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Aviação de Israel bombardeia 40 túneis sob a fronteira de Ga

A aviação de Israel atacou neste domingo (28) mais de 40 túneis sob a fronteira da Faixa de Gaza com o Egito, próximo a Rafah.



A operação fez parte do segundo dia de pesados ataques aéreos dos israelenses sobre alvos na região palestina controlada pelo Hamas, em represália aos ataques quase diários de militantes de Gaza contra território israelense usando foguetes.

Os aviões israelenses dispararam mísseis ao longo da fronteira Gaza-Egito, na região do deserto do Sinai, que foi tomada por nuvens de fumaça.

O Hamas e contrabandistas usam os túneis para introduzir pessoas e mercadorias na Faixa de Gaza, submetida a um bloqueio por Israel. O Hamas também tem instalações militares na região. Israel acusa o movimento de também contrabandear armas e explosivos pela rede de túneis.

Mais cedo neste domingo, Israel anunciou que vai mobilizar 6.500 reservistas do Exército para participar dos próximos ataques contra Gaza.

A decisão é mais um indício de que a ofensiva israelense ao território palestino deve se ampliar e pode incluir o uso de forças terrestres, que já começam a se concentrar em pontos da fronteira entre Israel e Gaza, segundo testemunhas.

Na fronteira norte, próximo à passagem de Erez, havia ao menos 16 tanques, e outros chegavam, transportados por caminhões militares. Vários veículos de transporte de tropas também estavam estacionados na região.

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Já atinge 270 o número de mortos nos bombardeios a alvos militares do movimento islâmico em Gaza, informaram neste domingo os serviços de emergência palestinos. Esse é o mais intenso ataque de Israel a alvos palestinos pelo menos desde a Primeira Intifada palestina, iniciada em 1987.

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O número de feridos passa de 750, 120 deles em estado grave, segundo o médico Muawiya Hassanein, responsável pelos serviços de emergência no território.

Em represália ao ataque israelense, o Hamas voltou a lançar foguetes contra Israel no sábado. Uma civil israelense morreu e quatro pessoas ficaram feridas em uma casa atingida em cheio na cidade de Netivot.

Novos ataques com foguetes foram feitos no domingo, segundo a polícia de Israel. Num deles, dois foguetes atingiram Ashdod, a 30 quilômetros de distância de Gaza. Não houve mortos.

Outros bombardeios

O Hamas e testemunhas relataram outros ataques aéreos israelenses a Gaza neste domingo. Teriam sido atacadas a Cidade de Gaza, o campo de refugiados de Jabaliyah, e o norte e o sul do território, nas cidades de Khan Yunes e Rafah. Israel não confirmou oficialmente os ataques.

Um dos ataques teria ferido 10 policiais do Hamas. Outra ação teve como alvo o edifício do "conselho de ministros" do Hamas em Gaza. As ruas da cidade de Gaza estavam praticamente desertas, com lojas e escolas fechadas em sinal de luto.

ONU pede fim dos ataques



Também neste domingo, o Conselho de Segurança da ONU pediu o fim imediato de todas as atividades militares na Faixa de Gaza e apelou para que todos levem em conta a crise humanitária no território de 1,5 milhão de habitantes. (assista ao vídeo ao lado)

O embaixador da Croácia na ONU, Neven Jurica, leu um comunicado em nome dos 15 integrantes do conselho, no qual pede "o cessar imediato de toda violência" e a interrupção imediata de todas as atividades militares.

O texto não menciona explicitamente Israel nem o Hamas.

Antes da reunião em caráter de urgência, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, declarou em comunicado que estava "profundamente alarmado" pela "dura violência e o derramamento de sangue em Gaza, assim como pela violência no sul de Israel".

Ele pediu o "fim imediato da violência" e, embora tenha reconhecido as preocupações em matéria de segurança de Israel "pelo contínuo lançamento de foguetes de Gaza", reiterou a obrigação desse país de "respeitar os direitos humanos e o direito humanitário internacional".

Ban assegurou que entraria em contato imediato com líderes regionais e internacionais, incluindo os membros do quarteto de mediadores internacionais para o Oriente Médio (ONU, Estados Unidos, União Européia e Rússia), "em um esforço para dar fim à violência".

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse neste domingo que o Hamas poderia ter impedido o ataque israelense a Gaza. "Nós falamos com eles e pedimos que não terminassem a trégua, para que pudéssemos ter evitado o que aconteceu", disse ele no Cairo.

Abbas referia-se à trégua de seis meses no território, patricinada pelo governo egípcio, e que foi rompida unilateralmente pelo Hamas no último dia 19. O fim da trégua provocou uma escalada de violência na região, com militantes palestinos lançando ataques contra território israelense. Isso levou o governo de Israel aos ataques do sábado, após alguns dias de ameaças.

O premiê de Israel, Ehud Olmert, disse neste domingo que seu governo vai agir com "sensatez, paciência e firmeza" até "alcançar os resultados desejados" na ofensiva militar. A declaração foi feita durante a reunião semanal com o conselho de ministros.

Analistas militares israelenses afirmam que a ofensiva do país não parece ter como objetivo retomar Gaza ou destruir o governo do Hamas, algo que seria muito ambicioso e arriscado antes da eleição parlamentar de 10 de fevereiro. Para eles, Israel planeja forçar o Hamas a uma nova trégua, que impediria a longo prazo o ataque com foguetes de Gaza contra os israelenses.

Os ministros de Relações Exteriores dos países árabes devem se reunir na próxima quarta-feira no Cairo a fim de analisar os ataques, informou o secretário-geral da Liga Árabe, Amre Moussa. Na reunião, será buscada uma posição de consenso no caso.

O chanceler do Egito, Ahmed Abul Gheit, disse que está tentando obter um novo cessar-fogo entre as partes que possa ser transformado em uma trégua.

O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, pediu à sua colega de Israel, Tzipi Livni, que "detenha urgentemente" a operação militar em Gaza, informou a chancelaria russa em comunicado.

Como foram os ataques de sábado

A Força Aérea de Israel lançou um ataque aéreo com aviões e helicópteros contra alvos do movimento islâmico Hamas em toda a Faixa de Gaza às 11h30 locais (7h30 de Brasília) do sábado. Foi o maior ataque israelense a forças palestinas desde março deste ano.

Mais de 270 pessoas morreram vítimas do ataque na Cidade de Gaza e em outras cidades e campos de refugiados, principalmente no norte do território. Os hospitais confirmam mortes na Cidade de Gaza e também em Khan Younis e Rafah, no sul do território. Muitos civis e crianças estão entre as vítimas, e os hospitais estão lotados, segundo testemunhas.

O ministério israelense da Defesa confirmou o ataque, informou que não houve baixas israelenses e disse que mais ações militares contra alvos do Hamas serão tomadas se for julgado necessário para interromper os ataques com mísseis a Israel, feitos por militantes do Hamas a partir da Faixa de Gaza.

A aviação israelense atacou 230 objetivos do Hamas, informou o Exército de Israel no domingo. Segundo o porta-voz, os alvos foram infra-estruturas militares do movimento islâmico como edifícios, arsenais e zonas de lançamento de foguetes.

O ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, disse que a operação israelense no território vai ser ampliada e expandida. "Não vai ser fácil e não vai ser curto", disse Barak. "Há tempo para a calma e tempo para a luta, e agora chegou a hora de lutar."

Hamas, Jihad Islâmica e outros grupos islâmicos prometeram "vingança". O Hamas pediu a seus integrantes que "vinguem pela força" a agressão de Israel, segundo comunicado difundido por rádio.

"Todos os combatentes estão autorizados a responder à matança israelense", disse um comunicado divulgado pela Jihad Islâmica.

As declarações levaram Israel a deixar a polícia em estado de alerta em todo o território do país.

Ainda no sábado, o governo do Egito abriu a passagem de Rafah, na fronteira com Gaza, para permitir a entrada de ajuda humanitária e a saída de feridos pelo bombardeio.

No domingo, o ministro egípcio de Relações Exteriores acusou o Hamas de estar impedindo a evacuação de feridos. (assista no vídeo abaixo)



A polícia egípcia atirou para o alto para tentar dispersar dezenas de palestinos que tentavam cruzar a fronteira ao norte da passagem de Rafah, informou uma fonte dos serviços de segurança.


Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,M ... EGITO.html