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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira que está disposto a "conversar" com o governo iraniano a respeito do caso de Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada à morte no país por crime de adultério, mas admitiu que a questão é um assunto interno do Irã.

"Se houver disposição do Irã de conversar sobre esse assunto, nós temos imenso prazer de conversar", disse o presidente durante a Cúpula do Mercosul, realizada na cidade argentina de San Juan.

Em seguida, no entanto, o presidente afirmou que "cada país tem suas leis" e que é preciso respeitar seus "procedimentos".

"Cada país tem suas leis. Cada país tem sua religião. E nós temos que respeitar o procedimento de cada país. Se nós aprendêssemos a respeitar a soberania de cada país, seria muito, muito melhor, disse.

'Personalidade emotiva'

Presa desde 2006 por manter relações consideradas "ilícitas" com dois homens após a morte de seu marido, Sakineh Mohammadi Ashtiani foi sentenciada à morte por apedrejamento.

A sentença de apedrejamento, no entanto, foi posteriormente suspensa pelas autoridades iranianas, embora ela ainda possa ser morta por enforcamento.

No último sábado, durante um comício da campanha da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, Lula fez um "apelo" para que o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, permita que a mulher possa se asilar no Brasil.

Nesta terça-feira, no entanto, um porta-voz do Ministério do Exterior do Irã afastou a possibilidade e disse que o presidente Lula tem "personalidade emotiva", mas fez sua proposta de conceder asilo à iraniana sem "informação suficiente" sobre o caso.

'Humanitário'

Questionado sobre as declarações do porta-voz, Lula afirmou que seu pedido a Ahmadinejad foi "humanitário".

"Eu não fiz um pedido de asilo, não fiz. Eu fiz um pedido mais humanitário do que uma coisa política", disse o presidente.

Lula disse que leu nos jornais que Ashtiani poderia ser morta por apedrejamento ou enforcamento e afirmou considerar que nenhuma das duas mortes é "humanamente aceitável".

"Pelo respeito que eu tenho ao Irã, pela relação de amizade que nós construímos, eu, como cristão, acho que só Deus tem o direito de tirar vida. Eu acho que o apedrejamento é algo tão bárbaro que, por isso, eu disse que o Brasil receberia essa mulher de braços abertos", afirmou.


ja penso se aqui no Brasil fosse essa Lei "alguem viveria para contar"



Fonte BBC