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Alternativas para o petróleo

Alternativas para o petróleo

14/03/2003 Extensos depósitos ainda resistem. Mas a maior fonte de energia vai acabar em 40 anos. Ou a humanidade encontra um substituto para o petróleo ou vai ficar a pé. "A grande questão é quem acaba primeiro, se é o planeta ou o petróleo. A gente entende que a questão básica hoje é o nível de emissões atmosféricas, o nível de aquecimento global, as mudanças climáticas. Isso é o problema", diz o especialista em meio ambiente Marco Antônio Fujihara. O dióxido de carbono produzido por veículos aumenta o aquecimento do planeta. O efeito estufa acelera o degelo e faz subir o nível das marés. Fenômeno que já ameaça um arquipélago no pacífico. Em dez anos, as Ilhas Tuvalu devem desaparecer do mapa. "A tendência mundial é a utilização de combustíveis limpos não agressivos ao meio-ambiente", acredita o pesquisador Gilberto Janolio. Em maio de 1979, o combustível genuinamente nacional chegava às bombas. Parecia perfeito. Menos poluente e mais barato do que gasolina. Um destilado da cana-de-açúcar, cujo maior produtor mundial é justamente o Brasil. Seis anos depois, nove em cada dez carros novos eram a álcool. Mas o desabastecimento pôs tudo a perder. Só agora o álcool volta a ser cogitado como opção de combustível renovável. Mas não é a única. Um veículo com motor Diesel movido a um combustível alternativo já começa a ser usado na Europa e nos Estados Unidos e vem sendo testado com sucesso aqui no Brasil. É o biodiesel. O biodiesel tem 90% de óleo vegetal e 10% de álcool. É essa mistura que está sendo adicionada ao diesel comum. Pesquisadores da Universidade de São Paulo, testam a proporção que, em dois anos, deve ao chegar ao consumidor: 5% de Biodiesel para 95% de Diesel. Não há necessidade de adaptações no motor. A caminhonete movida a Biodiesel rodou dois mil quilômetros até agora. O consumo e o desempenho se mantiveram. Mas houve uma grande mudança. "Era muito mais fumaça. E conforme foi colocando o biodiesel, ela foi se tornando mais clara e menos densa", fala o motorista Edson de Oliveira. Em uma fazenda, no interior de São Paulo, os testes são com óleo de soja, de girassol e de milho. No Ceará, a principal experiência é com óleo de mamona. Mas sempre como aditivo, porque ainda é caro usar biodiesel puro, como na Alemanha. "O senhor não imagina o biodiesel como um substituto do petróleo?", pergunta o repórter. "Imagino o biodiesel como substituto do petróleo sim. Mas como substituto parcial. É um combustível alternativo que virá a ser coadjuvante no processo de movimentação de cargas leves ou cargas pesadas. Mas não como um substituto total pelo menos na próxima década", diz Miguel Dabdoub, coordenador do projeto biodiesel. Mas qual será o grande substituto do petróleo, que no futuro poderá movimentar toda a frota de veículos do mundo? Para os pesquisadores, a resposta é célula de combustível a hidrogênio. Este é o primeiro protótipo desenvolvido no Brasil e que estará rodando com o novo combustível dentro de seis meses. É um outro conceito de energia. Um carro elétrico, sem combustão. O hidrogênio armazenado em cilindros alimenta as placas de grafite e de platina. Lá dentro, uma reação química transforma o hidrogênio na energia que movimenta o motor elétrico. Grandes montadoras já têm protótipos. Mas para chegar à escala industrial, é preciso decidir como será o abastecimento e baixar o custo de produção. Certo é que se trata de um carro duas vezes mais eficiente, com poluição zero. Do escapamento, sai água. "Seria tudo isso, além do fato de você ter um veículo com célula combustível na sua garagem significa que você tem uma fonte de geração de energia elétrica pra sua própria residência. Você poderia ligar o seu carro na sua garagem e gerar energia elétrica suficiente par abastecer a sua residência. Esta é a visão de um século melhor pra humanidade, né", acredita o coordenador do projeto hidrogênio Ennio Peres da Silva.


FONTE http://jornalnacional.globo.com/Telejor ... ROLEO.html