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Crise no Egito

Exército ameaça intervir se governo do Egito não resolver crise em 48h


As Forças Armadas do Egito deram nesta segunda-feira (1º) um ultimato de 48 horas às forças políticas do país para que "cumpram as reivindicações do povo", após os massivos protestos pedindo a renúncia do presidente, Mohammed Mursi.

Em um comunicado pouco claro divulgado pela televisão estatal, o Exército declarou que, "se não forem realizadas as reivindicações do povo nesse prazo", as Forças Armadas anunciarão um "mapa de viagem" para o futuro e supervisionarão sua aplicação.

O pronunciamento do Exército foi feito depois da oposição dar um ultimato para que Mursi deixasse o cargo até a tarde de terça-feira (2). Mais cedo, cinco ministros --do Turismo, das Relações com o Parlamento, das Telecomunicações, do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos-- renunciaram a seus cargos, em meio à onda de protestos que tomou conta do país. Os ministros afirmaram que são contrários às políticas do governo e que querem se unir aos manifestantes, que desde domingo (30) pedem a renúncia de Mursi.

Em meio à onda de demissões, o ex-chefe do Estado-Maior Sami Anan, antigo "número dois" da Junta Militar que governou o Egito após a queda de Hosni Mubarak, também renunciou como conselheiro do presidente Mursi, informou à Agência Efe uma fonte militar. Anan, que foi nomeado assessor presidencial por Mursi em agosto depois que este o ordenou se aposentar, anunciou sua renúncia pelas "circunstâncias que o país atravessa".

Além disso, o governador da província de Ismailiya, Hassan Rifai, também apresentou sua renúncia para "preservar o interesse público", disse à Efe seu porta-voz, Ahmed al Yamani.

O atual presidente, que assumiu há um ano, após a queda de Hosni Mubarak, é acusado e não tomar as medidas necessárias para melhorar as condições sócioeconômicas e políticas do Egito.

Ataques
Mais cedo, a sede do Cairo da Irmandade Muçulmana, partido de Mursi, foi assaltada pelos manifestantes. O grupo destruiu o local e manteve um dos membros do partido como refém dentro do prédio. Ele foi libertado horas depois graças à ação de alguns habitantes da área e hospitalizado em condições críticas.
Segundo o governo, pelo menos 15 pessoas morreram e mais de 600 ficaram feridas nos tumultos ocorridos durante as manifestações. Há também relatos extraoficiais de dezenas de mulheres estupradas. O ministério da Saúde diz que as mortes ocorreram nas cidades de Assiut, Kafr el Sheikh, Alexandria, Beni Suef e Fayum.

A Frente Nacional de Salvação, que reúne as bancadas da oposição, condenou o assalto contra a sede da Irmandade Muçulmana e pediu aos egípcios para manter o aspecto pacifico das manifestações.

Obama: sem compromisso com Mursi
Em visita à Tanzânia, na África, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse que o compromisso de seu país com o Egito nunca foi com o presidente do país, Mohamed Mursi, eleito há um ano e sob pressão para renunciar.

"Nosso compromisso com o Egito nunca foi com um indivíduo ou partido, é com o processo democrático", disse Obama em Dar es Salaam, na Tanzânia. O americano está em uma turnê pela África atrás de acordos econômicos.

Segundo Obama, Mursi "foi eleito democraticamente, mas democracia não tem só a ver com eleições, mas como você trata a oposição".

"O que está claro e as pessoas estão pedindo nas ruas é que há mais trabalho a ser feito para criar condições de ouvir a todos", afirmou Obama.

O presidente dos EUA cobrou que todas as partes envolvidas nas manifestações no Egito se mantenham pacíficas, e condenou os relatos de ataques a mulheres durante os protestos.

Obama disse que a solução para o conflito deve se dar pelas vias legais, e descartou uma intervenção dos EUA para conter a onda de violência no país. "Não é nosso trabalho escolher os líderes do Egito." (Com agências internacionais)
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Fonte:Uol