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Aprovação do Acordo ortográfico

Portugal aprovou a reforma ortográfica, agora, no dia 16 de maio, restando agora a aprovação de Angola, Moçambique, Guiné Bissau e Timor Leste. Mas a nova ortografia em letras portuguesas só será implantada dentro de seis anos.

É um acordo estratégico que visa acabar com a dupla ortografia oficial, para que a língua portuguesa, a terceira do ocidente e a quinta do mundo em número de falantes, possa ter um acento nos organismos internacionais como ONU e outros. Assim, finalmente, parece ter-se ampliado o debate sobre o famoso Acordo Ortográfico, 18 anos após a sua assinatura, pois muito tempo se silenciou sobre o assunto, quando eram tão límpidas as regras de reformulação.

A princípio, Portugal queria adiar por dez anos a assinatura do documento, mas, agora, premido pelas circunstâncias, o fez. Se não adotasse o acordo, o país luso iria ficar numa posição isolada, tornando-se sua língua um dialeto, com o correr do tempo, pois a maior parte da lusofonia já teria aceito as mudanças. No fundo, o acordo é muito simples. Corta acentos excessivos, exclui consoantes mudas e reintroduz as letras k, w e y. A única complicação continua a residir no uso do hífen (o inglês já o aboliu quase totalmente).

Torna a língua mais fácil, aproxima escrita e fonética e moderniza-se. No total, modifica cerca de 0,4 por cento das palavras usadas no Brasil e pouco mais de 1 por cento das usadas em Portugal. O obsoleto trema, só em voga no Brasil, desaparece; em Portugal, o "óptimo" passa a ser "ótimo" e a "redacção" fica "redação". Quanto a "facto" e "fato" ficam na mesma, porque não há consoantes mudas em ambas. Por outro lado, o acordo consagra uma gama de palavras usadas em Angola, com letras que hoje ainda não fazem parte oficialmente do alfabeto, incluindo nomes de cidades, unidade monetária, grandes pontos geográficos e nomes de pessoas.

A língua portuguesa evolui como qualquer outra língua que se quer viva e sempre houve grandes resistências às sucessivas modernizações. Desde finais do século XIX, há desconfiança e má-vontade, entre os dois países no campo da língua impedindo de se chegar a acordo que evite a evolução em grafias distintas. Em 1911, Portugal fez uma reforma ortográfica que não foi extensiva ao Brasil. Em 1931, as Academias dos dois países chegaram a uma opinião comum, mas sem efeitos práticos, voltando-se a novas reuniões em 1943 e 1945. Após leis promulgadas em cada país, na década de 70, que reduziam os pontos divergentes, teve início em 1986, conduzido por Antonio Houaiss, um encontro mais alargado, porque incluía pela primeira vez os países africanos, tendo sido rejeitado o primeiro texto elaborado.
Para os países da África, o acordo é importante para poder contar com textos de origem diversa de Portugal. Seria prejudicial a Portugal se ele tivesse ficado sozinho, com uma ortografia diferente, pois o contingente de falantes brasileiros é muito numeroso. O Acordo refere-se apenas a unificar a grafia. A tendência do português, como de qualquer idioma, é de que a língua se afaste cada vez mais, de país para país, criando suas próprias variantes.

O inglês não tem esse problema, está consagrado como idioma internacional Mas chegou a vez do português conquistar o seu lugar e não há futuro para a língua portuguesa sem o Brasil.
Para os falantes do português a língua é um instrumento fundamental para a afirmação de poder em escala mundial. E Portugal, apesar da glória de ter sido o berço da língua, deve habituar-se à idéia de que será o Brasil que vai liderar a afirmação da língua portuguesa como potência lingüística no mundo, com seus 180 milhões de falantes.

Fonte: http://pe360graus.globo.com/educacao/ed ... AFICO.aspx