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Dados do BC mostram desaceleração no fluxo de dólares para o

Em 2007, houve o ingresso de US$ 87 bilhões na economia brasileira;
Neste ano, até 19, entrada somou US$ 1,29 bi - a mais baixa desde 2003.


A uma semana para o fim do ano, informações divulgadas nesta quarta-feira (24) pelo Banco Central confirmam uma forte desaceleração no fluxo de dólares para o Brasil em 2008.

Segundo o BC, houve o ingresso neste ano, até a última sexta-feira (19), de US$ 1,29 bilhão na economia brasileira em todas as transações que envolvem dólares: comerciais (contratos de compra de venda de moeda estrangeira para exportações e importações) e financeiras (fechamento do câmbio para investimentos, remessas, viagens e aplicações financeiras, entre outros).

Se esse resultado for mantido até o fim do ano, será o menor ingresso de recursos desde 2003 - o primeiro ano da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi marcado por uma crise de confiança por conta do novo governo que assumia. Naquele ano, houve ingresso de US$ 718 milhões no país.

Em 2004, 2005 e 2006, ingressaram, respectivamente, US$ 6,3 bilhões, US$ 18,8 bilhões e US$ 37,2 bilhões no Brasil. No ano de 2007, por sua vez, a entrada de recursos na economia brasileira foi muito maior: US$ 87,4 bilhões. Valor que ainda permanece sendo recorde histórico.

Formação das reservas

Foi justamente por conta da forte entrada de divisas nos últimos anos que o Banco Central conseguiu comprar dólares para formar as reservas internacionais brasileiras, atualmente acima de US$ 200 bilhões.

As reservas representam um "colchão" de recursos para momentos de turbulências, como o atual. Além de financiar as exportações, o governo já informou que elas também serão usadas para empréstimos a empresas brasileiras.

Mesmo com as compras de dólares realizadas pelo BC nos últimos anos, a cotação da moeda norte-americana chegou a ser negociada abaixo de R$ 1,60. Atualmente, após a piora da crise financeira, oscila ao redor de R$ 2,40 por dólar.

Razões para a reversão

A explicação para a forte reversão de mais de US$ 86 bilhões de um ano para o outro (US$ 87,4 bilhões de entrada 2007 menos US$ 1,29 bilhão do ingresso deste ano) está no aumento do volume de remessas de lucros e dividendos ao exterior, à deterioração da balança comercial - que passou a apresentar resultados mais modestos - e, recentemente, à crise financeira internacional.

Dados do BC mostram que as remessas de lucros e dividendos ao exterior somaram US$ 30,7 bilhões de janeiro a novembro de 2008. Para todo este ano, a expectativa é que totalizem US$ 33,7 bilhões, contra US$ 22,4 bilhões em todo o ano de 2007. O aumento de remessas se deve à maior lucratividade das empresas instaladas no país em 2008, aliado à uma taxa de câmbio favorável (chegou a ser negociada abaixo de R$ 1,60 até setembro) à estas operações.

Já no caso da balança comercial brasileira, os últimos dados indicam uma queda de quase 40% no superávit (exportações menos importações) observado em 2008, na comparação com o ano anterior. A queda de desempenho da balança comercial se reflete no fechamento de contratos de câmbio registrados pelo BC.

Em 2007, as operações comerciais trouxeram US$ 76,4 bilhões (exportações menos importações) para o Brasil, volume que recuou para US$ 48 bilhões na parcial de 2008, até 19 de dezembro. Esta entrada de dólares das operações comerciais foi contrabalançada, neste ano, pela saída de US$ 46,7 bilhões pela conta financeira - que contabiliza as remessas, investimentos, ingresso e retiradas de aplicações financeiras, como bolsa e renda fixa. Em 2007, US$ 10,7 bilhões entraram por esta conta.

Crise financeira

A crise financeira internacional também contribuiu para a piora no fluxo de divisas para o Brasil neste ano. Após o seu agravamento, em meados de setembro, com o anúncio de concordata do banco norte-americano Lehman Brothers, mais de US$ 20 bilhões deixaram o país pela conta financeira (que contabiliza os contratos de câmbio que não têm relação com a balança comercial).

Alguns investidores retiraram recursos do Brasil para cobrir prejuízos em outros países, mas também há aqueles que buscaram aplicar em títulos de países mais desenvolvidos - considerados mais seguros.