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A mania do Twitter tem que acabar logo!

Nunca vi algo se tornar tão popular de forma tão veloz, após um início morno. Em algum lugar no meio do caminho, o Twitter conquistou as celebridades e o público de cada uma delas passou a segui-las. O Twitter hoje tem 10 milhões de usuários. Essencialmente, trata-se de um serviço de microblog que permite a postagem de mensagens curtas que a audiência recebe instantaneamente.

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Ironicamente, as celebridades estão usando o Twitter do modo para qual ele foi originalmente projetado, enquanto os usuários comuns estão buscando formas mais produtivas de usá-lo. Porém, os donos do serviço preferem promover o uso que as celebridades estão fazendo do sistema, o que vai levar o Twitter a uma espiral da morte.

O fato é que o serviço foi criado para que as pessoas escrevessem microblogs do tipo “Estou comendo um sanduíche”, supondo que pensamentos casuais são interessantes para multidões de pessoas entediadas, que realmente querem saber o que você pensa quando está no banheiro. E foi assim que Oprah, Britney Spears e o presidente Barack Obama arrastaram milhões de fãs, que querem saber tudo que eles fazem durante o dia.

Talvez essas pessoas achem isso fascinante, sintam-se entretidos com isso, mas a maioria dessas pessoas são apenas almas perdidas. Algumas estão apenas entediadas, é verdade, mas tem também uma minoria obsessiva com a qual é preciso ter muito cuidado. Em qualquer dos casos, essa não é uma forma produtiva de se usar o tempo. Já para as celebridades, é uma maneira de se comunicar diretamente com seus fãs, sejam eles obsessivos ou não.

Para alguns, pode ser considerado “produtivo” vender ingressos de um show para fãs através usando o Twitter como ferramenta de comunicação, mas isso afasta o uso mais produtivo da ferramenta. Alguns podem argumentar que se pode ignorar o uso estúpido do Twitter e usá-lo apenas de forma realmente produtiva. Bom, isso é verdade apenas em parte.

E é nesse ponto que me vêm à mente as rádios comunitárias. Muitos dos usuários do Twitter passaram pelo fenômeno das rádios comunitárias, que sofreram o mesmo processo que o Twitter passa hoje. Os dois foram excessivamente debatidos na TV e eram usados de formas produtivas e não-produtivas. Com o tempo, as rádios comunitárias foram relegadas a segundo plano, terceiro plano e quase desapareceram. O Twitter pode seguir o mesmo caminho, até porque é constante o travamento do sistema por conta da enorme quantidade de usuários. Eles acabam se entediando com os travamentos e buscando outras alternativas.

O Twitter pode, sim, ser usado de maneira produtiva. Um sargento do Corpo de Bombeiros, por exemplo, pode chamar todos os voluntários de uma cidade para combater rapidamente um incêndio. É como se fossem centenas de mensagens instantâneas recebidas ao mesmo tempo por centenas de pessoas diferentes. Mas aí acontece que o sargento dos Bombeiros pode não conseguir falar com os voluntários porque a Oprah decidiu discutir qual é a marca de queijo favorita dela – e como ela tem milhões de seguidores, o serviço não aguenta e cai.

Obviamente, alguns ajustes na arquitetura da plataforma podem ser feitas para evitar esse tipo de problema. Mas isso custará dinheiro, muito dinheiro, e o Twitter atualmente é gratuito. E nada que seja bom, útil e gratuito dura muito.

Quem sabe talvez o Google compre o Twitter. Porém, se isso não acontecer, não acho que ele vá durar muito tempo. E mais uma vez talvez o público realmente queira uma nova forma de ser avisado sobre novos produtos, sobre o que comprar.


Fonte: http://pcmag.uol.com.br/conteudo.php?id=1443
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