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Dicas de Hifenização no Português

O hífen sempre foi um traço de desunião entre o usuário do português e a grafia correta dos nomes compostos. Nunca se sabia quando o prefixo tornava-se amigo inseparável da palavra a que se antepunha ou seu inimigo figadal. O próprio Celso Luft, já falecido, autor do Guia Ortográfico, disse certa vez que tinha sido o ponto mais difícil de regulamentar o uso. Bem-vindo ou benvindo? Hifenizar ou não, eis a questão!

Aqui no Recife, o professor Nestor Acioli criou uma série de quadrinhas que se formavam indeléveis na mente de seus alunos. Deu para resolver o problema de quem tinha boa memória. Mas agora, com a reforma da Língua Portuguesa, muito do que foi decorado irá mudar e com isto a hifenização torna-se uma infernização.

O lingüista Gomes de Matos celebrou a mudança também em quadras. “Hifenar ou não-hifenar? / O importante é conectar / O processamento facilitar / E o significado priorizar / Se o uso do hífen parece atrapalhar / Exerçamos o direito de simplificar / Mas cumpramos nosso dever de observar / No Português Padrão o que é exemplar.”

Além disso, como exímio falante do inglês, avisa que, no idioma de Shakespeare, milhares de hífens já saíram de uso e outros estão ameaçados de cair. “Os poetas, que amam o hífen, para colorir este mundão sem graça, estão uma fúria. Acabou-se, ao menos para o Oxford, a “copper-coloured-hair” e o “rosy-fingered-dawn”. E por aí afora. Uma tristeza. Resta o consolo de saber que não haverá multa ou prisão para quem não seguir o que é apenas sugestão e não lei do Oxford”.

Segundo Ivan Lessa, a pedra angular da reforma ortográfica é o hífen: “O tracinho deve ser mantido nas palavras compostas, mas deve ser chutado para escanteio, quando se perdeu a noção de composição. Antes de H e com vice e vizo continua como ponte. As crises passam e o hífen permanece.”

O português é a quinta língua mais falada no mundo. Cerca de 210 milhões de pessoas praticam a língua de Camões. O português tem duas grafias oficiais, o que dificulta o estabelecimento da língua como um dos idiomas oficiais da Organização das Nações Unidas, a ONU, coisa que nos é indispensável. Segundo acadêmicos e congressistas brasileiros, uma ortografia-padrão facilitaria o intercâmbio cultural entre os países que falam o português, a saber, a Comunidade dos Países da Língua Portuguesa, ou CPLP.

Esta Comunidade é composta por oito países: Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe (os dois são um só) e Timor Leste (o Timor Oeste está noutra). Há um argumento segundo o qual os livros, principalmente os científicos e didáticos, circularão então livremente entre os países, sem necessidade de revisão, como já acontece em terras onde o espanhol é falado e cantado em tango, bolero, rumba e escritos do Gabriel Garcia Márquez. Argumenta-se que a padronização do ensino do português será muito bem-vinda para o mundo lusófono.

As mudanças na hifienização/infernização podem ser assim resumidas:
• O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos terminados em vogal + palavras iniciadas por “r” ou “s”, sendo que essas devem ser dobradas;
• O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos terminados em vogal + palavras terminadas por outra vogal;
• Utiliza-se hífen quando a palavra é formada por um prefixo terminado em vogal + palavra iniciada pela mesma vogal.

Mas o uso do hífen permanece:
• Em palavras formadas por prefixos “ex”, “vice”,”soto”;
• Em palavras formadas por prefixos “circum” e “pan” + palavras iniciadas em vogal, M ou N;
• Em palavras formadas com prefixos “pré”, “pró” e “pós” + palavras que tem significado próprio;
• Em palavras formadas pelas palavras “além”, “aquém”, ’recém”, “sem”;
Porém, não existe mais hífen:

• Em locuções de qualquer tipo (substantivas, adjetivas, pronominais, verbais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais).

• a noção de composição

Embaralhou tudo! Acho que precisamos urgente de novas quadrinhas para nos orientar.

Fonte:: http://pe360graus.globo.com/educacao/ed ... ZACAO.aspx