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Criaturas das profundezas do Brasil

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Na mesma região, vivem também peixes alongados e que fuçam o fundo, como a merluza-de-rabo-comprido (Macruronus magellanicus), a merluza-barriguda (Urophycis sp.), o peixe-rato (Malacoceophalus okamurai) e o bacalhau-marrom (Physiculus kaupi), nunca antes observados nessa área de nosso litoral, da mesma forma que tubarões-negros, como o tubarão-de-olhos-verdes (Centroscymnus owstoni) e o cação-negro (Etmopetrus bigelowi).

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E é no fundo que a diversidade de invertebrados mais se manifesta: são corais, ofiúros-serpentes, e caranguejos com espinhos e armaduras quase medievais; são moluscos com conchas, e piraúnas espinhosas; são lagostas estranhas, como a sapateira transparente e a de pernas muito compridas. Se por um lado há enorme diversidade, por outro há colossal quantidade: são os milhões de baratas-do-mar, que por todo canto procuram comida e chegam a mais de 30 cm de comprimento e um quilo de peso. Baratas-do-mar que, apesar do nome algo repugnante, são crustáceos que têm olhos lindos e multifacetados, e apresentam cuidados para com os filhotes dignos de cangurus – seu filhote único fica delicadamente aninhado entre suas pernas (veja foto no início do artigo).


Ainda no fundo, raias-narigudas (Dipturus sp.), tubarões-serpente (Schroederichthys tenuis) nunca antes registrados para o Atlântico Sul, e os desconhecidos cações-anjo (Squatina sp.), tubarões-pintados (Scyliorhinus sp.) e cações-de-espinho (Squalus sp.), patrulham a região, atentos às presas locais, sejam peixes, crustáceos ou lulas. Em um dos momentos mais interessantes durante o desenvolvimento das pesquisas do TAMAR, uma fêmea de tubarão-pintado realizou a postura de um ovo no aquário em que era mantida viva! Sim, um ovo de tubarão, e que por nove meses foi mantido em condições ideais para sua sobrevivência. Quando se aproximava o momento da eclosão do ovo, um rato penetrou à noite na unidade de refrigeração e lá morreu, danificando o equipamento e provocando a morte do bebê tubarão...

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Nesse mundo paralelo e surpreendente, durante a noite ocorre uma migração vertical gigantesca em direção à superfície de peixes, lulas e outros animais, em busca de alimento e parceiros para o acasalamento. Ao final da noite o movimento se inverte, todos migram para a profundidade e a penumbra.

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Acompanhando tais migrações diárias, está a constante ameaça dos predadores de topo, os grandes peixes que se alimentam na coluna d’água, da superfície ao fundo, de dia ou de noite. Entre eles destacam-se o grande e encouraçado peixe-prego (Ruvettus pretiosus) – também chamado de peixe-óleo, pelo sabor de sua carne – que chega a mais de 3 metros de comprimento e 60 kg e tem o corpo revestido de escamas ósseas; a espada-negra (Prometichthys prometeus), ágil e de dentes afiados; o pequeno joão-preto (Verilus sordidus), de no máximo 30 cm, até então desconhecido no Brasil e o formidável meca (Xiphias gladius), também conhecido como espadarte ou peixe-espada, que, com seus 4 metros e 500 kg, é um dos maiores predadores dos mares.

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Meca, espadarte ou peixe-espada.jpg
 
 
eita pixos feio
 
sóo bixãao feeio msm .. maais é dahoraa