4%.



"Esse é o segundo recuo consecutivo no emprego. A queda acumulada em dois meses foi de 1,1%. Em apenas uma ocasião, desde 2003, o emprego recuou por dois meses consecutivos: em agosto e setembro de 2005", informa a CNI.



Apesar da perda de dinamismo em dezembro, o emprego ainda continuou crescendo em 15 setores industriais em 2008, frente a 2007", observou a entidade.

Faturamento da indústria

O faturamento da indústria, porém, mostrou recuperação de novembro para dezembro deste ano, depois do forte recuo de 11,1% (dado revisado, pois o informado antes foi de 9,9%) de outubro para novembro. Em dezembro, o faturamento avançou 1,4%. Mas, no acumulado do último trimestre, recuou 10,4%.



"Não imaginamos que esse quadro vá se reproduzir com essa intensidade no primeiro trimestre deste ano. Ainda continua desacelerando, mas em menor intensidade. Devemos ter uma leve recuperação no segundo trimestre deste ano", avaliou Monteiro Neto.



Embalado pelo bom desempenho registrado até setembro do ano passado, antes da piora da crise financeira, o faturamento da indústria avançou 5,7% em todo ano de 2008. Este é o maior aumento para um ano fechado e se assemelha ao registrado no ano de 2004, quando o faturamento industrial subiu 5,6%.

Uso do parque fabril da indústria

O nível de uso do parque fabril da indústria, por sua vez, voltou a cair em dezembro deste ano. Em novembro, estava em 81,4% e, no mês passado, recuou para 80,2%. Este é o nível mais baixo desde abril de 2006 (80,1%).

Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Economia_N ... EMBRO.html