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Congresso Mundial de Mulheres debaterá igualdade, exploração

Congresso Mundial de Mulheres debaterá igualdade, exploração e violência

Madri, 4 jul (EFE).- Especialistas de mais de 100 países participam do 10º Congresso Mundial de Mulheres que hoje foi aberto em Madri com o lema de "A igualdade não é uma utopia" e no qual foram debatidos assuntos como as redes de imigração, a exploração do trabalho de imigrantes e a violência.



Na inauguração do fórum, que termina dia 9, a ministra de Igualdade espanhola, Bibiana Aído, ressaltou que o lema do Congresso expressa o valor da política na construção de uma sociedade mais justa porque "a igualdade não é uma opção, mas uma exigência que se deve fazer aos poderes públicos".



Aído lembrou que as grandes revoluções, que para ela são as que tem a capacidade de mudar a mentalidade das pessoas, superar os padrões herdados, aumentar o sentido crítico e forçar a transformação das coisas, surgem dos debates gerados na sociedade.



Por isso, disse que "a qualidade da ação política" de um país depende de sua capacidade para estar "continuamente atento" aos debates e exigências que ocorrem na sociedade e nos foros de conhecimento, que são os que promovem os avanços sociais.



"A força das idéias é o que constrói um mundo melhor e por isso este congresso é tão importante", comentou.



Segundo Aído, "porque a reivindicação da igualdade plena e real, para que cada mulher tenha reconhecidos seus direitos de cidadania e possa ser dona de seu próprio destino, é uma tarefa que necessita de empenho, vontade, energia e determinação" de todos.



No mesmo fórum, a presidente do Tribunal Constitucional, María Emilia Casas, lembrou que neste Congresso serão analisados "sob uma perspectiva de gênero" assuntos tão importantes como a imigração, a incapacidade e a violência de cunho machista.



Em seu discurso, Casas advertiu que as novas tecnologias, a globalização, o crescente individualismo e a fragmentação dos mundos sociais são aspectos recentes que, longe de combater as desigualdades, podem piorá-las.



Por isso, defendeu um maior envolvimento social e político para avançar na igualdade e acabar com as discriminações que ao longo da história foram criadas sob o pretexto de "classe, raça, nacionalidade e sexo".



Para ela, na Espanha é necessário "repensar o emprego" para conciliar a vida no trabalho com a familiar, reavaliar as condições de trabalho e o tempo que dedica a essas áreas, reconsiderar as retribuições, e mudar conceitos tão execráveis como "que o trabalho feminino é reprodutivo e a masculino produtivo".



Durante o evento, o Centro Europeu pelos Direitos do Povo Cigano (ERRC, na sigla em inglês) lançará neste sábado uma campanha global contra a esterilização forçada das mulheres e para exigir compensações às que sofreram com essa prática.



O objetivo prioritário desta iniciativa é que os Governos envolvidos "peçam desculpas, que aceitem e que dêem compensações", disse hoje à Agência Efe o responsável pelos assuntos relacionados à mulher do Centro Europeu pelos Direitos do Povo Cigano, Ostalinda Maya.



A organização espera que todas as associações de mulheres e entidades de defesa dos direitos humanos se somem a esta campanha "para pedir justiça" não só para as mulheres de etnia romani, mas para as que, em alguns países, são esterilizadas sem consentimento por sofrer de alguma invalidez psíquica ou por ser transexuais.



O 10º Congresso de Mundos de Mulheres, - organizado pela Universidade Complutense de Madri e no qual participam mais de 3 mil pessoas -, se ocupará nesta edição de questões e problemas fundamentais que afetam hoje a vida das mulheres.



A cidadania, os desafios do feminismo, as ações política e legal, migrações, desigualdades, violência de gênero, luta pelos direitos humanos, globalização, saúde das mulheres ou incapacidade, serão alguns dos temas abordados durante o encontro.



O fato curioso do dia foi proporcionado pelo secretário de Estado de Universidades, Márius Rubiralta, que encerrou seu discurso desejando "a todos um trabalho frutífero" e logo depois de corrigiu dizendo "a todas e todos, para que na próxima vez um secretário de Estado não se confunda desta maneira". EFE



Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,M ... 02,00.html