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França vs. Burca

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A França está a lançar um debate sobre a proibição do uso da Burca por parte das mulheres muçulmanas radicadas no país.
O presidente francês, Sarkozy, veio condenar o uso da Burca, que considera não um símbolo religioso mas "um sinal de subserviência, um sinal de rebaixamento", que "não é uma questão religiosa" e "tem a ver com a liberdade e a dignidade da mulher".
É uma questão muito controversa, que vai ser discutida dentro de pouco tempo no parlamento francês.
Noutros países esta questão não se discute muito, apesar de alguns países como a Alemanha, Reino Unido e outros também terem muitos imigrantes muçulmanos. Mas na França discute-se porque é talvez o país mais laico da Europa, mas não só. Penso que também o fazem porque a direita pretende lançar o choque civilizacional sobre o mundo muçulmano.
Todos estamos de acordo (á excepção dos muçulmanos radicais) que as Burcas são um símbolo retrógrado da opressão dos homens sobre as mulheres. Mas proibir as muçulmanas de usa-los é comprar uma guerra desnecessária, estimular o ódio interreligioso e pior que tudo isso, atentar contra a liberdade individual que as democracias europeias tanto defendem.
Nenhum país europeu, nem mesmo a França, proíbe pessoas de andarem na rua com crucifixos e outros símbolos religiosos nas ruas. Logo porque haveriam de proibir as Burcas? As Burcas são simultaneamente um símbolo religioso e um sinal de subserviência, ao contrário do que diz Sarkozy.
Existe um grande estigma acerca das Burcas. Em quase todas as imagens de Burcas que vimos, observam-se mulheres cobertas de cima abaixo por um pano, com apenas uns minúsculos furos na zona da cara (não vá a pobre senhora ficar sem respirar), mas a verdade é que este tipo de Burcas só se usam em lugares totalmente controlados pelos extremistas muçulmanos, como é o caso do Afeganistão, e em zonas mais conservadoras de países como a Arábia Saudita. As outras Burcas, especialmente as Que vemos na Europa, cobrem apenas o cabelo das mulheres e não a cara e tudo o resto.
Uma coisa é proibir a existência de símbolos religiosos (incusivé vestuário) de qualquer religião ou crença em edifícios públicos (ao qual sou inteiramente a favor), outra é algo que pouco tem de laicismo é sobretudo autoritário que é proibir o uso de indumentária religiosa na rua ou em propriedades particulares. Aí já cabe a cada um.
Por isso, tudo me leva a crer que esta guerra contra a Burca é uma guerra da direita cristã francesa contra os muçulmanos.
Se um muçulmano decidisse andar na rua com uma t-shirt com mensagens de ódio ao cristianismo, aos muçulmanos moderados, aos ateus ou a homossexuais, por exemplo, aí já não seria algo que a meu ver devesse ser permitido, porque não se trata de exercer o direito á liberdade religiosa mas sim a promover o ódio entre religiões, e portanto nesse ponto, a liberdade acaba pois a liberdade tem limites sempre que ataca a liberdade dos outros.
Podemos não concordar mas não devemos proibir. Nenhum crime está a ser cometido.