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Adriano, ganso e marlos

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Pinço três nomes que se destacaram na rodada de fim-de-semana do Brasileirão: Adriano, o Imperador, Paulo Henrique, o Ganso, e Marlos, o Estreane.

Adriano, que, diga-se, não guarda a mais remota semelhança com o imperador romano homônimo, cultor das artes, arquitetura e ritos clássicos de sua gente, voltou para conquistar de vez o Maracanã, que o recebera ainda infante com mais desprezo do que esperança.

Sim, porque Adriano, formado nas categorias de base do Flamengo há mais de década, quando lançado no time principal do Rubronegro, foi recebido com rejeição pela torcida, que o considerava grosso e desajeitado. Só ganhou mesmo fama e respeito lá na Itália, primeiro no Parma, depois, na Inter.

O fato é que Adriano, na sua conturbada volta ao Brasil depois de breve aposentadoria, virou ídolo eterno da torcida em apenas um jogo. Parte, porque, mesmo fora de forma, atuou os 90 minutos, fez um gol, participou ativamente do jogo coletivo de sua equipe, suprindo a grande lacuna do Fla - aquele homem de área que inspira temor e respeito ao adversário. Parte, porque ele compensa a perda de Ronaldo Fenômeno, que acendera a paixão rubronegra para, na hora H, desembarcar no Parque São Jorge.

Adriano, se tudo correr nos conformes, sem dúvida, será a pedra de toque que fará do Flamengo um autêntico candidato ao título brasileiro deste ano.

Quanto ao Ganso, vejo nesse menino do Santos um luminoso futuro. Não que seja um craque de empolgar as massas, desses que provocam paixões desenfreadas e tal e cousa e lousa e maripousa. Nada disso. Por seu estilo, pela função que exerce no time e pelo talhe físico, Ganso está predestinado, se não tropeçar numa dessas esquinas da vida, a ser aquele meia-armador cerebral, de toques exatos e inesperados, dribles curtos, mais para se livrar da marcação do que para marcar presença, que dá ritmo e ciência à sua equipe. Aliás, não foi por acaso que quem o indicou para o Santos foi Giovanni, aquele de feitio parecido.

Por fim, o estreante Marlos, que, confesso, jamais havia visto antes em campo. Pois o menino entrou de repente, longe de sua melhor forma física e técnica, já que não joga há muito tempo, e iluminou esse meio-campo tão mecanizado e preisível do São Paulo.

Aquele passe para Zé Luís cruzar e Borges marcar seu gol é coisa de quem sabe jogar bola. Entre outras coisas, por ser uma jogada que exige sincronia, tempo de convivência com os companheiros, essas coisas. Ele, simplesmente, tirou da cartola, improvisou. E o improviso sempre foi a distinção da escola brasileira do futebol.

Claro: quando se trata de um garoto com menos de 20 anos de idade, não dá para fincar nenhuma bandeira. É preciso dar tempo ao tempo. Mas, que promete, promete.

Fonte: http://colunistas.ig.com.br/albertohele ... -e-marlos/