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Dólar sobe mais de 5% em um único dia no Brasil

Dólar sobe mais de 5% em um único dia no Brasil
Só nos últimos dois meses, a valorização da moeda americana chegou a quase 50%. Algumas exportadoras brasileiras tiveram enormes prejuízos com a rápida subida do dólar.



A cotação do dólar atingiu R$ 2,31, um aumento de mais de 5% em relação ao fechamento de segunda-feira. Só nos últimos dois meses, a valorização da moeda americana chegou a quase 50% e a subida provocou prejuízos imensos para muitas empresas brasileiras.

O início do pregão na Bolsa de Valores foi animador. Parecia que esta terça-feira seria um dia de recuperação de perdas. Em meia hora, o índice subiu 2,46%, mas a alegria durou pouco. Outra meia hora e a bolsa já operava em menos 1,6% e se manteve no negativo até fechar em queda de 4,66%.

O dólar subiu 5,05% e fechou em R$ 2,311. Em pouco mais de dois meses, a moeda americana subiu 48%.

Um dólar mais caro é bom para quem exporta porque cada dólar exportado rende mais reais aqui dentro. Mas, no mundo financeiro, nem sempre é assim. Algumas exportadoras brasileiras tiveram enormes prejuízos com a rápida subida da moeda americana. É que elas estavam apostando na continuidade da queda do dólar e armaram operações financeiras no chamado ‘mercado futuro’.

Um exemplo fictício de uma empresa que exporta US$ 2 bilhões por ano. Em agosto, com medo de o dólar cair, ela combina no mercado a venda de US$ 2 bilhões a uma taxa de câmbio de R$ 1,65 no prazo de um ano.


É uma proteção. Se o dólar cair para R$ 1,50, por exemplo, ela não terá prejuízo. Pelas regras do mercado futuro, o comprador dos dólares terá que pagar a diferença entre a taxa real e a taxa contratada.

Mas o dólar subiu e, nesse caso, quem tem que pagar a diferença é a exportadora. Quando o dólar atingiu a marca de R$ 2, a exportadora já estava tendo um prejuízo de US$ 424 milhões.

A empresa poderia recuperar o prejuízo com a venda de seus produtos lá fora agora com um dólar mais favorável. Mas algumas exportadoras quiseram ter lucros financeiros fáceis e fizeram contratos de câmbio muito acima do valor de suas exportações. E assim, não dá para compensar.

“Essa operação é indicada para proteger a empresa, não para ela ter ganhos ou prejuízos adicionais. Ou seja, ela faz um seguro para parte operacional dela. Algumas empresas resolveram também especular. Aí que houve problema”, explica o economista Celso Boim Júnior.


FONTE http://jornalnacional.globo.com/Telejor ... RASIL.html