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Filmes de horror conquistam seu espaço em Cannes

Gênero está em alta no festival.
Baixo orçamento dos filmes garante retorno financeiro aos investidores.


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Charity Glick


Cannes não é só brilho e glamour. Para muitos distribuidores e produtores, o festival significa sangue e entranhas. No frenético mercado de filmes de Cannes, a indústria se movimenta em torno de filmes como “Massacre no motor home” e “Cadaverella”, alimentando o insaciável apetite pelo choque e horror.

E não são apenas os distribuidores voltados para nichos de mercado – quase todo mundo tem um ou dois filmes de horror para oferecer, variando de títulos como “Horror em Loch Ness – ela está de volta... e está faminta” a “Granjageist: a noite dos frangos mortos”.

“Houve uma revolução no gênero”, diz Richard Walker, produtor da Night Light Films, baseada em Los Angeles. O horror, gênero que tinha pouca reputação, agora virou popular e até intelectual. “Death proof”, de Quentin Tarantino – uma homenagem aos filmes B dos anos 70 – está competindo pelo prêmio máximo em Cannes, a Palma de Ouro, contra filmes com conteúdo mais artístico ou com consciência social.

O estúdio independente Lions Gate tem tido grande sucesso nas bilheterias nos últimos anos com filmes de horror de baixo orçamento como “Jogos mortais” – que gerou ainda duas seqüências – e “O albergue”. O catálogo da Lions Gate continua crescendo com filmes como “Midnight meat train”, "The Burrowers", e o inevitável “Jogos mortais IV”.

Outros estúdios têm seguido a fórmula à risca graças ao potencial retorno financeiro. “O albergue” custou menos de US$ 5 milhões para ser feito, mas arrecadou mais de US$ 80 milhões no mundo todo.

“Há alguns anos, você não conseguia vender filmes de terror. Ninguém estava interessado”, disse Scott J. Jones, presidente da agência Artist View Entertainment, de Los Angeles. “Agora é um gênero muito forte.”

A recente popularidade do gênero não surpreende Darrin Ramage, presidente da produtora e distribuidora Brain Damage Films. A baia da empresa em Cannes estava enfeitada com cartazes de filmes como “Zumbis do pântano”, “Fábrica da morte” e outros títulos encharcados de sangue.

“Todos os gêneros são cíclicos”, afirmou Ramage. “Há quatro anos, ação era o mais popular. Você passava pelos corredores do festival e tudo o que você via eram cartazes de filmes de ação. Eu estou no ramo há tanto tempo que já vi o terror subir e descer umas três vezes.”

Muitos se perguntam se acontecimentos trágicos na vida real podem diminuir o apetite por filmes sangrentos. O debate sobre os efeitos dos filmes violentos foi reaberto pela fotos do estudante coreano Cho Seung-hui, que matou 32 pessoas e depois se matou, no último dia 16 de abril, na universidade Virginia Tech, com poses que lembravam cenas do violento – e ganhador do prêmio do júri em Cannes – “Oldboy”.

A Lionsgate foi criticada pela série de anúncios para “O albergue II”, cujo enredo mostra o horripilante destino de estudantes universitários, mas manteve os planos de lançar o filme no mês que vem.

Há sinais, no entanto, de que o mercado dos filmes de horror possa estar saturado. Alguns distribuidores afirmam estar encontrando dificuldade este ano em Cannes.

A era digital mudou a maneira de as pessoas consumirem entretenimento – cada vez mais, ilegalmente, pela internet – e o excesso de conteúdo tornou os compradores mais seletivos.

Mas velhos profissionais como Ramage estão confiantes de que, qualquer que sejam os caprichos do mercado, o gênero vai resistir. Os fãs do horror, disse Ramage, estão à procura de duas coisas: “M e M: mortes e mulheres.”

“Para saciar o apetite dos fãs é preciso bem mais do que Hollywood pode entregar.”

Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Cinema/0,, ... 86,00.html