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Carreira de diplomata continua atraindo muitos jovens

Mais de oito mil pessoas tentaram a vaga no Instituto Rio Branco em 2008. Neste ano são oferecidas 105 vagas e as inscrições se encerram na quinta-feira da semana que vem.



Fim dos estudos universitários, não significa carreira à vista. Pelo contrário, agora é que começa a busca pela profissão: ser diplomata...

Tarefa árdua para 8.228 brasileiros que tiveram que disputar, no ano passado, 115 vagas para o Instituto Rio Branco, que forma diplomatas no Brasil. Média de 71 candidatos para cada vaga. O recorde foi em 2005: 207 candidatos por vaga.

“Exige muita vocação, muita preparação, muito método, disciplina de estudo principalmente”, fala Raphaela Serrador, coordenadora do curso.

E que disciplina... “Umas oito, dez horas por dia... Não passo um dia sem estudar”.

Os cursos preparatórios se espalham pelo país, Joana veio do espírito santo e sabe o que vai enfrentar.

“Esperança a gente sempre tem, né? Mas... Difícil, vamos tentar”, fala Joana Campos de Souza, candidata a diplomata.

São dez etapas, realizadas em dezoito estados. Depois da primeira seletiva, que inclui português, história, geografia, política internacional, direito, economia e inglês só ficam 300 candidatos.

Aí começa a maratona de entrevistas. Muitos vão sendo eliminados após as conversas. E a última etapa testa conhecimentos de francês e espanhol.

Quem passa no concurso, vai estudar em Brasília. No prestigiado Instituto Rio Branco, fundado em 1945 pelo presidente Getúlio Vargas, com o objetivo de aprimorar a política externa brasileira.

Esses 115 alunos, mesmo tendo ainda um ano de estudos, já são terceiros-secretários e recebem um salário de R$ 10.900 por mês.
Nada mal, numa carreira que inclui glamour, belas residências, proximidade com o poder.

Proximidade que andou gerando discussões nos últimos anos, por causa de alguns livros utilizados no curso e que trariam uma orientação ideológica para a formação dos alunos. Esta suposta intervenção política recebeu muitas críticas.

“É claro que o ministro, o secretário, o governo de um modo geral têm que estabelecer, digamos, as grandes linhas, né? Diretrizes... Mas, a gestão pormenorizada das coisas eu não acho que seja uma boa coisa, não”, comenta Luis Felipe Lampreia, ex-embaixador.

O embaixador Fernando Reis, diretor do Instituto Rio Branco, nega que haja qualquer tipo de "doutrinação" dos alunos. Mas afirma que os profissionais precisam ter uma formação política.

“Se você fala em político no sentido ideológico, não... No sentido partidário, não... Mas no sentido da política? Sim, obviamente. Porque a diplomacia é uma arte política”, afirma Fernando Reis, diretor do Instituto Rio Branco.

O Itamaraty aumentou o número de cargos depois que houve um crescimento nas relações bilaterais, principalmente com os países africanos, e por causa dos três milhões de brasileiros que vivem no exterior. Em 2006 havia mil postos diplomáticos, hoje são 1.400 e ainda há representações precisando de mais diplomatas.

Até muito pouco tempo, ingressar na carreira significava quase sempre ter um sobrenome ilustre numa profissão de elite. Hoje, não é bem assim.

Jackson se formou em fisioterapia, no interior da Bahia. Se candidatou a uma bolsa, numa parceria do Instituto Rio Branco com secretarias e ministérios ligados à defesa dos direitos humanos.
“Eu só queria Itamaraty, e eu acho que agora eu vou conseguir o meu objetivo, que é colaborar e contribuir com a política externa. Tô amando... Tô amando, sobretudo as possibilidades...”, declara Jackson de Oliveira, terceiro-secretário.

Fonte: http://g1.globo.com/jornaldaglobo/0,,MU ... OVENS.html