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Darwin, um homem a frente de nosso tempo

Amanhã, 12 de fevereiro, comemora-se duzentos anos do nascimento de Charles Darwin, o pai da Teoria da Evolução e provavelmente o cientista mais importante e discutido de todos os tempos. Dezenas de atos e homenagens são preparadas por todo o mundo para comemorar o aniversário. Evolucionistas e criacionistas afiam suas armas dialéticas para continuar o debate.

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Com sua teoria da evolução, Darwin criou uma das maiores polêmicas da história. Tanto que persiste até hoje, 150 anos depois. Ainda mais num país religioso como o nosso onde a igreja conspira contra o ensino da teoria nas escolas de primeiro grau, motivo pelo qual as pessoas ainda se equivocam ao comparar descendência com ancestral comum.

As opções de carreira que Charles Darwin tentou seguir estão interligadas, de teólogo e médico a naturalista. Seu pai queria que ele fosse religioso ou médico como ele. Mas o grande interesse de Darwin era mesmo a biologia.

Até então, a única teoria existente sobre a origem da vida era a criação divina, a históoria de Adão e Eva contada no Gênesis. Na época de Darwin, início do século XIX, criou-se o cisma entre religião e ciência já que para os religiosos o criacionismo era um dogma (continua sendo para muitos) e até ali ninguém teve a coragem de desenvolver qualquer teoria que pudesse afrontar a teoria religiosa.

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Essa foi uma das causas da longa espera de Darwin para publicar sua teoria. Ele viajou aos 22 anos, voltou aos 27, inclusive morou no Brasil e na Argentina, e só publicou "A origem das espécies" aos 50 anos de idade. Durante mais de 20 anos ele ficou refletindo, contra-argumentando, aprimorando seus conhecimentos. Foi exatamente isso que deu grande consistência ao seu trabalho.

Darwin tinha medo da reação que sua teoria poderia causar, tanto que no livro, em nenhum momento ele diz de forma taxativa que o homem evoluiu, mas a progressão na leitura mostra evidências que levam o leitor a chegar a essa conclusão”.

Darwin, criado no seio de uma família muito religiosa, sofreu muito com isso. Sentia-se um traidor e viveu um grande conflito entre o que acreditava e sua descoberta. Só que ele sabia que não era só ele que estava procurando caminhos naturalistas. As idéias materialistas avançavam, principalmente no campo filosófico. A grande mudança e a importância de Darwin é que, enquanto os filósofos especulavam sobre o assunto, ele buscou construir os caminhos na natureza com uma realidade concreta no processo de evolução que ele defendia.

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Simplesmente ao dizer que os animais e as plantas passaram por um processo de diversificação e que havia uma competição, uma seleção natural, Darwin colocava em xeque tudo aquilo que pregava o cristianismo. Alguns estudiosos de sua vida acreditam que a contradição entre ele ser uma pessoa com uma forte formação religiosa e ao mesmo tempo se deparar com estas descobertas provocou um choque na sua cabeça. Darwin vivia uma crise.

Mas, dentro das ciências naturais, o naturalista foi um divisor de águas. Darwin pode ser considerado um dos maiores cientistas do século XIX, senão o maior. Não dá para conceber a ciência atual sem considerar as idéias de Charles Darwin.

Darwin, que era anglicano, não católico, foi um das cinco pessoas do século XIX a receber a honraria de estado de ser enterrado na abadia de Westminster. Somente os nobres e a família real de Londres são enterrados lá.

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Ele era tão estudioso e metódico que ficou questionando por anos se valia a pena casar ou não. Escolheu casar com uma prima, Emma Wedgwood com quem teve dez filhos. Três morreram prematuros. Sua primeira crise de fé se deu quando ele perdeu uma filha de 10 anos e pela primeira vez questionou a existência de Deus. A morte foi uma questão que sempre o perseguiu.

As descobertas de Darwin ajudaram a criar uma divisão entre os crentes e os ateístas, tanto que a imagem estereotipada do cientista ateu somente tomou forma com a divulgação das idéias de Darwin. Foi a partir daí que muitos começaram a enxergar uma total incompatibilidade entre a fé e a ciência.

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Apesar de que a ciência signifique para muitos a não crença em Deus, muitos cientistas, físicos, pesquisadores de alta capacidade acreditam numa transcendência e não vêem absolutamente uma incompatibilidade entre a religião e a ciência, pena que os religiosos não pensem o mesmo.

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Fonte: http://www.mdig.com.br/index.php?itemid=5095