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FAB encontra mais destroços do AF 447 no Atlântico

BRASÍLIA (Reuters) - Aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) encontraram nesta quarta-feira novos destroços do jato da Air France que desapareceu no Atlântico com 228 pessoas a bordo, após a confirmação de que a aeronave caiu no mar durante o trajeto Rio-Paris.

A primeira das cinco embarcações da Marinha que seguem para o local onde foram visualizados os restos do avião chegou nesta manhã, mas não havia identificado nenhum dos destroços avistados.

"Uma aeronave R-99 da Força Aérea Brasileira (FAB) identificou às 03h40 (horário de Brasília), mais quatro pontos de destroços, 90 quilômetros ao sul da região inicialmente coberta pelas aeronaves da FAB", afirmou a FAB.

A tripulação a bordo do R-99 observou vários objetos espalhados numa área circular de 5 km de raio, entre eles um objeto de 7m de diâmetro e outros 10 objetos, sendo alguns metálicos, além de uma mancha de óleo com extensão de 20 km.

De acordo com a FAB, outras cinco aeronaves militares -- três Hércules, um P-3 dos EUA e um Falcon francês -- decolaram de Natal com destino à área de buscas para percorrer os quatro novos pontos identificados.

"Com relação a esse tamanho de peça de 7 metros, considerando-se um avião, pode ser uma lateral, um pedaço de asa, pode ser qualquer parte da fuselagem da aeronave, pode ser da cauda. Um pedaço de 7 metros, aparentemente metálico, é um pedaço considerável", disse a jornalistas o coronel Jorge Amaral, vice-chefe do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica.

O coronel acrescentou que não foram avistados corpos nem sinais das caixas-pretas.

Os motivos da queda ainda estão sem respostas, que parecem muito distantes uma vez que são remotas as chances de se encontrar as caixas-pretas no fundo do mar a mais de 3.000 metros de profundidade, de acordo com especialistas.

O avião da Air France passou por forte turbulência quatro horas após decolar do Rio, e 15 minutos depois enviou uma mensagem automática reportando problemas elétricos e despressuirização.

"Eu ainda continuo achando que esse avião foi danificado estruturalmente por turbulência violenta, um vento convexo. Daí para frente o piloto tentou corrigir isso e nem Deus vai saber o que aconteceu", disse à Reuters o brigadeiro da reserva José Carlos Pereira, ex-presidente da Infraero.

"Cinco quilômetros é uma área muito pequena para os destroços. Ele caiu muito concentrado, mas a destruição foi total. A concentração dos destroços mostra que a fuselagem rompeu completamente, mas uma asa pelo menos estava intacta", acrescentou, referindo-se à faixa de 5 km em que foram vistos os destroços do Airbus A330 por aviões da FAB.

De acordo com o brigadeiro, a faixa de 20 km de óleo avistada pela FAB mostra que pelo menos uma das asas teria batido inteira no mar, já que os tanques de combustível ficam nas asas e o combustível teria se dispersado caso a asa tivesse sido destruída no ar.

Paul Louis Arslanian, chefe da agência de investigação de acidentes aéreos da França, demonstrou pessimismo sobre as chances de se encontrar as caixas-pretas e acrescentou que o inquérito sobre o acidente pode não revelar todas as razões para a queda do avião.

"Não posso descartar a possibilidade de que podemos acabar com um relatório relativamente insatisfatório em termos de certezas", disse Arslanian a repórteres. "Mas vamos fazer o nosso melhor para limitar a incerteza", acrescentou.

As caixas-pretas são feitas para enviar sinais de localização por até 30 dias quando estão na água.

NAVIO NA REGIÃO

O navio patrulha Grajaú chegou na área de buscas pela manhã. "Mas ainda não teve identificação visual com nenhum material", informou o centro de comunicação da Marinha.

Ainda nesta quarta-feira deve chegar à região a corveta Caboclo, que será usada nas buscas e no reabastecimento do navio patrulha Grajaú. Na quinta-feira é esperada a chegada de mais uma embarcação da Marinha, o que deve se repetir na sexta-feira e no sábado com mais duas embarcações.

Um navio francês equipado com um submarino não-tripulado que pode explorar a até 6.000 metros de profundidade também está a caminho do local e vai tentar localizar as caixas-pretas, que podem ajudar a descobrir as causas do desastre.

De acordo com a Marinha, dois navios mercantes também estão no local --um holandês e um francês-- e ajudam na operação. A visibilidade na região onde são feitas as buscas é regular e as chuvas são esparsas. Um terceiro navio mercante que estava no local pediu para deixar a área por falta de combustível.

A confirmação de que as primeiras partes do Airbus A330 foram encontrados foi dada pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, na tarde de terça-feira, após reunir-se no Rio com familiares dos passageiros Airbus que fazia o voo AF 447.

Os militares brasileiros, que entraram no 3o dia de buscas, prosseguem a operação na área em que foram encontrados os primeiros destroços, a 150 quilômetros do local onde o Airbus A330 enviou a mensagem automática quatro horas após decolar na noite de domingo.

O voo AF 447 tinha 216 passageiros de 32 nacionalidades, incluindo sete crianças e um bebê. Segundo a Air France, 61 eram franceses, 58 brasileiros e 26 alemães. Dos 12 tripulantes, um era brasileiro e os demais franceses.

(Reportagem adicional de Pedro Fonseca e Rodrigo Viga Gaier no Rio de Janeiro; Eduardo Simões em São Paulo; e Crispian Balmer em Paris; Edição de Maria Pia Palermo)