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Dicas de Escrita dupla no Português

Uma nova ortografia será tornada oficial, em breve, uniformizando a escrita da Língua Portuguesa nos dois lados do Atlântico. O que deve ser lembrado, no entanto, é que esta nova ortografia entrando em funcionamento, não tornará a atual obsoleta. Durante algum tempo funcionarão, lado a lado, ambas as formas, até que o usuário se familiarize e que a atual seja banida.

Os usuários mais antigos certamente nunca dominarão por completo as novidades, porém os mais novos, sobretudo os que estarão a se alfabetizar daí em diante, isto é, os leitores do futuro, dominarão facilmente a nova forma.

As mudanças ortográficas no Brasil são poucas e atingem apenas 0,5% dos termos. Em Portugal, atingirão 1,7% dor termos, pelo fato de incluir a queda das consoantes mudas: adoptar, baptismo, redacção e activa. Facto e fato que denominam coisas diferentes, o primeiro sendo sinônimo de episódio e o segundo de terno ou paletó, permanecerão diferenciadas pela permanência do c no primeiro.

As regras mais relevantes referem-se à acentuação, já que a volta do K, W e Y ao alfabeto oficial não nos incomoda, nem traz dificuldades: nunca as deixamos de usar.

O trema cairá, no português do Brasil (lingüiça/lingüiça), já que no português europeu foi para a guilhotina há muito tempo.

Os ditongos abertos como assembléia e jibóia não serão mais acentuados, o que poderá levar, no futuro, os falantes do sul do Brasil a pronunciarem o O e o E fechados. Os hiatos ôo (vôo) e êe (crêem) perdem seus chapéus. Mas a cabeça descoberta de ambos não modificará certamente a pronúncia.

Também perderão seus enfeites que as diferenciam para/pára, pelo/pêlo, pera/pêra e pela/péla. Permanecem diferenciados com os devidos chapéus pode/pôde e por/pôr.

A letra U em verbos pouco usados e tempos e pessoas menos ainda terá seu acento banido pela lei. Argúi, obliqúe, enxagúe, apazigúe e averigúe, que sempre nos foram estranhos, vão ficar com a aparência ainda mais suspeita. baiúca, boiúna e feiúra vão jogar para o espaço o acento que não faz falta.

Só em um aspecto a grafia permanecerá quase tão complicada quanto antes: o hífen continuará a nos infernizar com suas regras de difícil compreensão, para serem memorizadas sem o apoio da lógica.

Fonte: http://pe360graus.globo.com/educacao/ed ... DUPLA.aspx