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Foguete VSB-30 é lançado com sucesso da Base de Alcântara no

O foguete de sondagem VSB-30 decolou com sucesso nesta quinta-feira (19), do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. Era o último dia na janela prevista pelos coordenadores da operação para a realização do procedimento.

O vôo estava planejado originalmente para acontecer no dia 11, mas foi adiado por dias sucessivos pelo excesso de ventos. A decolagem aconteceu às 12h13 (horário de Brasília), e a queda no mar do módulo de carga útil aconteceu cerca de 20 minutos depois. As equipes agora se preparam para detectar o sinal localizador do que sobrou do foguete para resgatá-lo no mar. O procedimento pode levar até duas horas.

O foguete foi ao espaço levando nove experimentos brasileiros, um deles em parceria com uma Universidade Alemã. As experiências foram recrutadas pelo Programa Microgravidade, que tem por meta fomentar a realização de pesquisas em ambiente de aparente ausência de peso. Alguns dos estudos selecionados são continuações dos que foram conduzidos pelo astronauta Marcos Pontes na Estação Espacial Internacional (ISS), em 2006.

Dois institutos participam do projeto, denominado Sistema Dinâmico de Vôo: o IAE (Instituto de Aeronáutica e Espaço), mesma instituição que desenvolveu a base de todos os foguetes brasileiros, e o IEAv (Instituto de Estudos Avançados), ambos localizados em São José dos Campos, interior de São Paulo.

Confira cada um dos experimentos:

Efeito da microgravidade na cinética de enzimas

(FEI - Faculdade de Engenharia Industrial)

Esse sistema tem por objetivo observar como uma certa substância que estimula a produção do açúcar frutose atua num ambiente de aparente ausência de peso. A idéia é que os cientistas aprendam como aperfeiçoar o rendimento dessas reações em terra, uma vez que elas têm ampla aplicação para as indústrias alimentícia e farmacêutica. Esse experimento é uma continuação de um outro similar, realizado pelo astronauta Marcos Pontes na Estação Espacial Internacional em 2006.

Danos e reparos do DNA em microgravidade

(Uerj - Universidade Estadual do Rio de Janeiro; Inpe - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)

O único dos experimentos a levar uma colônia de bactérias, ele tem o objetivo de testar como o sistema natural de reparação do DNA, molécula que abriga o código genético, reage em condições de microgravidade. O teste dá prosseguimento a um experimento similar, realizado pelo astronauta Marcos Pontes na Estação Espacial Internacional em 2006. A pesquisa é importante para compreender os riscos que correm os viajantes espaciais durante longas estadias fora da Terra.

Modulação da velocidade de propagação de ondas de reação-difusão (B-Z) em meio gel por forças fracas (gravidade)

(Ipen - Inst. de Pesq. Energ. e Nucleares (Ipen) e Univers. de Hohenheim, Alemanha)

Por trás do nome complicado, o experimento desenvolvido conjuntamente por cientistas brasileiros e alemães tem por objetivo estudar a influência da gravidade nos padrões de ondas gerados por compostos químicos ligados ao funcionamento do sistema nervoso central. Os pesquisadores esperam que os resultados ajudem a elucidar alguns dos mistérios por trás de males tão comuns quanto uma enxaqueca e tão complexos como amnésia e epilepsia.

Forno multiusuário para solidificação (Formu-S)

(Inpe - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)

O Formu-S é um dispositivo que é usado para solidificar amostras de até 10 mm de diâmetro e 80 mm de comprimento. Desenvolvido pelo Inpe para vôos em foguetes de sondagem, ele vem a suprir a demanda para experimentos que precisem de aquecimento.

Minitubos de calor

(UFSC - Univ. Fed. de Sta Catarina; Labsolar - Lab. de Energia Solar e Núcleo de Controle Térmico para Satélites)

O experimento é uma tentativa de validar um conceito para uso em refrigeração de sistemas espaciais, como satélites. Os minitubos são usados como uma forma de transportar o calor e distribuí-lo por igual, protegendo os componentes internos que precisam de controle de temperatura. Um experimento semelhante foi conduzido pelo astronauta Marcos Cesar Pontes na Estação Espacial Internacional, em 2006.

Difusão térmica de nanopartículas metálicas em materias vítreos

(Ufpe - Universidade Federal de Pernambuco)

O experimento irá "construir" um material nanoestruturado, ou seja, composto por partículas diminutas de escala da ordem de milionésimos de milímetro, e verificar qual é o efeito da aparente ausência de gravidade em processos usados na Terra para a engenharia de materiais, com o objetivo de aperfeiçoá-los.

Computador de bordo para o reconhecimento dos vôos de foguetes de sondagem

(UEL - Universidade Estadual de Londrina)

O sistema desenvolvido pelos pesquisadores da UEL será útil porque traçará um perfil das acelerações a que a carga útil é submetida ao longo de todo o vôo. Com isso, será permitido avaliar com precisão qual foi a "qualidade" do ambiente de microgravidade obtido durante a missão.

Evaporadores capilares (CEM)

(UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina)

Esse é um segundo experimento que tem por objetivo testar mecanismos de fornecer controle de temperatura em satélites. Atualmente, esses sistemas de refrigeração para artefatos espaciais brasileiros são adquiridos no exterior. A idéia é conseguir desenvolver tecnologia própria de controle térmico. Um experimento semelhante a esse foi conduzido pelo astronauta Marcos Cesar Pontes na Estação Espacial Internacional, em 2006.

Sistema Dinâmico de Vôo (SDV)

(IAE - Instituto de Aeronáutica e Espaço; IEAv - Instituto de Estudos Avançados)

Esse experimento tem por objetivo testar uma tecnologia nacional para o controle de guiagem de veículos espaciais. Atualmente, esse é o calcanhar-de-aquiles do programa de foguetes brasileiro, que precisa de giroscópios importados para controlar seus veículos -- inclusive o VLS-1. O projeto visa testar uma alternativa nacional, comparando-a com o sistema estrangeiro que controlará o vôo do VSB-30.

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