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Da Russia com troça

A economia globalizada dependente do petróleo, sabendo que o fim do petróleo significa o fim do mundo tal como hoje o conhecemos, em vez de aceitar essa realidade e debater com os seus cidadãos o fim que a todos nos espera e o que devemos e podemos fazer em relação a essa fatalidade, dizia, os senhores dirigentes e afectos da manutenção do status quo do mundo, e do seu, preferem tentar colmatar a falência do petróleo com um produto que possa vir a ser o novo petróleo, e de facto o sucessor já tem nome, é o gás natural.

A procura de meios técnicos para a transição da economia de petróleo para a economia do gás natural já está em curso, e é aceite pela generalidade dos meios decisores das principais economias desenvolvidas.

Todavia essa transição não será pacifica, nunca poderá sê-lo.
Primeiro porque uma transformação social do calibre que impõe a consciência do fim do petróleo levantará questões inevitáveis que muitas pessoas só então tomarão consciência delas pela primeira vez de um modo serio, tais como o grau de dependência que estamos novamente dispostos a conceder a uma única matéria-prima, e ainda a consideração e ponderação sobre o verdadeiro impacto que queremos de facto implementar na nossa economia no que respeita a energias verdadeiramente renováveis e limpas.

A segunda interrogação remete para o sector politico e geo-estratégico, porque é sabido que é a Rússia que detém a larga maioria do gás natural.
É a Rússia um parceiro desejável num acordo em que ficará claramente por cima; estaremos nós confiantes num futuro sabendo que a Rússia nos tem á sua mercê?

São questões inevitáveis e os exemplos recentes de como a Rússia faz politica não augura nada de bom nem de positivo para esse futuro próximo de enlace com uma politica económica de gás natural.
Neste momento, como as coisas se afiguram o mundo ocidental está preparado para oferecer numa bandeja a sua independência histórica á Rússia.

Isso é totalmente inaceitável a todos os níveis. Seria como sair da toca do lobo para entrar na toca dum urso. No entanto essa oportunidade seria excelente do ponto de vista da Rússia, por mil e uma razões, seja para vingar o seu passado como o seu presente de atraso e dependência das ideias ocidentais. Que ninguém duvide que neste momento a Rússia esfrega as mãos de contente e de regozijo pelo futuro que se aproxima.

Cabe a nós cidadãos fazer ouvir a nossa vontade em tomar o nosso destino nas nossas mãos, custe o que custar, com os sacrifícios que seja necessário tomar.
Para isso é imperativo um sentido colectivo, uma compreensão da situação comum.
Para isso é necessário uma analise da realidade que revele o estado actual e o seu irreversível término.

É imprevisível o desfecho para o fim da economia de base petrolífera.
O que é certo é que quanto mais cedo a sociedade se convencer desse inevitável desfecho mais cedo começarão as discussões sobre o nosso futuro colectivo e mais tempo as pessoas terão para procurar novas alternativas energéticas e desenvolver as que actualmente ainda carecem de optimização.