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G1 tenta ‘vender’ carro usado em concessionárias de São Paul

Lojas das principais marcas oferecem 30% abaixo do valor do veículo.
Baixa procura e redução do IPI dificultam aceitação de usado como entrada.


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Loja de usados em SP


Desde que o mercado automotivo entrou em recessão, em outubro, com a primeira queda do ano na venda de veículos novos, o mercado de usados vai de mal a pior. O reflexo, claro, é sentido nas concessionárias. Mas para ver de perto como está a aceitação do usado na troca, o G1 consultou lojas das principais marcas do país e recebeu propostas que variam de R$ 22 a R$ 26 mil.

O carro escolhido para a suposta tentativa de venda foi o C3 GLX 1.4 Flex, da Citroën, ano 2006, avaliado em R$ 32.048 na tabela Fipe. Mas para os concessionários, esse valor não conta mais. O que vale mesmo é a oferta de mercado. E é por este motivo que quem chegar hoje à concessionária e oferecer o usado como entrada, provavelmente voltará para casa sem fechar negócio.

Além da crise, a decisão do governo de reduzir o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), ao mesmo tempo em que deu fôlego à venda de novos, afundou ainda mais a de usados. “Em princípio, todo carro usado é estoque”, diz Jackson Schneider presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

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Feirão de usados


De loja em loja

Na primeira parada, a confirmação de que o momento não é o mais propício para a troca. Em uma concessionária da Fiat, na região do Planalto Paulista, zona sul da cidade de São Paulo, a oferta foi de apenas R$ 22 mil. Segundo um dos consultores de vendas da loja, a proposta já é feita para que o dono do veículo a recuse. “Estamos oferecendo 40% abaixo da tabela para revender 20% abaixo. É para não pegar mesmo. Quem compra usado está fazendo um bom negócio,pois paga quanto quer , diz

E a oferta de uma concessionária para outra pode variar. Em uma das lojas da Peugeot, foi oferecido o mesmo valor da Fiat: R$ 22 mil. Já na segunda, R$ 1 mil a mais. Segundo o vendedor da primeira loja, ultimamente, a condição de aceitar o usado é repassá-lo instantaneamente a revendedoras. “Assim, a gente já se livra do problema”.

A concessionária Vigorito, na Grande São Paulo, que representa a Chevrolet, sabe bem o que é isso. Chegou a ter 1.050 carros em estoque no final do ano passado, quando o volume antes da crise era apenas 550. A empresa traçou um plano e logo esvaziou o estoque, mas ainda assim, sente os reflexos da má fase. “Desde a segunda quinzena de setembro estamos operando no vermelho”, diz Fábio Hiratoni, diretor da concessionária.

As avaliações continuam e, em uma das concessionárias da GM são oferecidos R$ 22.500 pelo C3. Em uma loja da Renault, o vendedor diz que pagaria entre R$ 23 e R$ 24 mil pelo carro. Enquanto isso, em uma concessionária da Citroën, o veículo de mesma marca também não é aceito de braços abertos, mas sim de mãos fechadas. Mais uma oferta de R$ 24 mil.

O dia termina com a ligação de uma loja da Volkswagen na região do Morumbi, zona sul da capital. A proposta de R$ 26 mil põe fim à saga, mas não ao problema. É hora de correr em busca de outras alternativas, como lojas multimarcas, anúncios e feirões de usados em meio à cansativa lei da oferta e da procura.

Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Carros/0,, ... PAULO.html