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Efeitos retardados da Guerra Fria

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Nos últimos dias o conflito entre as duas Coréias, que povoa o noticiario internacional já há alguns anos, tomou proporções de tensão somente vistas no começo dos anos de 1950 quando o conflito armado eclodiu matando aproximadamente 3 milhões de coreanos de ambos os lados, além de soldados das Nações Unidas enviados para promover a retomada de Seul, capital sul-coreana invadida pelo exército do norte.

Em verdade a atual tensão entre as duas Coréias mistura elementos atuais e questões mal resolvidas, decorrências retardatárias da Guerra Fria e mesmo do neo-colonialismo europeu.

Em geral há duas correntes de interpretação da chamada “Guerra Fria”. A primeira delas, mais conhecida do público em geral, defende que a guerra política, econômica, ideológica entre o bloco capitalista e o bloco socialista realmente tinha potencial para descambar para um conflito armado de proporções inimagináveis, o qual, muito provavelmente, acabaria com a vida humana na Terra tal como a conhecemos. A segunda corrente de interpretação, defendida pelo historiador inglês Eric Hobsbawm, diz que - na realidade - a Guerra Fria, por ser regulada por arsenais nucleares equivalentes (o que gerava o que se chamou de Garantia de Destruição Mútua, GDM), jamais teve chance de se concretizar, o que levou as duas grandes potências, União Soviética e Estados Unidos, a deslocarem os conflitos para as periferias do mundo, financiando guerrilhas, exércitos, milícias, etc.

De fato, tanto na Coréia quanto mais tarde no Vietnã, foi esse quadro que se viu e que “financiou” o conflito armado. No pós II Guerra Mundial ambos os blocos não mediram esforços para aumentar suas áreas de influência, mas sem se comprometer oficialmente. O norte da Coréia, que faz divisa com a China, foi fortemente influenciado pela presença dos comunistas, ao passo que o sul sofreu pressão estadosunidense. Em 1950 o conflito entre as duas áreas - a socialista e a capitalista - estourou com um rápido avanço do exército do norte que tomou Seul. Liderados pelos EUA tropas da ONU desembarcaram na península (naquela época tropas das Nações Unidas se envolviam em combates diretos, coisa que foi abolida posteriormente, por isso hoje chamadas de “tropas de paz”). O contra-ataque conseguiu empurrar o exército socialista de volta para o norte e consolitar a linha do Paralelo 38 como área de separação das tropas inimigas.

Os soldados dos EUA e da Grã Bretanha tentaram avançar sobre o norte, mas foram rechaçados pela intervenção dos chineses e soviéticos, sustentando as tropas norte coreanas. Diante disso criou-se um impasse no qual nenhum dos dois lados tinha forças suficientes para garantir a vitória sobre o adversário. Dois anos depois, em 1953, as duas Coréias assinaram um cessar-fogo, mas a guerra efetivamente jamais foi declarada encerrada.

Parte dessa política no sudeste asiático foi promovida pela intervenção de nações européis ao longo dos séculos XVIII, XIX e começo do XX, naquilo que conhecemos como “neo-colonialismo”. Mesmo processo que levou a ocupação da Índia, da Birmânia, do Camboja. Essa presença européia acentuou - via de regra - os antagoniosmos regionais, os quais existiam por si só. Grupos de adesão aos europeus e outros de resistência passaram a se confrontar diretamente e assim se mantiveram mesmo depois da saída dos colonizadores, processo que se encerrou em grande medida justamente com a II Guerra Mundial.

Por isso os grupos antagônicos passaram a se alinhar com socialistas ou capitalistas, muitas vezes por pura conveniência material: quem oferecesse melhores recursos recebia a adesão. Esse movimento, aliás, também ocorreu com as nações africanas.

Essa tensão se arrastou durante décadas e perdeu força quando no período entre 1989 (a queda do muro de Berlin) e 1991 (fim da União Soviética) o chamado mundo “bipolar” se tornou muito mais complexo, com infinitos atores no cenário. Na Europa o socialismo deixou em grande medida de ser um adversário e muitas naçõe spuderam se reconciliar depois de décadas (é claro que outras implodiram depois do fim da força que as mantinha unidas desapareceu, como foi o caso da Tchecoslováquia e da Iugoslávia).

Mas, no oriente, a presença da China manteve ainda resquícios dessa bipolaridade, até memso porque se os elementos ideológicos perderam força o antagonismo econômico entre China e EUA ganhou, o que fez os orientais manterem sua política de braço forte na região.

Mas, no caso da Coréia do Norte, há ainda motivos recentes, criados depois dos eventos da Guerra Fria. A manutenção de líderes políticos obtusos, num país sem democracia e que investiu mais dinheiro em armamento do que em educação criou um paradoxo diante do vizinho do sul, o qual se tornou uma potência econômica, com níveis altíssimos de instrução e cidadania. Por mais absurdo que isso possa parecer o conflito entre as duas Coréias é um conflito também entre dois países que estão em “tempos” distintos de existência: um luta para desenvolver tecnologia avançada, o outro para ter petróleo e alimento. É como a cena do exército comunista chinês sendo recebido pelos resistentes tibetanos armados com lanças.

Mas, sabendo disso, os líderes norte-coreanos adotaram uma língua que todos entendiam bem nas décadas de 1950, 1960, que é o “atomiquês”, e que naquela época funcionava.

É claro que o desafio explícito dos norte-coreanos à ONU e a quase toda comunidade mundial também se assenta no conhecimento do fracasso da política internacional dos EUA nos últimos dez anos, a qual colecionou fracassos um atrás do outro (Afeganistão, Somália, Iraque). Também se fundamenta no fato de que as potências que tem mais poder e influência desrespeitam as regras que querem que os outros cumpram, tal como os EUA desrespeitaram o Conselho de Segurança da ONU ao invadir o Iraque e Israel desrespeita ao não cumprir nem uma única resolução do mesmo órgão nas últimas três décadas. Mas poderíamos ainda acrescentar a França, que realizou testes nucleares há poucos anos na Polinésia, ou o governo inglês que apoiou os EUA em todas as circunstâncias, ou o Japão, que depois de cinquenta anos de pacifismo, decidiu se “empanar” com os estadosunidenses na aventura iraquiana, situação absolutamente chocante.

No final das contas o que vemos é um país miserável empregando as mesmas manobras que as grandes potências usaram até hoje e a única línguagem que crêem que os faça serem ouvidos. Infelizmente que mais pagará por isso são so vizinhos do sul em especial, e a humanidade como um todo.


Fonte: http://colunistas.ig.com.br/indianasilv ... erra-fria/


 
 

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